Coluna da Roseli Valério

                                           ERA O QUE FALTAVA

Perto do fim do prazo para se exonerar do comando da Secretaria de Estado do Trabalho, o deputado Luis Cláudio Romanelli (PMDB), está ficando na Assembléia Legislativa desde a votação do aumento do capital social da Sanepar, na semana passada. E já está criando caso, de inegável fundo político. É iniciativa que deve ser usada na campanha e irá reforçar o discurso tucano nas eleições de outubro. Ontem Romanelli anunciou que vai apresentar requerimento na próxima sessão plenária da Casa propondo investigação através de comissão a ser criada, talvez uma CPI, da suposta discriminação do governo federal em relação ao Paraná. Um dos argumentos é que o Estado tem empréstimos bloqueados nos valores que ultrapassam R$ 2,8 bilhões. O peemedebista vai repetir o “boss” na justificativa ao pedido de criação da CPI.  “O Paraná está sendo discriminado pelo governo federal e vamos apurar as causas desta discriminação”. Diz ele que a população do Paraná deve entender porque Estados com condição financeira e fiscal muito mais grave, o que não é caso do Paraná, estão recebendo empréstimos e o Paraná não. E vai citar exemplos amplamente divulgados, de conhecimento público.

CEI MELHOR

Romanelli ainda não definiu que será uma CPI mesmo, mas de hoje não passa a decisão. Ele diz que precisa ter certeza de qual tipo de comissão é mais eficaz para tratar do tema, se a CPI ou uma CEI (Comissão Especial de Investigação). Em se tratando de questão que envolve autoridades federais, o que complica para depoimentos e a própria investigação, uma CEI seria mais indicada. Até porque se a coisa não render, o mico é menor.

CPI REPERCUTE

Mas é inquestionável a cobertura na mídia, o poder de fogo e especialmente a repercussão político-eleitoral de uma CPI. Só que no caso de se esvaziar por falta de testemunhos e de provas, por exemplo, o vexame por ser uma CPI é muito maior e o uso político pelos adversários também. Claro que Romanelli e o Palácio Iguaçu sabem de tudo isso, mas alega o deputado que precisa checar na Assembleia quantas CPIs ainda funcionam.

ATÉ PARECE

Como a investigação é de interesse do governo do Estado, que tem maioria no Legislativo, inclusive o presidente, não deve ser difícil surgir uma vaga para CPI. Romanelli afirma que o tema é “absolutamente relevante, até para debater os reais motivos e onde está de fato a discriminação com o Paraná”.

EM DETALHES

Voltou a se manifestar na Assemlbeia Legislativa a pedra no sapato do governador Beto Richa (PSDB), o atual líder da bancada do PT, deputado Tadeu Veneri. Ontem ele requereu à liderança do governo um conjunto de informações sobre o pedido de empréstimo de R$ 250 milhões que o governo do Estado planeja contratar junto ao BNDES, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social.

TRÂMITE RÁPIDO

Enviado o projeto a Assembléia, já foi aprovado ontem na CCJ, a Comissão de Constituição e Justiça da Casa, por onde toda e qualquer matéria começa a tramitar. Veneri aponta que o texto do projeto do governo tucano não detalha qual o destino dos recursos.

QUER SABER

Apenas informa genericamente, segundo o petista, que será usado para garantir os contratos de Parcerias Público-Privadas, previstos pelo governo Richa e para financiar um programa de desenvolvimento do Estado. O deputado requer do governo que esclareça exatamente quais são os projetos e ações neste programa de “desenvolvimento do Estado”.

PPPs E O FUNDO

Veneri quer saber ainda, entre outras questões, qual é o percentual do Fundo de Participação dos Estados (FPE) que será destinado para garantir as PPPs. O uso de parte desse Fundo nas PPPs – que conta com outras fontes de recursos – tem amparo em lei estadual aprovada pelos deputados no início deste ano.

