O Marcelo está querendo politizar o Conselho de Assistência Social

O Conselho Municipal de Assistência Social sempre funcionou sem qualquer problema. E sempre se relacionou bem com o prefeito de cada época, especialmente, por se tratar de um órgão técnico, que nunca misturou política partidária. Sem foi um colegiado exemplar.

A crise pela qual o CMAS está a passar, neste momento, ainda que ontem, terça-feira, tenha havido uma espécie de trégua entre as entidades assistenciais e o prefeito, está intimamente ligada a um problema político, porque, de repente, o prefeito Marcelo Rangel não aceitou a decisão do conselho, no final do ano passado, de cancelar o registro do Serviço de Obras Sociais, tendo, inclusive, proferido críticas injustas e inadequadas ao então presidente do conselho, Luiz César da Silva. Se mais sereno e equilibrado, o prefeito teria chamado a atenção da direção do SOS, por não ter se adequado convenientemente às exigências legais, evitando esse confronto desnecessário e desinteligente. E, nessa linha crítica das entidades em relação ao prefeito, se enquadra também o novo secretário da Assistência Social, vereador Júlio Kuller, que, ao que parece, teria mudado de lado. Os dirigentes das entidades confessam ter “descoberto” duas grandes novidades e surpresas no governo do prefeito Marcelo Rangel, uma na assistente social Ana Duda, que se transformou espetacularmente, a partir da mudança de governo da cidade, e outra na figura do hoje secretário Júlio Kuller, antes parceiro das entidades e, agora, parceiro do governo.

E diante do estado de tensão que predominou em alguns momentos da reunião de ontem, entre o prefeito e três ou quatro dezenas de dirigentes de entidades assistenciais, ganhou força a idéia de Marcelo Rangel estar disposto a potilizar, a seu favor, o Conselho Municipal de Assistência Social. Não satisfeito em indicar a metade dos membros do conselho – os governamentais – ensaiou em estabelecer algum tipo de controle também nos não-governamentais, ou representantes da sociedade civil.

Há que se lamentar esse episódio, que não produziu nenhum benefício para as entidades assistenciais, ainda que tenha contribuído para macular ainda mais a imagem do governo municipal, em especial, do prefeito da cidade. Se Marcelo Rangel vai aproveitar o episódio para tirar alguma lição, não se sabe. Aliás, parece difícil, porque, via de regra, as pessoas arrogantes acham que não têm mais nada a aprender na vida, pois, elas se bastam. Contando com uma assessoria, como de Ana Duda e Júlio Kuller, é possível que sim.

Tudo indica que o CMAS nunca mais vai ser o mesmo, por conta dos recentes episódios, em que o SOS se prestou ao papel de pivô de tudo. E a urgência do prefeito até tem explicação, porque o convênio entre o Município e o SOS se encerra, justamente, neste mês de março. E, sem conselho, não há como renovar convênio com entidade nenhuma. Talvez seja, por isso, que a eleição esteja marcada já para sexta-feira e a posse na terça-feira, dia 1º de abril. Quem sabe, no dia 2, o novo conselho já tenha reunião e, como pauta, o novo convênio entre o SOS e o Município.

É lastimável que tenha havido essa interferência, com claro espírito de prepotência. Que a Assistência Social de Ponta Grossa não havia conhecido, antes.

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