Pela cidadania, é preciso identificar virtudes nesse corrompido mundo eleitoral

Num processo viciado, estamos em pleno período de campanha eleitoral, sem que as pessoas demonstrem algum tipo de interesse. Há um risco real de voto nulo em quantidade razoável. É que as pessoas, em bom número, não acreditam nos políticos, com mandato, e nos políticos que estão em busca de um mandato, fazendo de conta que são renovação. Até podem, mesmo, ser renovação, mas, de nome, de fisionomia. As pessoas, que votam, gostariam de ver renovação de valores, de posturas, de propostas que inspirem seriedade. Seria injustiça dizer que não temos um ou outro candidato que se enquadre nesse perfil, de renovação desejável. A maioria, beirando a totalidade, é a renovação do nome e da fisionomia, apenas. Especialmente, na disputa eleitoral proporcional, isto é, para deputado estadual e deputado federal.

A realidade da indiferença das pessoas para com o processo eleitoral, que se verifica aqui em Ponta Grossa, não é diferente da indiferença em qualquer outra cidade importante do Brasil. O desencanto é geral, começa no Rio Grande do Sul e vai bater no Amazonas, no Pará, no Maranhão. O desencanto começa também no Mato Grosso, passa por Goiás, corta a Bahia e vai bater em Pernambuco, Ceará, Alagoas.

Esse desencanto, que é um indicativo de voto em branco, por justificável que seja, não ajuda, não corrige, não constrói. Ainda que estejamos num processo viciado, em que a corrupção continua sendo a grande marca da campanha eleitoral, é forçoso o dever de um grande esforço para evitar o voto em branco, o voto anulado, a ausência na seção eleitoral, no dia da eleição. Pior que votar sem motivação é não votar, porque a omissão abre caminho para o oportunista, o vigarista, o que busca, em cada eleição, uma oportunidade para se eleger, por conta, em muitos casos, do famoso voto de legenda, em que um candidato é bem votado e, por conta disso, carrega consigo mais três ou quatro, que, a rigor, sem a estrela do partido, nem de longe teriam qualquer chance de vitória.

Assim, com este início do mês de agosto seria desejável que tivesse início também a procura de alguma motivação, em nome do exercício importante e necessário da tão falada cidadania. Quem vota em branco não ajuda a construir a cidadania. Quem vota em branco é um egoísta, um frustrado, talvez. É sabido que quem vota em branco não conquista o direito de, sequer, reclamar depois, porque o direito à reclamação, à crítica, ao protesto pertence àquele que participou, que acreditou, que conferiu o seu voto.

Se não temos um padrão de bons e qualificados candidatos é porque a nossa sociedade está longe de ter um padrão qualificado de formação política. Os candidatos, tanto nos pleitos majoritários, quanto nos proporcionais, refletem o conjunto da sociedade. Eis, pois, a sociedade que temos. É só olhar para o conjunto de nossos candidatos.

Por isso, parece desejável que passemos a procurar algumas virtudes nos candidatos que estão aí, ao contrário de insistirmos em querer observar e apontar apenas os defeitos. Há virtudes sim, que merecem ser observadas. Se admitirmos isso, será um bom começo para encontrarmos alguma motivação. Em nome do dever de se exercitar a cidadania.

Se até no lodo podemos encontrar a beleza de uma flor, será possível, sim, encontrarmos virtude no universo corrompido da política brasileira.

 

 

 

 

 

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