A opção no Paraná não fica diferente da opção nacional, no voto da eliminação

Como somos um pedaço da sociedade brasileira, por aqui também não temos nenhuma liderança afirmativa, que inspire confiança e respeito, como tivemos no passado, em figuras como Bento Munhoz da Rocha Neto e Ney Braga. E, para ficarmos mais próximos do presente, podemos citar José Richa e Jaime Lerner. Temos, no presente, as lideranças possíveis, no quadro raquítico de nossa representação partidária. Ainda assim, é preciso que exercitemos o voto, nem tanto pela letra constitucional da obrigação, como pelo direito ao exercício da cidadania.

Estamos com três candidaturas competitivas ao governo do Estado: o governador Beto Richa, que concorre à reeleição, o senador Roberto Requião e a senadora Gleisi Hoffmann. Há uma evidente avaliação que favorece uma polarização entre as candidaturas de Beto e Requião, com Gleisi dando, apenas, o colorido feminino na campanha eleitoral.

O governador Beto Richa, que não se elegeu vereador em Curitiba, mas foi deputado estadual, vice-prefeito e prefeito da Capital, comanda uma administração capenga, sem realizações que encham os olhos do público eleitor. A marca do discurso do governo de Beto tem sido a escassez de recursos financeiros, com responsabilização do governo federal que estaria tratando o Paraná com discriminação política, o que, aliás, assume ares de verdade. Na sua edição de ontem, o jornal “Gazeta do Povo” trouxe uma importante matéria, a respeito da aplicação de recursos federais nos estados. E, aí, é mostrado que o Paraná precisa recolher R$ 42,60 em impostos para obter R$ 1,00, em investimentos da União, enquanto o Rio Grande do Sul recolhe R$ 18,80 e Santa Catarina R 17,70 para merecerem o mesmo real de investimentos federais. O Paraná, que é o quinto em geração de impostos para a União, é o vigésimo terceiro na recepção de investimentos. E tudo isso nos doze anos de governos do PT. Ou seja, o discurso do governador Beto Richa parece ter fundamento. Até porque nenhuma explicação do governo federal chegou a ser convincente, por ora. E isso a senadora Gleisi vai ter dificuldades para esclarecer, especialmente, porque tendo comandado a Casa Civil tinha o poder de inverter esse quadro injusto para com o Paraná. Mas, a despeito da franciscana situação financeira do caixa do governo, Beto Richa pode comemorar o salto de investimentos na industrialização do Estado, que, por sinal, é visto como um dos estados mais organizados, pelo grande empresariado, para investimentos. O que explica o quadro positivo da transformação de nosso economia, a partir do feito notável do governador Jaime Lerner, na década de noventa, ao ter dado um grande salto na industrialização do Paraná.

Enquanto isso, temos a quarta candidatura do senador Roberto Requião ao Palácio Iguaçu. Se já tem um lugar reservado na História, como o único a governar do Estado, por três vezes, quer ampliar esse recorde para quatro e, quem sabe, cinco vezes. Requião é um candidato estratégico e que, seguramente, será peça fundamental para levar a eleição para o segundo turno, porquanto, sem ele, as pesquisas estavam a indicar que o governador Beto Richa reunia condições para vencer, no primeiro turno. Estando na metade de seu segundo mandato como senador, a rigor, Requião não tem nada a perder. A preocupação com sua candidatura, porém, é visível no segmento empresarial, por sua aversão ideológica a investimentos de grandes empresas no Estado e pela postura pouco republicana, em relação às empresas do Anel de Integração, que exploram as rodovias pedagiadas no Paraná.

Como terceira concorrente, temos a senadora Gleisi Hoffmann, que, por ora, parece destinada a se contentar com o terceiro lugar.

 

 

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