Coluna da Roseli Valério

VARGAS POR CONTA

Nos últimos dias tem sido impossível não ter o deputado federal paranaense André Vargas (PT) como destaque no noticiário político. Uma sucessão de fatos complica a vida do petista. Ele próprio, apesar de preferir o silêncio público desde a semana passada, tem aqui e ali desabafado com amigos mais chegados. E tem demonstrado indignação com os ‘companheiros’ do Paraná, além de lideranças nacionais do partido neste momento em que está sob intenso tiroteio. Um dos coordenadores principais da campanha da senadora Gleisi Hoffmann ao governo do Estado, Vargas se sente abandonado. Não há voz que se levante espontaneamente e de público a seu favor, como ele o fez com o julgamento dos petistas mensaleiros. O primeiro a romper o silêncio foi o ex-presidente Lula, ontem. E não exatamente para defendê-lo, mas para pedir explicações. Até agora o deputado admitiu apenas o uso do jatinho pago pelo doleiro. O fato é que em ano eleitoral não tem petista que se atreva a pedir o benefício da dúvida ou qualquer coisa do tipo em relação às acusações contra Vargas. Além de Gleisi, o deputado também tem queixa do marido dela, Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, de quem foi coordenador em 1998 da campanha à Câmara dos Deputados. Na época, Vargas “lembra” que por conta disso, foi alvo de processo judicial por suposta lavagem de dinheiro.

ANOS ATRÁS

E, talvez por coincidência, um dos apontados com envolvimento na suposta lavagem foi justamente Alberto Youssef, o mesmo que foi preso no final do mês passado pela Polícia Federal, na Operação Lava-Jato. André Vargas estaria sinalizando, ainda de forma lenta, que não pretende ficar sozinho nessa enrascada. O que exatamente ele quer dizer com isso e que atitude poderá tomar, é provável que apenas uns poucos saibam.

COMO PEDRO

No Paraná, quem falou pelo partido sobre a situação de André Vargas, cerca de dez dias depois, foi o presidente estadual, deputado Ênio Verri. Disse que não é prioridade do PT lançá-lo como candidato ao Senado, mesmo após a desistência do ex-senador Osmar Dias (PDT) em concorrer.

COMO PEDRO 2

Melhor se Verri tivesse dito que “não mais” é prioridade lançar Vargas candidato a senador. Ele alega que é preciso atrair outros aliados com essa vaga. “Nós temos três vagas majoritárias. Governador, vice-governador e a vaga no Senado. Não é possível um partido que quer ganhar as eleições não ter uma política de alianças”, ponderou.

COMO PEDRO 3

Seguindo a mesma linha, o presidente reforçou que é normal que se o candidato ao governo é do PT, o vice e a vaga na chapa para o Senado, sejam de outras legendas. Quanto às denúncias a respeito de André Vargas, “é muito cedo ainda” para um comentário oficial do diretório petista, avaliou Verri. “Precisamos ver isso com mais detalhes. Vamos sentar no decorrer da semana e avaliar o que está acontecendo”, disse.

PEDEM A CABEÇA

Mas nesta quarta-feira, às 14h30 haverá a primeira reunião do Conselho de Ética da Câmara Federal, presidida pelo deputado Ricardo Izar (PSD-SP), para dar início ao processo relativo à representação em que o PSDB, DEM e o PPS pedem a investigação da denúncia de ligação do deputado petista com Youssef. Alegam quebra de decoro parlamentar.

DIA E HORA

A iniciativa dos três partidos – além de outra do PSOL que corre em paralelo – poderá levar a cassação do mandato de André Vargas. Por isso, o deputado Izar alertou que se o petista renunciar até minutos antes da reunião de hoje, o processo contra ele não terá continuidade.

SEM RETORNO

Sem uma eventual renúncia, a partir do momento que é aberto o processo, Vargas já entra na questão da Lei da Ficha Limpa. “Se a gente abrir a representação, aí a partir desse momento, ele renunciando ou não, a representação em que se pede a investigação da denúncia, o processo continua até o final”, explicou Izar.

DIZ QUE

Outra informação oficiosa dá conta que a cúpula do PT em sintonia com o Palácio do Planalto, estaria pressionando o deputado, que é vice-presidente da Câmara Federal, a renunciar ao mandato para evitar que as denúncias de envolvimento dele com o doleiro Youssef possam reforçar a instalação da CPI da Petrobrás.

MUITO AZAR

A leitura dos caciques petistas, ligados mais ou menos a presidente Dilma, não vem ao caso, é que o pedido de licença feito por Vargas seria pouco para a situação em que ele se encontra em pleno ano eleitoral.

DILMA E GLEISI

Outra preocupação é com o possível desgaste da presidente Dilma Rousseff, candidata à reeleição, por conta da acusação de corrupção de uma liderança petista como Vargas. No mesmo raciocínio, também pesa o impacto negativo sobre a candidatura de Gleisi, ainda mais se tratando de deputado do PT do Paraná e da ala da senadora no partido.

FALA DE LULA

Para o ex-presidente Lula, sempre a maior liderança do PT, André Vargas, por ser vice-presidente de uma instituição importante, a Câmara dos Deputados, tem que ser exemplo. “Espero que ele consiga convencer a sociedade e provar que não tem nada além da viagem de avião, porque, no final, quem paga o pato é o PT”, declarou. Lula diz que torce para que “não haja nada além da viagem, o que já é um erro”.

CÚPULA SE REÚNE

Depois do silêncio obsequioso, os petistas começam a se movimentar. As denúncias do último final de semana contra o deputado paranaense forçaram o partido a isso. Amanhã, quinta-feira, a Executiva Nacional do PT vai se reunir e analisar o caso.

ENTRE PETISTAS

Deve ser nomeada uma comissão interna para que Vargas dê explicações. “Sempre temos que trabalhar com a presunção da inocência, mas o PT não convalida este tipo de relação, se é que ela existe”, adiantou o presidente nacional do partido, deputado Rui Falcão.

ACABOU

Agora a Assembléia Legislativa está comunicada oficialmente pelo Tribunal Regional Eleitoral sobre a cassação do mandato do deputado Alceu Maron Filho (PSDB) por infidelidade partidária. E ontem mesmo foi empossado o suplente Felipe Lucas (PPS). Que não deve acrescentar muito à Casa, se atuar como em seu mandato anterior.

INFIEL

É exemplar o caso de Maron Filho e a persistência do PPS. Em 2010 ele ficou como suplente no PPS, mas trocou a legenda pelo PSDB. No final de 2012, assumiu a vaga na Assembleia em substituição a Marcelo Rangel (PPS), eleito prefeito de Ponta Grossa. O PPS foi à Justiça e depois de um ano de contestações, retomou o mandato.

 

 

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