O silêncio do eleitor pode não significar indiferença, mas, sim um aviso de surpresa

É sabido que esse nosso processo eleitoral está ultrapassado, que o Brasil precisa de uma reforma política, que a corrupção eleitoral continua a desafiar a Justiça Eleitoral. Mas, como as coisas estão assim estabelecidas, é preciso que se aceite essa realidade. É que o eleitor promova a sua própria reforma e vote com sinceridade, escolhendo os candidatos que melhor lhe pareçam para cuidar do interesse maior da população. Aliás, essa é a maior reforma política que pode acontecer no Brasil. E começar por Ponta Grossa, por Santa Maria, por Sorocaba, por Natal e, assim, por diante. O eleitor precisa se reformar, precisa deixar de ser mercadoria exposta na prateleira da campanha eleitoral e se virar cidadão comprometido com a construção de uma sociedade mais justa, mais solidária, mais fraterna. Pode parecer utopia, mas essa reforma é indispensável, porque somente o eleitor, como cidadão reformado e consciente, é quem poderá privilegiar o candidato melhor preparado, o candidato de melhor conteúdo, o candidato que mais inspire a confiança da seriedade. E esse candidato existe em todos os postos que estão sendo disputados nestas eleições, seja para deputado estadual, deputado federal, senador, governador, presidente da República.

É preciso desmistificar o populismo, o tal carisma que cega o eleitor. É necessário que o eleitor acompanhe, com real interesse, o processo eleitoral e examine cada candidato. O jornal “Folha de S. Paulo” trouxe, em sua edição de ontem, a história conhecida dos paranaenses sobre os mais de 80 cavalos do senador Roberto Requião, que foram, nos seus oito anos de governador, cuidados e tratados pela Polícia Militar do Paraná. Esse mesmo assunto já mereceu ampla matéria do jornal “Gazeta do Povo”. Esse é um assunto para ser analisado, estudado, questionado. Requião costuma adotar um discurso duro contra seus adversários, que são tratados por ele como inimigos, mas não admite que ninguém lhe aponte o dedo, como se fora a suprema figura da moralidade pública. Esse caso dos cavalos é concreto e verdadeiro. Na matéria de ontem, foi registrado que havia constrangimento no comando da Polícia Militar, diante da ordem do governador para transportar seus cavalos para uma cidade de Goiás, por membros da própria Polícia Militar do Paraná.

Em relação ao governo federal, há denúncias escabrosas, como nunca se viu neste País. Está aí o escândalo da semana, trazido pela revista Veja desta semana, sobre o fornecimento das perguntas de membros da CPI da Petrobrás do Senado aos convocados para depor. Não foi sem razão que a oposição no Senado se negou a fazer parte dessa CPI, porque era dito que, pela sua composição majoritariamente governista, não apuraria nada do que efetivamente interessasse a sociedade brasileira.

O eleitor precisa refletir e fazer com que seu voto seja o produto dessa reflexão. A campanha deste ano está curta e ainda um pouco distante de chamar a atenção do eleitorado, muito embora quando o eleitorado se mostra silencioso e, aparentemente, indiferente, é porque vem surpresa, por aí. E que essa surpresa aconteça neste ano, mas aconteça para o bem, para a construção de uma cidadania mais condizente com a decência de nossa gente, para a edificação de uma moral pública, que um dia precisa se estabelecer neste País.

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