Os novos na campanha deste ano repetem velhacaria de sempre

Bons tempos aqueles em que o candidato se identificava em sua propaganda, no apoio aos candidatos de seu partido. Hoje, o que temos visto é a campanha solteira, isto é, cada um por si, como se não tivesse o menor compromisso com o candidato a governador, ou a presidente da República de seu partido, ou que seu partido apóia. Estamos falando, como parece claro, dos candidatos à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal, aqui de Ponta Grossa. E que não deve ser muito diferente de outras cidades.

Esse é um aspecto interessante que evidencia a falta de compromisso do candidato com o seu próprio partido. E quem não honra o compromisso com seu próprio partido, não vai honrar, depois, qualquer compromisso que tenha assumido com a população. E não vai honrar porque é um oportunista, um aventureiro, alguém à procura de uma posição pessoal, para defender interesse pessoal. É o candidato que não contribui para o fortalecimento de nosso processo eleitoral. E isso está aí nas ruas, com os famosos “banners” dos candidatos a deputado estadual e a deputado federal. Ninguém anuncia o seu candidato a governador, nem o seu candidato a presidente da República. E não anuncia, por oportunismo e conveniência, porque quer o voto para si, pouco importando quem seja o candidato de seu eleitor para os cargos majoritários. Esse é o perfil do candidato que não ajuda, nem constrói, porque engrossa a corrente dos que desfiguram o papel do instituto do partido político.

De outro lado, temos a frouxidão das direções partidárias, que não exigem a disciplina de seus filiados-candidatos. E se acabam coniventes com essa anarquia, é sinal evidente de que o partido perdeu de vista o seu compromisso institucional com a sociedade brasileira, que é o de defender, em qualquer circunstância, os interesses, carências e anseios dessa sociedade. Essas direções, hoje, buscam suas conveniências em seus interesses pessoais e grupais. E ainda discursam em favor de uma reforma política, na mais santa e deslavada ironia.

É claro que, dessa contextualização, fica de fora o PT, que tem uma exemplar cultura de disciplina partidária. Nesse ponto, o PT é exemplo, sim, porque, para o bem e para o mal, o PT acolhe e defende todos os seus integrantes. Até em excesso, como se demonstram vários acontecimentos.

Num processo que se deseja e se imagina evolutivo, essa prática de oportunismo e conveniência pessoais não poderia ter espaço. Mas, se  esse espaço existe, a culpa, vale repetir, pertence às direções, cuja cultura é da vantagem própria. E, com isso, temos desfigurado o papel real do partido político, enquanto instrumento valioso do regime democrático.

Nossos candidatos locais, tanto à Assembleia Legislativa, quanto à Câmara Federal, estão entregues a esse universo oportunista, com o que se desmerecem enquanto proposta de renovação, eis que, de renovação mesmo, não vão além de seus próprios nomes e figuras. Nomes e figuras novas com a antiga velhacaria de sempre.

E isso dificulta a decisão do eleitor consciente.

 

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