O coração que levou o Airton, levou o Adilson também

Eleito em 82, o prefeito Otto Cunha teve alguns problemas na composição de sua equipe de governo. Com isso, o nome do secretário de Economia só foi anunciado na manhã do dia da posse. Era o agropecuarista Airton Berger, o Airtinho.

A Secretaria de Economia logo iria ser desmembrada em duas: a Secretaria de Agricultura e Pecuária, onde o Airtinho se manteve, e a Secretaria de Indústria e Comércio, onde o primeiro titular foi o empresário Luiz Vicente Pavão.

Na Secretaria da Agricultura e Pecuária, além de cuidar da Efapi, Airtinho deu início ao bonito projeto cultural, que foi a Semana do Tropeiro, programada para acontecer sempre no mês de setembro, em homenagem ao aniversário da cidade. Criou também o Rodeio dos Rodeios, num projeto mais amplo de procurar moralizar o ambiente da tradição gaúcha em Ponta Grossa, empenhando-se em reunir todos os centros de Tradição Gaúcha num único e grande CTG, mas não conseguiu, porque a resistência dos interesses pessoais foi forte. Mas, criou o Rodeio dos Rodeios, que passou a ser o maior do Sul do Brasil e, consequentemente, o maior do Brasil, depois do consagrado Rodeio Crioulo de Vacaria, de prestígio internacional.

No fandango de encerramento da I Semana do Tropeiro, no Clube Verde, Airtinho deu uma volta na salão, dançando com sua esposa, e, ao sentar-se à mesa onde estava, morreu. O coração parou naquele momento. Por volta, das duas horas da madrugada.

Trinta anos depois, o Adilson Berger, irmão do Artinho, também nos deixa, levado pelo coração de tantas emoções. Os dois irmãos Berger foram de estatura física mediana, mas deixaram uma história muita bonita de vida, um exemplo de dedicação à vida pública.

O Airtinho só não fez mais, porque seu tempo venceu, foi curto. Mas, o que fez ficou para a nossa História. Está aí o Rodeio dos Rodeios, com outro nome, infelizmente. Quem criou o rodeio e o nome Rodeio dos Rodeios foi o próprio Airtinho. Estive com ele, acompanhei tudo de perto, divulguei na época todos os lances da criação do Rodeio dos Rodeios. Depois, a mesquinharia do interesse pessoal andou maculando a bonita história montada, criada, articulada pelo grande e devotado Airton Berger.

Aí, coube ao seu irmão Adilson a missão de resgatar a Sociedade Rural dos Campos Gerais, que foi mergulhada numa crise sem precedente, pelo despreparo e arrogância de um grupo de jovens, filhos de produtores rurais, que havia assumindo o comando da entidade. Paciente, articulador, Adilson reergueu a Sociedade Rural, resgatou a Efapi, que havia sido fechada no primeiro governo do prefeito Pedro Wosgrau Filho, e foi o artífice da construção do Parque de Exposições, ou Centro Agropecuário, enfrentando todas as críticas que se levantaram à época, sem retrucar, sem responder, sem aceitar a provocação para o confronto. Habilidoso, soube demonstrar a importância do empreendimento para Ponta Grossa, facilitando o compromisso do Poder Público em avançar na obra tão importante, que hoje agasalha grandes e consagrados eventos, de prestígio nacional.

Quem dedica sua vida à construção de uma sociedade, não morre; apenas, vai na frente, porque a obra que tinha para ser feita, por aqui, já estava completa. Como o Airtinho, o Adilson também foi na frente. E como o Airtinho, o Adilson deixou uma grande e bonita história. A vida dos dois irmãos Berger, aqui na Terra, valeu a pena.

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