Datafolha mostra Beto e Requião em empate técnico. Gleisi cumpre tabela

O Instituto Datafolha trouxe, ontem, uma pesquisa eleitoral sobre a disputa nos principais estados, incluindo o Paraná. A disputa mais apertada, pelos números da pesquisa, está acontecendo em nosso Estado, pela proximidade do senador Roberto Requião aos números conferidos ao governador Beto Richa. Segundo o Datafolha, Beto tem 39%, Requião 33 e Gleisi 11%. Como há uma margem de erro de 3%, tecnicamente, Beto e Requião estariam empatados. É uma amostragem natural, que já anuncia um segundo turno entre Beto e Requião. A colocação da senadora Gleisi Hoffmann em terceiro lugar também reflete a normalidade, porquanto a senadora vai ficar de fora da disputa efetiva pelo Palácio Iguaçu. Para todos os efeitos, vai cumprir tabela para garantir um palanque para a presidente Dilma Rousseff, que, de seu lado, entretanto, deve procurar o senador Roberto Requião, por lhe ser mais interessante o palanque do PMDB.

O governador Beto Richa é sério candidato a chegar até em primeiro lugar no primeiro turno, com Requião presente no retrovisor. Entretanto, a disputa no segundo turno, tende a desequilibrar em favor de Requião, pelo apoio natural que deverá receber da senadora Gleisi Hoffmann. É, por isso, que Requião vai precisar franquear o seu palanque para a campanha da presidente Dilma Rousseff. Ainda que Dilma não acrescente, rigorosamente, nada a Requião no primeiro turno, o apoio do PT no segundo turno haverá de fazer a diferença.

A explicação para essa polarização entre Beto e Requião fica por conta do governo capenga de Beto, inclusive, em sua estratégia política. Instalado no governo em janeiro de 2011, Beto cometeu um pecado capital ao não revelar a situação financeira que estava recebendo do governo de Requião. É que Beto queria atrair o PMDB para o seu governo. E para não se confrontar com os deputados peemedebistas, Beto preferiu não atacar Requião. Mais, apostava que, na campanha de sua reeleição, contaria com o PMDB ao seu lado, tendo, inclusive, um vice peemedebista. Subestimou, em demasia, a força de Requião dentro do PMDB e dentro do Paraná.

Surpreendido com a vitória de Requião na convenção do PMDB no final de junho, Beto vai, agora, para o tudo ou nada contra o seu principal desafeto, nos programas de televisão, que terão início na semana que vem. Difícil saber se dará tempo de incompatibilizar Requião com o eleitorado. Acontece que, além de ter jogado mal politicamente, Beto Richa vem comandando uma administração medíocre. Sucesso mesmo, apenas, no apoio ao processo de industrialização do Estado, que ganhou destaque nos dois governos de Jaime Lerner e que foi retomado agora, no atual governo, com pesados investimentos de algumas dezenas de grandes empresas que estão se instalando no Paraná. Esse é um dado importante e que, de certa forma, preocupa o empresariado, porquanto, diante de uma eventual volta de Requião ao Palácio Iguaçu, essa política de estímulo ao investimento privado será interrompida, novamente, como ele fez, aliás, nos seus doze anos de estadia no Palácio Iguaçu.

Para o governador Beto Richa, a única alternativa para se descolar de Requião e ganhar distância do senador está no uso da artilharia que possa dispor contra o candidato do PMDB. Porém, não basta contar com uma artilharia pesada; é preciso saber usá-la.

Mas, se não aprendeu com o próprio Requião em suas três campanhas eleitorais para o governo do Estado, é possível que acabe sendo a vítima desta quarta campanha.

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