Coluna da Roseli Valério

                                                  CHAPEU ALHEIO

Enquanto o funcionalismo público estadual deve receber reajuste salarial no mês de maio na casa dos 5%, o governo do Estado posa de grande articulador e mediador nas discussões entre representantes dos empregadores, dos trabalhadores e do próprio poder público, que definiram em 7,34% o percentual de reajuste no salário mínimo regional paranaense. Quem vai pagar essa revisão salarial será a iniciativa privada para cerca de 1 milhão de trabalhadores paranaenses. O novo piso entra em vigor dia 1º de maio e será aplicado em quatro faixas salariais, que variam de R$ 948,20 a R$ 1.095,60. O piso regional é um instrumento para regulamentar o salário de categorias profissionais que não têm convenção nem acordo coletivo de trabalho. O governador Beto Richa (PSDB) recebeu ontem os integrantes do Conselho Estadual do Trabalho, que oficialmente entregaram a proposta do reajuste.  Na mesma hora ele assinou o anteprojeto do novo piso, que precisa ser votado pela Assembleia Legislativa. É lá que os debates esquentam entre deputados aliados e aqueles que brigam pela concessão do mesmo índice para os servidores do Estado. É assim todo ano e não passa disso porque o percentual para o funcionalismo sempre é menor. Na declaração do próprio Richa, a confirmação do papel do governo do Estado nessa questão: “Buscamos construir o consenso, dialogando com a classe trabalhadora e com os empresários, para chegar a este reajuste”. O secretário do Trabalho, Emprego e Economia Solidária (ufa!), o “brimo” Amin José Hannoushe, também presidente do Conselho Estadual do Trabalho, reitera o que afirmou o governador.

IGUAL AO ‘BOSS’

O secretário comentou sobre o “grande esforço” do governo para que houvesse um consenso, por meio do diálogo. “Foi um consenso, sem precedentes, graças à política estabelecida pelo governador Beto Richa, que culminou na aprovação do novo piso salarial regional”, disse ele. Hannoushe elogiou o chefe e de resto não disse nada mais que o governador não tenha dito.

AOS 321 ANOS

Homenageando exatos 321 servidores municipais, ontem a Assembleia Legislativa promoveu sessão solene para comemorar os 321 anos de Curitiba, a serem completados no sábado, 29 de março. A iniciativa da homenagem foi do deputado Ney Leprevost (PSD), cuja base eleitoral é na capital. Representando o prefeito Gustavo Fruet (PDT), a vice-prefeita Mirian Gonçalves (PT) e o secretário-chefe da Casa Civil, Reinhold Stephanes (PSD) o governador Beto Richa (PSDB).

OS SERVIDORES

A vice-prefeita elogiou a iniciativa da Assembléia ao prestar homenagem para 321 servidores da prefeitura e de outros órgãos públicos do município. “É o reconhecimento daqueles que fazem o dia-a-dia da cidade. E a iniciativa foi muito especial, uma homenagem a homens e mulheres que garantem os avanços da nossa cidade (…)”.

MORNO

Prosseguiu a vice de Fruet: “É, sem dúvida alguma, um magnífico reconhecimento”, disse ela. Meio sem graça o discurso, poderia tê-lo tornado mais político, incisivo e, na condição de vice, comentar ações positivas do prefeito.

PERTO E LONGE

Também o deputado Leprevost fez um discurso que lembrou a fala do ex-prefeito de Curitiba Rafael Greca (PMDB). Apesar de muito inferior ao conhecimento que tem o peemedebista sobre a capital e quais as políticas para a cidade que precisariam ser adotadas.

GRECA IMBATÍVEL

Mas o deputado ficou aquém de Greca. “A cidade de Curitiba possui parques, praças, mas o que tem de mais representativo é a sua gente, esta gente que é de muitos lugares e Curitiba também é de todas as gentes. (…). Esta cidade que tem capacidade de ousar e que deve ser vista como uma linda namorada”.

AD INFINITUM

Baixou o espírito das eleições de outubro na sessão de ontem da Assembléia Legislativa. Adivinha sobre o quê? Claro, o caso da não liberação pelo governo federal – acusam os aliados do governo estadual – do empréstimo de R$ 817 milhões do programa Proinveste ao Paraná.

