Os hospitais do Requião mereciam uma CPI, que tivesse começo, meio e fim

No sábado, dia 13, a “Gazeta do Povo” trouxe uma interessante matéria, a respeito dos “hospitais do Requião”, que ele próprio propala, pelo Estado todo, ter reformado, melhorado e construido. E a matéria é importante, porque, pela primeira vez, esse tema mereceu um questionamento mais sério, que põe por terra o discurso forte, mas falso, do senador Roberto Requião. Enquanto governador, na “Escola de Governo”, das manhãs de segunda-feira, disse, um dia, ao seu secretário da Saúde, Gilberto Martin, que não queria inaugurar nenhum hospital, que não estivesse pronto, acabado, em condições de funcionar no dia seguinte. Discurso falso, como falso foi o famoso discurso da campanha de 2002, em relação ao pedágio.

O eleitor do Paraná tem sido excessivamente generoso com o senador Roberto Requião, pois, tem lhe permitido escrever uma biografia que se sobrepõe a de grandes e ilustres homens públicos de nosso Estado, como Bento Munhoz da Rocha Neto e Ney Braga. E até com vantagem, pois, Bento governou o Estado por uma única vez e foi senador também, por uma única vez. Enquanto isso, Ney governou o Estado, por duas vezes, embora a segunda, por eleição indireta, e foi senador por uma única vez e ministro de Estado, por duas vezes. Requião, por sua vez, governou o Estado, por três vezes. E a esperança que tenha sido por três vezes só. Mas, a comparação com Bento e com Ney se limita ao número de mandatos no Palácio Iguaçu e no Senado da República. Nada mais além disso, porque tanto Bento, quanto Ney foram homens de prestígio nacional.

Assim, importa em voltarmos à história dos hospitais, de acordo com a matéria da “Gazeta”, do último sábado. Diz a matéria que “levantamento da Gazeta mostra que Requião não ‘construiu 13 hospitais do zero’ ao longo das duas passagens como governador (2002-2010), ao contrário do que tem divulgado”. Mais: “Na lista de 13 hospitais construídos divulgada por Requião consta uma unidade que não existe, outra inoperante até hoje, três municipais que o governo estadual da época ajudou com empréstimos e duas novas alas em espaços médicos que já existiam. Apenas seis hospitais foram realmente erguidos da estaca zero”.

E continua: “No Hospital Regional de Ponta Grossa, nos Campos Gerais, a obra foi executada de tal forma que as duas máquinas de autoclave – responsáveis pela esterilização – não funcionam até hoje porque o piso não suporta o peso”.

No caso específico de nosso hospital, aqui de Ponta Grossa, isso é o mínimo, porque houve mais erros grosseiros de projeto. E mesmo não estando em condições de funcionar, o hospital foi inaugurado por Requião, de modo irresponsável, no dia 30 de março de 2010, a menos de quarenta e oito horas de deixar o governo para se candidatar ao Senado.

A matéria vai mais longe, na abordagem do discurso falso, e registra, ainda, a construção do hospital de Telêmaco Borba, que até hoje não funciona.

Com essa radiografia da matéria da “Gazeta do Povo” é possível se entender, como, no discurso mentiroso, a Saúde Pública, tanto no Paraná, quanto no Brasil, tem índices de excelência, mas que, confrontada com a realidade, a Saúde Pública é um desastre, pela irresponsabilidade de governantes carreiristas, como é o quadro da Saúde Pública do Paraná, ao final do segundo governo consecutivo de Requião.

E que se espera tenha sido, de fato, o último, porque a Saúde Pública do Paraná, incluindo o Curso de Medicina de nossa UEPG, merece ser tratada de forma mais responsável e conseqüente.

E, para dar sentido ao título do comentário, vale registrar a conivência dos deputados estaduais aliados de Requião e a omissão dos deputados estaduais de oposição a Requião, porquanto, essa imaginária e maquiada rede de 13 hospitais merecia, sim, uma CPI. Mas, parece exagero esperar da Assembleia Legislativa do Paraná uma CPI séria, com começo, meio e fim. O caso presente parece auto-explicativo.

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