DÁ-LHE GLEISI

Sempre admiradora de Dilma Rousseff, ontem a senadora paranaense Gleisi Hoffmann (PT) disse na sessão solene do Congresso Nacional em homenagem, quase um mês depois ao Dia Internacional da Mulher, que a presidente é alvo de preconceito porque críticos do governo costumam descrevê-la como “exigente, mandona, autoritária e de temperamento difícil”. Gleisi, aliás, é quem deve saber bem sobre isso.

FAZ SENTIDO

Em defesa de Dilma, a senadora declarou: “Criticam o temperamento da presidenta [eita] Dilma, mesmo sem conhecê-la de perto, porque ainda estão inconformados com sua eleição e porque ela segue obtendo a aprovação e a confiança da maioria do povo brasileiro”, Gleisi acusou. “A presidenta [eita de novo] exerce sua autoridade, ela foi eleita para isso”, considerou a petista.

INQUIETAÇÃO

Para Gleisi, é “inquietante” a existência de preconceitos enraizados entre pessoas que consideramos educadas e civilizadas. “Ainda estão tentando desvalorizar a presidente Dilma porque ela é mulher”, apontou. Muito barulho por nada: a mulher já foi eleita e, segundo as pesquisas, caminha para uma reeleição sem maiores “inquietações”.

POIS É

Soa meio estranho alguém que ocupa um cargo como a de vice-prefeita apoiar não só com declarações, mas ir às ruas com setores do funcionalismo que estão fazendo greve, tantos os do próprio município quanto os que servem o governo estadual. Indiferente a isso, é o que tem feito a vice-prefeita de Curitiba, a petista Mirian Gonçalves. O incentivo dela aos trabalhadores começou cerca de três semana atrás, logo após o início de greves que pipocaram na capital.

FOGO AMIGO

Pode ser legal, mas parece antiético, considerando que os movimentos paredistas pressionam o prefeito Gustavo Fruet (PDT) e, ainda que de direito, comprometem os serviços públicos prestados a população. Em relação aos do governo do Estado, não da para negar o viés político, já que este é ano eleitoral e os petistas terão candidato de oposição ao tucano Beto Richa, que irá tentar a reeleição para governador.

PELA ESQUERDA

Richa à parte, o fundo político do engajamento da vice-prefeita nas greves pode ter ainda uma outra motivação, como uma possível disputa de espaço do PT com outras legendas de esquerda, caso do radical PSTU e o (um pouco mais light PSOL). Parte dos petistas, justamente os da ala mais a esquerda, dominaria os sindicatos de servidores públicos e que tais.

GANHO INTERNO

A iniciativa, além de retomar um papel perdido pelo PT desde que chegou ao poder, de quebra essa ala poderia ganhar mais espaço dentro do próprio partido. Em Curitiba e no Paraná, são maioria os petistas softs, aqueles que rezam pela cartilha de 2002, quando o presidente Lula foi eleito com base em alianças de todo tipo com políticos e partidos que até então o PT queria distância.

TARIFA PODE SUBIR

Má notícia para os curitibanos: a prefeitura, através da Urbs, autarquia que gerencia o transporte coletivo, desistiu ontem de recorrer na ação judicial para retirar itens da planilha e por conta disso, os usuários poderão ter que pagar mais caro pela tarifa. O município ajuizou ação em que pedia a retirada desses itens para o cálculo da tarifa. Questionada pelo Sindicato das Empresas, o Tribunal de Justiça concedeu liminar favorável a este, contrariando a ação da prefeitura.

NOVELA JUDICIAL

Entre os itens estavam a exclusão do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e a Contribuição sobre o Lucro Líquido. No entendimento do TJ-PR, entre outras coisas, a Urbs estaria promovendo alteração unilateral de contrato e que esses impostos exclusivos foram estipulados pela própria autarquia nos itens da tarifa técnica – conforme licitação do prefeito anterior a Fruet – que não previa a retirada desses itens.

CALADOS

Para impedir o reajuste da tarifa, a prefeitura ainda poderá manter o subsídio de R$ 0,13 da tarifa técnica, mas ontem não se manifestou a respeito. A informação é que também quanto à interpretação do Tribunal de Justiça expressa na liminar, tanto a prefeitura como a Urbs não irão se manifestar.

 

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