A indignação de Dilma, na tevê, contra a corrupção chega a ser hilariante

A presidente Dilma Rousseff, no papel de candidata à reeleição, chegou a se mostrar hilariante no programa eleitoral desta terça-feira ao querer interpretar o papel de indignada com a corrupção. Ela, pessoalmente, até pode ser considerada acima de qualquer suspeita. Entretanto, enquanto chefe de governo, a sua indignação não convence. A “faxineira” dos primeiros meses de 2011 parece ter desaparecido, enquanto a prática da corrupção continuou ativa, como sempre. Aliás, intensamente ativa nos três governos do PT. É verdade que os governos anteriores de outros partidos também andaram convivendo com a corrupção. Entretanto, nesses quase doze anos do PT no poder a dose aumentou, pela sucessão de grandes escândalos, como esse mais recente, que coloca a Petrobrás na vitrine das malfeitorias. E a presidente Dilma dizer que não sabia das malfeitorias praticadas na Petrobrás também soa falso, especialmente, por ser uma profissional da área, como ministro das Minas e Energia, presidente do Conselho de Administração da Petrobrás, chefe da Casa Civil e, agora, presidente da República. Se existe uma área do governo em que Dilma tem a obrigação de ser especialista essa é a da área de energia. E se as malfeitorias na Petrobrás fossem coisa parecida com roubo de galinha, até mereceria crédito a declaração da presidente. Entretanto, o caso da Petrobrás, que parece longe de ser mostrado nas proximidades da realidade, parece ter indicativos que se sobrepõem ao Mensalão, denunciado pelo ex-deputado Roberto Jefferson, no segundo ano do primeiro governo de Lula. E as declarações do antigo homem forte da Petrobrás, que está preso na Polícia Federal, em Curitiba, estão apenas no início, se é que ele vai ter a coragem necessária para ir bem mais longe. É claro que isso provoca desespero no Palácio do Planalto, por conta, justamente, do período eleitoral. E, aí, surge a figura da candidata à reeleição tentando dar crédito à sua indignação com a corrupção. Nem seria o caso de se mencionar que Dilma é filiada ao PT. E que o PT tem um apreciável histórico no mundo da corrupção. O seu tesoureiro foi mencionado nas declarações de Paulo Roberto da Costa. No Mensalão, o tesoureiro do PT acabou condenado e preso. Logo, a indignação da presidente Dilma Rousseff se presta muito mais para o jogo de cena da campanha eleitoral, na tentativa de amortecer o impacto no eleitorado.

De outro lado, vale a expectativa quanto ao procedimento de deputados e senadores, no trabalho nas duas CPIs sobre a Petrobrás que foram criadas e estão funcionando. Diante de gritantes evidências, os governistas querem que chegue logo o primeiro domingo de outubro para salvar suas peles, antes que a coisa se complique, de vez. Acontece que se o antigo diretor da Petrobrás estiver mesmo determinado a salvar sua própria pele, meia Brasília, pelo menos, deverá ser convidada para dançar.  E o Brasil inteiro vai continuar assistindo ao espetáculo dos desmentidos e das acusações de que o ex-homem forte da Petrobrás fala, mas não prova. Para ter validade a tal delação premiada, é preciso que as revelações feitas sejam acompanhadas de provas. Eis, aí, o clima de terror que está contaminando meia Brasília, especialmente, nas cercanias dos três poderes da República.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *