O PT até pode banalizar a corrupção. Mas, onde fica a capacidade de indignação de nossa gente?

Na sessão da CPI Mista da Petrobrás, de quarta-feira, na presença do ex-diretor Paulo Roberto Costa, alguns deputados de oposição manifestaram estranheza pelo fato de a corrupção ter tido continuidade, especialmente na Petrobrás, mesmo depois de tudo o que aconteceu no Mensalão, em que a própria Petrobrás foi citada. A estranheza é sem fundamento porque os corruptos do PT são profissionais, perseverantes acima de tudo. Se um ou outro companheiro cai, eles seguem adiante, com o discurso de que o companheiro punido foi vítima das “classes dominantes, da elite”. Eles são fortes, eles não se entregam, eles não confessam o erro.

E já é sabido também que a roubalheira havida na Petrobrás – e não se sabe se ela não continua – torna o Mensalão, que era tido como o maior escândalo de desvio de dinheiro público da história do Brasil, é um desvio qualquer, um troco. Esse episódio de agora, que teve divulgado um detalhe apenas de parte do todo, já se constitui em motivo suficiente para provocar a indignação do povo brasileiro, especialmente, das pessoas de bem, da gente séria deste País, dos que ainda se esforçam para preservar um mínimo da dignidade pessoal.  E que o mais preocupa é que essa indignação não tem se revelado, parecendo mesmo que a nossa gente perdeu a capacidade de se indignar, diante da série de tantos desvios do dinheiro público, de tanta roubalheira, da sequência de escândalos, em que o último sempre é maior que os anteriores.

As pessoas precisam, sim, parar para refletir, analisar, considerar e resgatar a capacidade de se indignar, porque não faz mais sentido tantos e tão grandes escândalos de corrupção sem que a sociedade, de forma organizada e ordeira, faça ecoar um grito de desabafo que acorde as pessoas de bem de todas as regiões do Brasil.

Estamos a quinze dias das eleições. E Lula, desesperado pela reeleição de Dilma, vai ao Rio de Janeiro participar de uma manifestação pública em favor da Petrobrás, dando a entender que a roubalheira toda não passa de um jogo de cena da oposição que quer quebrar a Petrobrás. E Dilma, cumprindo o figurino que lhe cabe, evita em entrar em bola dividida, limitando-se a dizer que não sabia de nada do que se passava na Petrobrás, e segue sua campanha. Como se o caso da Petrobrás não tivesse a gravidade que tem.

E o maior perigo que se corre é que a campanha vai continuar solta, porque qualquer divulgação mais contundente de uma ou outra revelação do bandido Paulo Roberto Costa, no dizer do deputado federal Onix Lorenzano, só vai ser tornada pública depois das eleições, de modo a evitar que uma revelação mais forte do dito bandido possa comprometer a reeleição da presidente Dilma. Ou seja, a Polícia Federal, por mais que tenha evoluído, está longe ainda de ser uma instituição de Estado, forte, a serviço, de fato, da sociedade brasileira.

Oxalá, a capacidade de indignação de nosso povo esteja sendo mantida em grau de reserva e venha a se revelar, por inteira, no primeiro domingo de outubro, na forma mais extraordinária da organização democrática, que é o voto. Mas, do voto que derrote Lula, Dilma e o PT.

 

 

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