A grande obra do PT, em seus 12 anos de governo, é a banalização da corrupção

A corrupção no Brasil virou conversa de botequim, é coisa corriqueira, banal, sem importância maior. E essa visão despreocupada, quase ingênua, da corrupção é a grande obra dos governos petistas de Lula e Dilma, que vai passar para a História. Não que tenham sido os únicos dois governos do mundo a conviver com a corrupção.

Mas, que são os dois únicos governos da História Política do Brasil a transformar a corrupção em coisa corriqueira, isso está provado e comprovado. Há uma sequência impressionante de casos de corrupção que até parece ser uma estratégia pensada, porque, com um ritmo intenso da prática de malfeitorias, um escândalo encobre o outro e, com isso, as pessoas falam sobre a última roubalheira, a cada dia, desprovidas, já, do impacto que isso fazia em outros tempos, quando vergonha ainda era um valor moral no brasileiro.

O seqüestro e o assassinato do prefeito Celso Daniel, de Santo André, até hoje é um mistério. E Celso Daniel era uma das figuras de proa do PT, que havia consentido num desvio de dinheiro dos cofres da Prefeitura de Santo André, mas para o partido. O partido para ele era religião, com força de convicção de um ideal a serviço da população brasileira. Porém, quando descobriu que o desvio do dinheiro estava percorrendo outros caminhos, que não apenas o do PT, se revoltou. E a sua revolta lhe custou a vida. A revista Veja desta semana traz uma matéria sobre o pagamento de propina, por parte do PT, para evitar que um empresário fizesse novas revelações do assassinato de Celso Daniel, envolvendo o ministro Gilberto Carvalho, o ex-ministro José Dirceu, que está preso, e o ex-presidente Lula. As pessoas lêem e dão de ombro, porque esse é um episódio da década de noventa, como se não tivesse mais importância. Mas, os espiritualistas asseguram que o espírito de Celso Daniel só vai descansar quando os responsáveis pela sua morte tiverem a pena que merecem. Não parece sem razão que, volta e meia, esse assunto vem à tona. Faz sentido, pois, a versão dos espiritualistas. Para assombro dos que tem a consciência pesada. Sim, até os facínoras mais cruéis, têm consciência. Que acusa e cobra, impedindo que o culpado tenha paz de espírito, onde quer que se encontre.

E isso aconteceu antes do PT chegar ao poder.

No poder, do pouco, muito pouco, quase nada que chega ao conhecimento da opinião pública, estourou o Mensalão, em meados do primeiro governo de Lula. Era caso para “impeachment”. Mas, como a oposição vacilou, Lula teve tempo para se organizar e, aí, orquestrar a estratégia de guerrilha, que lhe valeu a renovação do mandato e assegurou ao partido a eleição de sua sucessora, que busca agora a reeleição.

O Mensalão tinha todos os elementos para provocar uma indignação geral na sociedade brasileira, de modo a impedir a eleição de um vereador, sequer, pelo PT. Mas, a guerrilha ensina que uma mentira dita mil vezes vira uma verdade. E nada melhor do que uma propaganda bem feita, exaltando os grandes feitos, de modo a abafar a voz da oposição, dos que acusam e que logo são acusados de serem contra o pobre, contra os programas sociais e contra o governo.

O Mensalão produziu pouco, o suficiente para meter na cadeia meia dúzia de figuras ilustres do partido, que, presas, emitiram gritos de guerra, como se estivessem sendo consagrados como heróis. E são heróis para os militantes do partido.

Agora, para envergonhar o Mensalão, está ainda em processo lento de revelação um notável escândalo dentro da Petrobrás. E Dilma, que foi ministra de Minas e Energia de Lula, depois chefe da Casa Civil, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás e presidente da República diz que nada sabia e que sempre teve “tolerância zero” com a corrupção.

O PT, que desmoralizou o Correio, que era tido como uma instituição cara ao brasileiro, quebrou a Petrobrás, por meio de um escândalo que escapa à capacidade de avaliação do brasileiro, em sua extensão. Mas, Lula foi ao Rio participar de uma manifestação em “defesa” da Petrobrás. É o princípio da confusão mental para o menos avisado.

Sim, é preciso fazer crer ao povo que a oposição, os inimigos do governo, querem desmoralizar a Petrobrás. E, com isso, é mais um escândalo, apenas. Tudo banalizado.

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