Com o início do programa de televisão, a campanha eleitoral sai para as ruas

A campanha eleitoral dos novos tempos acontece na televisão. Principalmente, para cargo majoritário. O famoso corpo-a-corpo fica para o candidato a vereador, nas eleições municipais, e para os candidatos a deputado estadual e a deputado federal, nas eleições gerais. É na televisão, por exemplo, onde há a maior concentração do gasto de campanha, porque a campanha a cargo majoritário – prefeito, governador, presidente da República – exige uma equipe de profissionais de emissora de televisão, para preencher os poucos e valiosos minutos na televisão.

O programa de ontem foi apenas o ponta pé inicial, até porque o PSB, apenas, fez uma apresentação diferente, exibindo imagens do falecido candidato Eduardo Campos, na esteira da comoção social que está a tomar conta de boa parte do eleitorado nacional, pelo acidente aéreo que matou o candidato socialista, na semana passada.

Com a exibição ontem dos candidatos à Presidência da República e, hoje, dos candidatos aos governos estaduais, o debate chega às ruas e as pessoas, onde quer que se encontrem, vão começar a discutir a campanha, ainda que não exista uma grande motivação, pela simples razão de não contarmos com nenhuma grande candidatura. Aliás, essa é a primeira realidade a ser admitida, que, na verdade, é a constatação de um quadro vazio de lideranças afirmativas no País inteiro. Não temos um líder municipal, da mesma forma, como não temos um líder estadual e, como parece claro, muito menos um líder nacional. Temos, quando muito, candidatos que se apresentam como líderes, tão somente por conta da circunstância da candidatura, em si. Nada além disso.

E se há uma razão para se preocupar com a eleição deste ano é o despreparo do eleitor. Afinal, a realidade política brasileira se assenta na incultura política de nosso povo. E o analfabeto político não é, simplesmente, aquele que não saber ler, nem escrever, mas, fundamentalmente, aquele que não sabe discutir, debater, questionar.

Com um fundo de verdade, muitos dirão que isso tudo é conseqüência do regime militar, que durou vinte anos. É até possível, embora essa incultura seja um marco do processo eleitoral brasileiro, em toda a sua História.

Com o lançamento marcado para hoje da candidatura da ex-senadora Marina Silva, é possível que, já no programa de amanhã, o PSB se apresente com a sua candidata e, aí então, o quadro eleitoral de candidatos presidenciais esteja completo. E impressiona a força eleitoral de Marina, que, de um momento para outro, se apresenta com ares de tirar o senador Aécio Neves do segundo turno e, no segundo turno, tirar Dilma Rousseff do Palácio do Planalto. Dirão alguns que, por ora, tudo é comoção social. Entretanto, é bom considerar o fato de Marina representar o novo, o diferente, a exceção da regra, ainda que, a rigor, não tenha ela nada de muito novo, nada de muito diferente. Mas, como é a única sem mandato dos três principais candidatos, é até possível que esteja a sensibilizar o eleitorado pela sua aparente fragilidade.

Enfim, a campanha começa, de fato, a ganhar corpo, a exigir um confronto direto entre os principais candidatos, permitindo que o eleitorado, para o bem ou para mal, reúna condições de tirar suas próprias conclusões.

 

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