O apoio de Márcio a Gleisi é bom para a Gleisi. Só que eleitor do PT não vota no Márcio

O empresário Márcio Pauliki é uma importante liderança que vem surgindo no quadro político de Ponta Grossa. Fez uma bonita campanha para prefeito, nas eleições de 2012. Não foi para o segundo turno por circunstâncias estranhas, ditadas por uma pesquisa do Ibope, mas a sua apresentação ao eleitorado foi bastante positiva. Concorreu com o deputado Péricles, do PT, e com o então deputado Marcelo Rangel, do PPS, que acabou sendo o vitorioso.

Márcio, que fez sua primeira filiação ao PPS, acabou batendo na porta do PDT para se candidatar a prefeito. É possível que não tenha feito uma avaliação mais aprofundada, quanto ao caminho ideológico da agremiação fundada pelo falecido Leonel Brizola, que foi governador do Rio Grande do Sul e, depois do regime militar, do Rio de Janeiro, também. É até hoje um nome de prestígio no Oeste e Sudoeste do Paraná, regiões que foram colonizadas por produtores rurais gaúchos. Aqui em Ponta Grossa e nos Campos Gerais, a história política de Leonel Brizola sofre resistência, porque a cultura política de nossa gente, desta parte do Paraná, é mais conservadora e mais de centro, ainda que já tenhamos tido um prefeito de esquerda, Péricles, que construiu uma bonita história política, que o garante na vida pública, desde 82, quando se elegeu vereador. Péricles é o símbolo e a referência do PT, aqui na cidade e na região.

Mas, voltando ao empresário Márcio Pauliki, vale uma reflexão no encaminhamento que está tendo no processo político, pois, candidato a deputado estadual nas eleições deste ano, viu o seu PDT fazer a indicação do candidato a vice-governador, o médico Haroldo Ferreira, na chapa da senadora Gleisi Hoffmann, que disputa o Palácio Iguaçu, pelo PT.

Por conta dessa estreita ligação da aliança eleitoral, Márcio está assumindo, publicamente, o apoio à candidatura de Gleisi Hoffmann ao governo do Estado. Naturalmente, o apoio de Márcio interessa a Gleisi, porque ela poderá conquistar votos onde, sem a companhia de Márcio, seguramente não conquistaria. Sem a candidatura de Márcio, Gleisi estaria apenas com a companhia do fiel deputado Péricles de Holleben Mello e, agora também, do jovem vereador Aliel Machado, candidato a deputado federal, pelo PCdoB, partido que, por sinal, apresentou o candidato ao Senado, na chapa de Gleis, na figura do ex-deputado Ricardo Gomide.

A pergunta que não quer calar é o que o candidato Márcio Pauliki ganha na oferta de apoio à candidata do PT ao governo do Estado, considerando, de princípio, que o seu eleitor não exibe o perfil do eleitor que mantém fidelidade com os candidatos do PT. Eleitor do PT vai votar no Péricles, para deputado estadual, no Aliel, para deputado federal, para o Gomide, para senador, para Gleisi, para o governo do Estado, e naturalmente para Dilma, na reeleição ao Palácio do Planalto.

Como Márcio é um candidato importante para a comunidade pontagrossense e mesmo da região, essa preocupação de seu alinhamento com campanhas de candidatos de esquerda merece ser colocada, ainda que exista compreensão, à esta altura dos acontecimentos, que ele está, de certa forma, sendo arrastado para essa encruzilhada ideológica. Só que isso teria de ter sido pensado lá atrás, quando deixou as fileiras do PPS.

 

 

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