Se houver unidade, a oposição vai se fortalecer bastante aqui na cidade

As eleições de domingo, relativamente ao quadro local, projetam indicativos para as eleições municipais de 2016. E, nesse aspecto, vale considerar o fato de a oposição ter saído fortalecida das urnas, com o desafio da manutenção desse grupo. Aliás, não é a primeira vez que um grupo político se forma, a partir de um pleito eleitoral, mas logo se desfaz. Porém, é possível que esse novo grupo de oposição possa aprender com as lições do passado e, aí, fortalecido, se apresentar nas eleições municipais com uma boa e representativa chapa de candidatos a prefeito, vice-prefeito e vereadores.

É que a oposição ao prefeito Marcelo Rangel fez bem mais votos do que os candidatos alinhados ao seu governo. Assim, somando-se os votos para a Assembleia Legislativa dos deputados Márcio Pauliki (eleito) e de Péricles de Holleben Mello (reeleito), chegamos à casa dos 68.233, contra 53.557 do deputado Plauto Miró Guimarães Filho (reeleito) e dos candidatos Dr. Zeca e George Luiz de Oliveira. Fica um saldo positivo, em números redondos, de 15 mil votos para a oposição.

Para a Câmara Federal, a diferença é maior em favor da oposição, pois somados os votos do deputado eleito Aliel Machado e dos candidatos João Barbiero e Pietro Arnaud, temos um total de 78.451, contra 53.275 do deputado reeleito Sandro Alex e da professora Elizabeth Schmidt, se é que a professora Elizabeth possa ser alinhada no grupo do prefeito. Neste caso, a diferença positiva da oposição é de 25 mil, em números redondos.

Nessa conjuntura, vale a consideração de que o empresário e deputado estadual eleito Márcio Pauliki passa a compor, integralmente, o grupo da oposição, porquanto o seu partido, o PDT, esteve coligado, tanto na majoritária, quanto na proporcional, com o PT e o PCdoB, nas eleições de domingo. Com o PT do deputado Péricles de Holleben Mello e com o PCdoB do deputado federal eleito Aliel Machado. Também importa registrar o empenho de Márcio no lançamento da candidatura de Aliel a deputado federal, no que houve a participação do deputado Péricles de Holleben Mello, porquanto aos dois interessava, e muito, a candidatura do vereador Aliel Machado a deputado federal. E o interesse se confirmou na espetacular vitória do jovem presidente da Câmara Municipal, que já escreve uma página importante na história política de Ponta Grossa.

Se, da parte da oposição, houve soma e convergência, o mesmo não se pode dizer da parte do prefeito Marcelo Rangel, que, sem força de liderança em seu próprio grupo, permitiu o lançamento de três candidaturas à Assembleia Legislativa, desconsiderando, de certa forma, o compromisso que havia de apoio à reeleição do deputado Plauto Miró Guimarães Filho, na composição do processo eleitoral municipal de 2012, em que ele abriu mão de sua candidatura em favor da candidatura do então deputado Marcelo Rangel. Mais, abriu mão também de lançar seu amigo João Ney Marçal Filho como vice de Marcelo, cedendo espaço para que o então vereador Dr. Zeca ocupasse a vaga. E, de repente, o próprio Zeca sai candidato a deputado estadual, bem como, o vereador George Luiz de Oliveira, líder do governo na Câmara Municipal.

É bem possível que o prefeito Marcelo Rangel tenha conseguido descontentar os três companheiros de 2012. Aliás, em tom de brincadeira, dizia-se no curso da campanha que o vereador George Luiz de Oliveira, na volta para a Câmara Municipal, assumiria o comando da oposição ao governo municipal. Talvez não chegue a tanto, da mesma forma, como não deverá ter o mesmo entusiasmo de antes na defesa do governo e do prefeito. A camisa vestida antes pode ter encolhido.

2016 está logo, ali, para uma conferência do que já se começa a desenhar.

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