Uma semana de greve dos motoristas de ônibus é um abuso

Greve dos motoristas e cobradores de ônibus da Viação Campos Gerais é coisa, pode-se dizer, relativamente nova. Enquanto a questão de reajuste salarial se discutia, apenas, entre o sindicato da categoria local e a direção da empresa, as coisas se encaminhavam mais civilizadamente, sem prejuízo para a população. De repente, o sindicato local passou a sofrer interferência de um pessoal de Curitiba, e a coisa passou a ficar mais complicada, porque as greves passaram a se suceder e a população começou a acumular um prejuízo com sacrifícios de toda a ordem. Profissionais de greve pouco se importam com as consequências de uma paralisação de qualquer serviço público para a comunidade. Por serem profissionais, politizam o movimento.

Na década de oitenta, aconteceu a primeira ameaça real de greve desse setor, em Ponta Grossa. Lembro-me que, anunciada a greve para o dia seguinte, o então prefeito Otto Cunha passou a madrugada toda intermediando negociações entre a direção da empresa e o sindicato, conseguindo impedir que a população fosse prejudicada. Seguramente, ninguém mais lembra desse ato exemplar do prefeito Otto Cunha, mas faço questão de registrar para evidenciar o compromisso do prefeito com o bem-estar da população, que seria, como está sendo agora, a grande prejudicada.

Na verdade, não faz sentido uma discussão de reajuste salarial resultar numa greve, com duração de uma semana inteira, com prejuízos incalculáveis à população, ao trabalhador, ao estudante, à dona de casa. Essa greve, seguramente, está a se constituir num abuso, numa falta de consideração e respeito para com os direitos de mais de cem mil pessoas, vítimas da radicalização política de profissionais de movimentos de paralisação. Volto a afirmar que tudo mudou, a partir do momento em que se verificou a presença desses profissionais de Curitiba.

Depois, é preciso considerar que estamos falando de uma empresa consequente e responsável, que é a Viação Campos Gerais, que, na conveniência política de alguns oportunistas, querem, vez ou outra, colocar essa empresa no figurino de vilã. E os trabalhadores dessa empresa são tratados, pelo que sei e pelo que conheço da realidade do segmento, com respeito e dignidade, percebendo salários que a política de concessão desse serviço público permite.

Aí, de um lado, os profissionais de greve passam a exigir o máximo do máximo numa negociação salarial. Em outra posição, quando a empresa reivindica o reajuste indispensável do valor da passagem, há um outro movimento no sentido contrário. Ora, ônibus não cai do céu, nem combustível e pneu são de graça. E muito menos a empresa é uma entidade assistencial, em que seus trabalhadores são voluntários.

Infelizmente, vivemos num contexto de radicalização política da realidade nacional. Nosso equilíbrio, enquanto comunidade tradicionalista, cedeu lugar ao passionalismo ideológico de profissionais que agitam, que radicalizam, que pouco se importam com o drama imposto à uma população inteira. Profissionais de fora.

Essa é a realidade vivida em Ponta Grossa ao longo da presente semana.

O prefeito de hoje deveria se espelhar no prefeito da década de oitenta.

 

 

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