Dos candidatos do Paraná, o melhor programa foi o do senador Álvaro Dias

A propaganda de ontem, quarta-feira, na televisão mostrou os candidatos a governador, a deputado estadual e a senador. De um modo geral, programas sofríveis, repetição cansativa de edições de eleições passadas. A fala arrogante do senador Roberto Requião parece estar perdendo intensidade,enquanto a aparição da senadora Gleisi Hoffmann pareceu ingênua ao extremo, fazendo justiça aos números que estão sendo apresentados pelas pesquisas, em que é colocada no terceiro lugar. Quanto ao programa do governador Beto Richa, não fugiu da mesmice de seus adversários, cometendo o erro primário de dizer que “vou fazer”, quando, se mais profissional e melhor orientado, diria “vou continuar fazendo”. Beto, que nunca foi um bom orador, continua com a mesma tonalidade de voz, que cansa e não convence.

É claro que estamos considerando, apenas, o primeiro programa. Porém, mesmo sendo o primeiro programa, já é possível dizer que o eleitor do Paraná precisará, sim, fazer uma escolha, por eliminação, na hora de votar para governador. Nenhum dos três principais candidatos impressiona, favoravelmente. Nenhum dos três está a produzir convencimento. Por exemplo, o senador Roberto Requião criticou o governador Beto Richa por não ter colocado em funcionamento a rede, segundo ele, de 44 hospitais, que, no seu governo, foram reformados e/ou construídos. Acontece que ele próprio não deixou toda essa rede funcionando, também. O Hospital Regional, aqui de Ponta Grossa, fazia por merecer uma CPI da Assembleia Legislativa, inclusive, pela irresponsabilidade do governo do próprio Requião por ter contratado servidores para o hospital, sem que ele estivesse pronto para funcionar. Mas, os funcionários contratados receberam salários.

Por sua vez, a senadora Gleisi Hoffmann parece que estará a serviço da campanha de Requião, como livre atiradora na candidatura do governador Beto Richa. Acusada de ser a responsável pela perseguição do governo federal ao Paraná, na demora e postergação de liberação de recursos e concessão de empréstimos financeiros ao Estado, ela aponta para a existência de recursos no governo federal para dizer que o governo paranaense não fez projetos, com uma argumentação visivelmente fraca.

E o próprio Beto Richa, que “vai fazer”, estrategicamente abriu a guarda para seus adversários, que, se bem orientados também, vão aproveitar a “deixa” para dizer que Beto é um governador honesto, por ser o primeiro a reconhecer que, neste atual governo, pouco ou nada realizou, pois, afinal, está a dizer que “vai fazer”. Como só “vai fazer” quem não fez, Beto se insere no contexto da escolha do voto, no critério da eliminação.

Sem ameaça visível de qualquer concorrente, o senador Álvaro Dias pareceu ter sido a salvação do programa de estreia da campanha eleitoral deste ano, pela produção de um bom programa, com uma fala cordial e inteligente, fazendo justiça à condição de um dos grandes nomes do Brasil no Senado da República. O deputado Marcelo Almeida, candidato ao Senado pelo PMDB, que poderia representar alguma ameaça à reeleição de Álvaro, se exibiu ontem como um bom surfista. Melhor, mesmo, o Álvaro continuar em Brasília.

 

 

 

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