Os candidatos do PSB estão órfãos e temem que Marina assuma o comando do partido

A morte de Eduardo Campos cria um vazio no PSB, não apenas na campanha para a Presidência da República, como, de resto, nas candidaturas gerais do partido, nas eleições deste ano. É que, com ele, desapareceu o discurso de um socialista conciliador, de um líder emergente, de uma promessa consistente de um novo valor na política brasileira. Aqui mesmo em Ponta Grossa, haverá forte influência do que está a se verificar no quadro nacional. E, como em Ponta Grossa, haverá conseqüências no Paraná e nos demais estados e municípios, notadamente nas alianças celebradas entre o PSB e o PSDB, com as bênçãos de Eduardo Campos e a contrariedade de Marina Silva, sua vice e possível titular, agora, da candidatura presidencial. E, por via de conseqüência, a figura de maior visibilidade do PSB. Com autoridade, inclusive, para ditar normas e regras dentro do partido. Para desespero do próprio partido.

A partir daí, vale examinar a situação local, aqui de Ponta Grossa, em que a professora e ex-secretária municipal de Cultura Elizabeth Schimidt é candidata a deputada federal e estava entusiasmada com a visita, no dia 22 deste mês, de Eduardo Campos, aqui na cidade. Elizabeth trocou o DEM pelo PSB e estava animada com os rumos do partido e com o discurso de seu candidato a presidente da República. Filiada ao partido com o projeto da candidatura, Elizabeth recebeu de Severino Araújo, presidente estadual do PSB e amigo pessoal do avô de Eduardo, o falecido Miguel Arraes, a missão de presidir o partido aqui em Ponta Grossa, como demonstração de apoio à sua candidatura.

A possibilidade, agora, da ex-senadora Marina Silva assumir a candidatura presidencial preocupa o pessoal da campanha de Elizabeth, como de resto preocupa nos estados e municípios do Brasil inteiro, porquanto Marina não é Eduardo e seu discurso, nem de longe, vai fazer lembrar o discurso moderado e convergente de Eduardo, mormente, para os empresários urbanos e rurais. Marina tem um discurso de esquerda radical, que afasta os empresários urbanos e atemoriza os empresários rurais. Elizabeth é produto de uma sociedade conservadora, que é a sociedade pontagrossense. Seu marido é empresário e tem fortes laços de amizade com a classe dos produtores rurais de Ponta Grossa e da Região dos Campos Gerais, em cujos segmentos, inclusive, vem trabalhando a sua candidatura. Com o preocupante fato novo, há um princípio de inquietação, neste primeiro momento, quanto a continuidade do trabalho eleitoral de Elizabeth, por conta do discurso que passará a compor a campanha presidencial do PSB.

A ex-senadora nunca viu com simpatia, por exemplo, a aliança do PSB com o PSDB, aqui no Paraná. Em São Paulo tentou, sem conseguir, impedir que o PSB indicasse o vice do governador Geraldo Alckmin, que é uma das referências nacionais do PSDB.

É claro que o caso local é o retrato do quadro nacional. Aliás, um deputado do PSB, que pediu para não ser identificado, disse que a única unanimidade de Marina, no PSB, é a sua rejeição.

Mas, com rejeição e tudo, o PSB vai precisar seguir adiante.

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