A Munchen foi transformada numa autêntica “caixa preta” da Prefeitura

De repente, os vereadores Pastor Ezequiel e Romualdo Camargo atiraram no que viram e acertaram no que não viram, com o projeto de proibição de participação do Poder Executivo em eventos que comportem venda de bebida alcoólica, o que remete, naturalmente, para a Munchen Fest. Pela letra fria do projeto original, a Munchen seria golpeada de morte e, assim também, o carnaval de rua, que tem dinheiro público, a Feira da Uva, que vende vinho, e assim por diante.

Entretanto, as emendas apresentadas abrem uma nova discussão e remetem a Munchen para a iniciativa privada, obrigando o Poder Executivo a se retirar do evento, o que será pedagógico, inclusive. A começar pelo fato de que a Munchen Fest acabou se constituindo numa espécie de caixa preta do governo municipal, porque não há uma prestação de contas, o que faz com que a população fique sem saber se, realmente, a Munchen, nas mãos da Prefeitura Municipal, dá lucro efetivo. Depois, há uma parceria esquisita com o Serviço de Obras Sociais, o SOS, que, na verdade, é sócio somente na parte boa, na parte do hipotético lucro, sem arcar, nem de longe, com as sabidas e pesadas despesas.

E esse viés estranho da Munchen é uma herança do próprio criador da festa, o ex-prefeito Pedro Wosgrau Filho, que inventou a tal parceria com o SOS, que, nos últimos anos, recebeu R$ 180 mil em cada uma das edições, ou seja, uma espécie de décimo terceiro, de vez que, como é sabido, o governo municipal destina uma verba mensal de R$ 180 mil ao SOS, desde os tempos do terceiro governo de Wosgrau. Com tanto dinheiro público no SOS, o governo municipal politizou e partidarizou o SOS, que passou a ser visto com antipatia pelas entidades assistenciais, que, com bem menos dinheiro, prestam um efetivo serviço de promoção humana a muito mais gente que o SOS, que faz, na prática, o lado social da Assistência Social.

Mas, voltando ao projeto polêmico da Câmara Municipal, vale considerar que as emendas ao projeto estarão proporcionando um interessante debate, na direção da privatização da festa, com garantias para o sumiço da caixa preta e o aparecimento de um negócio bem transparente. Nas mãos da iniciativa privada, a festa, não apenas será melhor administrada, como fará o Município economizar um bom e razoável dinheiro, cujo valor ninguém sabe, porque ninguém divulga.

Oxalá, o ditado popular acabe acontecendo, de fato, no desfecho desse projeto, com os vereadores Ezequiel e Romualdo tendo, de fato, atirado no que viram e acertado no que não viram. Se assim for, a população haverá de agradecer.

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