O Movimento de 64 foi inevitável. Havia um desgoverno no Brasil

Hoje, 31 de março, faz 50 anos que o presidente João Goulart foi deposto, sem que houvesse necessidade de um único tiro, uma única morte, um único confronto armado. Jango caiu pela própria fraqueza, pelo próprio desgoverno, pela instabilidade política e institucional. A deposição do presidente João Goulart se mostrava como fato inevitável. A preocupação que havia era o passo seguinte, porquanto, diante das circunstâncias de insegurança, o país tanto podia cair nas mãos de um governo de força da direita, como de um governo de força da esquerda.

Foi nesse clima, criado pelo próprio governo, com interferência do cunhado de Jango, o incendiário ex-governador e deputado Leonel Brizola, que tencionava se instalar no poder, por meio de um agitação que insuflava, que o povo saiu às ruas, como a manifestação havida em São Paulo, de rosário nas mãos, para pedir a intervenção das Forças Armadas.

Hoje, 50 anos depois, a Revolução de Março de 64 é tratada com muito passionalismo, atribuindo-se aos militares a responsabilidade pela ruptura institucional. Naquele momento, o que de melhor poderia ter acontecido no Brasil foi o que, efetivamente, aconteceu. A presença das Forças Armadas, por meio da posse do marechal Castelo Branco, assegurou garantias ao povo brasileiro de que o País não cairia nas mãos de uma esquerda ávida para implantar um regime de força. Essa realidade nem sempre é tratada em seu devido lugar, porque as esquerdas têm sido competentes na propaganda de combate absoluto ao regime militar, como se, no período de vinte anos, só tivesse acontecido prisões, torturas e assassinatos. Há um saldo bastante positivo, que nem sempre é evidenciado.

É claro que o povo queria mudança, queria segurança, queria garantias de uma normalidade democrática. Entretanto, no instante em que o marechal Castelo Branco, levado pelas pressões das forças revolucionárias, prorrogou seu mandato por mais um ano e cancelou as eleições de 65, o processo todo ganhou outro rumo, com a prevalência de ambições pessoais, dentro do comando das próprias Forças Armadas, com o registro de excessos, especialmente, a partir do confronto aberto com forças terroristas, que buscaram desafiar claramente a nova ordem político-institucional que havia se instalado no País. Ninguém, da guerrilha estabelecida, lutava pela democracia, como afirmam nos dias atuais. Os guerrilheiros de então, derrotados com a queda de João Goulart, fizeram a opção pela luta armada, para tentar virar o jogo e restabelecer o projeto de uma ditadura de esquerda.

Com todos os senões havidos, nos excessos cometidos de parte à parte, tudo o que aconteceu no Brasil, a partir da derrubada do presidente João Goulart, foi o que de melhor poderia ter havido, em favor da sociedade brasileira. Em favor da liberdade do povo brasileiro. Em favor da própria democracia, que, embora tardia, se restabeleceu com segurança, sem trauma e sem risco de retrocesso.

Por fim, parece razoável se afirmar que o prolongamento do regime militar se deu até mesmo pelo apoio que os militares passaram a ter da chamada sociedade organizada, enquanto, de outro lado, pode-se afirmar, também, que a guerrilha de esquerda só não prosperou porque não teve o respaldo da sociedade organizada e do povo, de um modo geral.

 

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