Há contradição também com os nossos candidatos à Câmara Federal

Assim, como encontramos contradições com posicionamentos de candidatos à Assembleia Legislativa, temos também situações interessantes no grupo de candidatos locais que concorrem à Câmara Federal, tudo por conta de um processo inadequado, em meio à frouxidão das respectivas direções partidárias, que se preocupam muito mais com as vantagens de seus grupos do que propriamente com a ideologia e o programa do respectivo partido.

Começamos pelo deputado federal Sandro Alex, que pertence ao PPS, partido que apoiava a candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República, que faleceu ontem, de maneira trágica. Não se viu nada de Sandro em favor da candidatura do PSB. Aliás, por apoiar a reeleição do governador Beto Richa, do PSDB, tem sido possível se observar uma certa simpatia pela candidatura do senador Aécio Neves.

O vereador Aliel Machado, que pertence ao PCdoB, tem uma aliança ideológica e programática com o PT. Foi candidato a vereador, na coligação do então candidato Péricles de Holleben Mello. E, agora, o seu partido está na coligação do PT, no apoio à candidatura de Gleisi Hoffmann a governadora do Estado e à reeleição da presidente Dilma Rousseff. O candidato ao Senado dessa aliança é do PCdoB, o ex-deputado Ricardo Gomide. E como o PDT ofereceu o candidato a vice-governador, na figura do médico e ex-deputado Haroldo Ferreira, Aliel se aventurou numa segunda dobradinha, com o empresário Márcio Pauliki, que pertence ao mesmo PDT de Haroldo Ferreira. Por essa configuração partidária, Aliel não comete nenhuma contradição.

Enquanto isso, temos o ex-secretário municipal João Carlos Barbiero, que é do PV, e que tem o coração na campanha da senadora Gleisi Hoffmann ao governo do Estado, do PT, mas que, para todos os efeitos legais e formais, estará na campanha do senador Roberto Requião, do PMDB, ao Palácio Iguaçu, porque a vice de Requião, a deputada federal Rosana Ferreira, é presidente do PV no Paraná. Ou seja, no dia-a-dia de sua campanha, Barbiero não deve pedir voto para o governo do Estado para os eleitores que visita, por conta da contradição que está a viver. Na televisão, vai aparecer no programa do PMDB e do PV, com a figura de Requião, ao seu lado.

Por sua vez, o vereador Pietro Arnaud parece tranqüilo com o andar de sua campanha, pois, com o PTB, seu partido, apoiando a reeleição de Beto Richa, está dobrando com o deputado Plauto Miró Guimarães Filho, do DEM, que também apóia Richa. No plano federal, o apoio de ambos pertence ao senador Aécio Neves.

E, para encerrar essa listagem, temos a candidatura da professora Elizabeth Silveira Schmidt, que, no plano estadual, apóia a reeleição do governador Beto Richa e, no federal, estava na campanha do candidato de seu partido, o PSB, à Presidência da República, Eduardo Campos. Até ontem, estava tudo normal. Se a vice de Eduardo, a ex-senadora Marina Silva, assumir a candidatura à Presidência, Elizabeth viverá algumas dificuldades, porque, se havia afinidade ideológica com Eduardo, não existe com Marina. E se há contradição na campanha de Elizabeth, esta remete para uma aliança com a candidatura a deputado estadual do empresário Márcio Pauliki, do PDT, que apóia Gleisi Hoffmann para o governo do Estado e Dilma Rousseff para a Presidência da República.

Nada, ainda, neste mundo é perfeito. Muito menos, na política.

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