A campanha no Paraná vai ser uma pancadaria só. E o voto haverá de ser entre o ruim e o pior

Os três principais candidatos ao governo do Estado estão protestados no cartório popular, porque os três tem culpa. Ainda que seja repetição, vale insistir que o voto no primeiro domingo de outubro será por eliminação, por não haver espaço para escolha por preferência. Coisa parecida, aliás, já está se dando no plano nacional. E tudo isso é resultado de um vazio de lideranças. A rigor, não há um único líder no cenário da política brasileira. E, pelo que temos visto em eleições, vai demorar ainda. Acontece que o conjunto da sociedade nacional continua abominando a figura do homem público, visto como oportunista, mau caráter e corrupto. E, aí, como as pessoas de bem querem distância da política eleitoral, o oportunista, o mau caráter, o corrupto continua se oferecendo ao eleitor, falando bobagem na televisão. As exceções pouco ou nada contam.

Temos, em casa, as três principais candidaturas ao Palácio Iguaçu, com um tom de discurso acusatório, porque o foco de cada um dos três é desmoralizar o outro. O senador Roberto Requião acusa o governador Beto Richa de preguiçoso e de comandar um “desgoverno” no Paraná. Na mesma linha de atirar em Beto, está a senadora Gleisi Hoffmann, que se esforça para demonstrar que Beto não fez projetos, não se empenhou em conquistar recursos do governo federal. De seu lado, o governador Beto Richa fala, agora um pouco mais claro, que recebeu o Estado quebrado, por conta do “governo anterior”. Por “governo anterior”, entenda-se governo de Roberto Requião. Em relação a Gleisi, Beto responsabiliza-a pela perseguição política de Brasília ao Paraná.

Falando de cada um, podemos começar por Roberto Requião, pelo fato de ter governado o Estado por três vezes, o que é um recorde na História Política do Paraná. A sua linha de atuação, se mudou, foi para protagonizar ações mais radicais, como a sua característica em manifestar antipatia pelo grande capital. Em outras palavras, o processo de industrialização do Estado haverá de sofrer nova paralisação, como se deu em seus três governos. Isso preocupa o empresariado do Estado. Depois, tem a história dos 44 hospitais, reformados ou construídos, e que não estariam funcionando, seja por falta de médico, seja por falta de equipamento. Entretanto, o próprio Requião não colocou esses hospitais para funcionar, por falta de médico, por falta de equipamentos e até por problemas estruturais na edificação do prédio do hospital.

A senadora Gleisi Hoffmann não vai conseguir convencer o distinto público de que ela não participou da perseguição política do governo federal contra o Paraná. Acusa o governador Beto Richa de não ter elaborado projetos, não ter se empenhado em garantir recursos federais para o Estado, mas não se explica da acusação de Beto contra ela, como partícipe das estratégias de perseguição ao Paraná.

Por fim, temos o governador Beto Richa, com desempenho sofrível à frente do governo do Estado. Se é verdade que recebeu o Estado quebrado, pelos dois últimos governos de Requião, deveria ter feito a denúncia, tão logo assumiu o Palácio Iguaçu, de modo que o povo paranaense tivesse ciência do desempenho de Requião, no comando, como ele próprio anunciou em sua posse, de um governo de esquerda. Não fez antes, pretende fazer agora, por ter se surpreendido com a vitória de Requião na convenção do PMDB, para disputar pela quarta fez, o governo do Estado.

Enfim, será a campanha da pancadaria. E será, nesse clima, que o eleitor terá de optar. Sim, optar entre o ruim e o pior.

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