REPÚDIO

A novidade é que o líder do governo na Assembleia Legislativa, deputado Ademar Traiano (PSDB), propôs que a Casa aprove um “voto de repúdio” contra o secretário Nacional do Tesouro, Arno Augustin. A maioria governista garante a aprovação, apesar de o gesto provavelmente não ter repercussão.

PANO DE FUNDO

O líder tucano fez a ligação direta com suposto cunho político-eleitoreiro da questão. “O senhor Arno Augustin mente aos paranaenses. Deveríamos propor um voto de repúdio a esse cidadão, que está sendo alimentado pela senadora Gleisi [Hoffmann], no afã de chegar ao governo”, acusou Traiano.

CERTO ELE

Desta vez Traiano tem razão porque determinação judicial do Supremo Tribunal Federal para liberar o empréstimo ao Paraná não foi cumprida até agora. E cabe justamente a Secretaria do Tesouro Nacional obedecer ao STF.  Foi o jeito de Traiano rebater o líder do PT na Casa, Tadeu Veneri, de que a STN informou que o dinheiro não saiu porque o Estado ainda tem pendências junto à União, como o não cumprimento de porcentuais mínimos de investimento em saúde.

NA COMISSÃO…

Eduardo Sciarra, deputado federal e presidente do PSD no Paraná, comemorava ontem ter sido indicado para a Comissão Mista de Planos, Orçamentos Públicos e Fiscalização (CMO). Os parlamentares do colegiado são os responsáveis por examinar, entre outras matérias, a importante Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e a Lei Orçamentária Anual (LOA).

FISCALIZANDO

Sciarra observou que a CMO é fundamental no planejamento das ações de governo. Seja ele qual for. “Nosso papel será o de manter a maior precisão possível no planejamento da receita e da despesa do país”, afirmou. Em sua opinião, embora já esteja em vigência, o orçamento impositivo – em que o governo é obrigado a aplicar os recursos previstos na LOA – ainda deverá gerar muita discussão na elaboração do orçamento de 2015.

DIZ ELE

“Com o orçamento impositivo, temos que fazer a adequação necessária e garantir que não haverá supervalorização de receitas, como no último ano, e evitar contingenciamentos, que afetam diretamente os municípios que contam com esses recursos”, comentou. Em tempo: em ano eleitoral, a maioria dos deputados estaduais, federais e senadores, de uma hora para outra, passa a ser “municipalistas”.

AOS COXAS

Nesta semana o futebol está em alta na Assembléia Legislativa. Ontem o Clube Atlético Paranaense completou 90 anos e hoje à noite o presidente do Coritiba Foot Ball Club, Vilson Ribeiro de Andrade, irá receber o título de Cidadão Benemérito do Paraná, honraria concedida exclusivamente pelo Legislativo estadual.

AOS ATLETICANOS

Como a maioria dos deputados torce para o Atlético, ficou muito a vontade o atleticano declarado, deputado Rasca Rodrigues (PV) ao discursar na tribuna sobre os 90 anos do seu time. Ele apresentou requerimento de voto de louvor, em conjunto com o também atleticano e deputado Alexandre Curi, (PMDB), que será encaminhado ao clube.

E O PETRAGLIA?

Rasca teceu loas ao Atlético, citou a Arena da Baixada que irá sediar jogos da Copa 2014, lembrou a história do clube e outras amenidades do gênero. Interessante mesmo seria ele ou qualquer outro deputado, ter proposto que o polêmico Mário Celso Petraglia (‘ame-o ou deixe-o’) fosse homenageado também com a concessão do mesmo título que o presidente do Coritiba irá receber hoje. Seria uma saia justa e plenário dividido na votação dessa honraria para Petraglia.

FOI MELHOR

Foi feliz o deputado Rasca no trecho do discurso em que aponta: “Sabemos que o futebol é muitas vezes usado para outros interesses, mas ainda é um esporte que traz alegrias e provoca as mais diversas emoções aos seus amantes”. Ele sim está mais próximo do estilo Greca (torcedor do Coritiba, aliás), no início e no final do citado trecho, do que Leprevost.

 

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *