A reserva de mercado é coisa do passado. Estamos no Paraná “globalizado”

Uma vez o então deputado federal Joaquim dos Santos Filhos, um dos grandes nomes da Arena e depois do PDS, ao tempo do bipartidarismo e início da redemocratização do País, ensinava que o político que aspira disputar um cargo majoritário no Estado, precisa, na disputa de um cargo proporcional, fazer voto, além de sua cidade naturalmente, na Capital e nas principais cidades do interior, como forma de se tornar conhecido. É, por isso, que em Curitiba todo mundo faz voto, porque, na verdade, Curitiba é a síntese do Paraná. E quem se destaca em Curitiba, ganha destaque no Paraná. É, por isso, por exemplo, que todo o prefeito da Capital, via de regra, é um nome pronto para disputar o governo do Estado.

Se temos candidatos nossos que vão buscar votos em outras regiões do Estado, não podemos impedir que candidatos de outras regiões do Estado também aportem por aqui, na busca de possíveis eleitores seus. Acontece que o desenvolvimento econômico da cidade está a provocar um crescimento do comércio e da prestação de serviços, o que implica no reconhecimento da vinda de profissionais de outras regiões do Estado e mesmo do País para nossa cidade. E isso passa a se refletir no processo eleitoral, que, de alguma forma, “globaliza” o Paraná. Em outras palavras, Ponta Grossa, pela força de sua retomada do processo de industrialização, tem hoje as vistas do Estado voltadas para si. Estão aí duas grandes bandeiras que são assinadas hoje por várias federações, que são o Contorno Norte e um novo aeroporto. Essas obras vão muito além do pálido prestígio de nossas lideranças políticas, habituadas a enxergar até o limite do Rio Tibagi. Um exemplo dessa miopia política está no que, indevidamente, é chamado de Contorno Leste, um projeto medíocre do governo do ex-prefeito Péricles de Holleben Mello, que foi avalizado pelo governo do ex-prefeito Pedro Wosgrau Filho, que se encarregou de sua realização, promovendo, ainda, alterações no projeto original,  que tornaram essa obra mais comprometida com o distanciamento de uma contribuição mais avantajada como alternativa válida e eficiente ao nosso sistema viário. Outra situação da miopia política de nossas lideranças está sendo patrocinada pelo prefeito Marcelo Rangel, no anúncio que fez, na semana passada, em seu programa de rádio sobre a reforma do Aeroporto Santana. A cidade tem que deixar o Aeroporto Santana para o Museu Campos Gerais e partir para um novo e arrojado projeto, como, aliás, estava sendo encaminhado pelo ex-titular da Secretaria Municipal da Indústría e Comércio o empresário Álvaro Scheffer, que chegou a anunciar que havia duas ou três áreas, previamente definidas, em condições de abrigar um projeto consistente de um novo aeroporto. E o próprio Álvaro chegou a dizer que os custos de um novo aeroporto não eram muito diferentes do custo da reforma do Aeroporto Santana, com a vantagem de que um projeto novo só apresentava vantagens. Mas, o prefeito parece ter preferido remendar o velho Aeroporto Santana, que tem uma rodovia e o Rio Tibagi a delimitá-lo. Até, por isso, parece necessário e desejável que tenhamos alternativas inteligentes para o voto no primeiro domingo de outubro.

Se até o deputado André Vargas, complicado até o pescoço na denúncia de envolvimento com o doleiro Alberto Youssef, que está preso em Curitiba, andou fazendo voto por aqui nas últimas eleições, com o patrocínio de um amigo seu que lhe abriu caminho no eleitorado local, sem que ninguém tivesse protestado, nada mais há para qualquer medida impeditiva da presença de candidatos de fora, por aqui. Especialmente, se apresentarem perfil distinto do “Andrezinho” Vargas, de Londrina.

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