A dor do pobre é um grito de denúncia da irresponsabilidade do prefeito, do governo

O prefeito Marcelo Rangel precisa cuidar mais da Prefeitura real e bem menos da Prefeitura virtual. O prefeito tem obrigação de ser verdadeiro, de tratar com seriedade as coisas sérias, de ser responsável com as coisas que exigem responsabilidade, de ser consequente com as coisas que exijam conseqüência. Como a Saúde Pública, por exemplo.

A população de Ponta Grossa não pode mais continuar sendo enganada, mormente, numa questão de tamanha relevância, que é a Saúde Pública. Em 2004, o ex-prefeito Pedro Wosgrau Filho se apresentou como candidato a prefeito, novamente, dizendo que só voltava pelo desejo de melhorar a Saúde Pública do Município, porque, na sua visão, a Saúde no governo do prefeito Péricles de Holleben Mello está muito deficiente. Colocou as duas mãos sobre a Bíblia e jurou, em praça pública, que, de novo prefeito, transformaria, radicalmente, o atendimento da Saúde Pública à população. Transformaria, para melhor. Pois bem, não apenas ganhou a eleição de 2004, derrotando o então prefeito Péricles de Holleben Mello, como se elegeu para um histórico terceiro mandato, em 2008, derrotando, no segundo turno, o radialista Sandro Alex Cruz de Oliveira, hoje, deputado federal e irmão do atual prefeito da cidade, Marcelo Rangel. Em oito anos, Pedro Wosgrau, ainda que tenha promovido alguns avanços, como a construção dos CAS – Centro de Atendimento à Saúde -, reforma do Hospital Municipal e reforma no Hospital da Criança, ficou muito longe da promessa solene de melhorar, a olhos vistos, o padrão de atendimento da Saúde Pública. Prometeu, por exemplo, que as pessoas iriam ser atendidas, nos postos de Saúde, com horário marcado. E chegou a fazer em dois ou três postos, e parou por aí e tudo voltou à estaca zero. Deixou a Prefeitura Municipal em meio a muitas críticas em relação à Saúde Pública.

Muito bem. Chegou a campanha eleitoral de 2012, e o deputado Marcelo Rangel, com um vice médico – José Carlos Raad -, fez maravilhas em seus programas de televisão sobre o seu projeto de governo, notadamente, no que se referia à Saúde Pública. E o povo acreditou e o elegeu prefeito da cidade. Em outras palavras, o mesmo povo, que havia acreditado em Pedro Wosgrau, que não honrou o seu compromisso, resolveu acreditar em Marcelo Rangel, confiante de que tudo o que estava sendo dito no programa eleitoral da televisão, com o aval do candidato a vice-prefeito, um médico de sabido prestígio popular, seria realizado. Foi a esperança da renovação, do novo, do diferente. Eleito prefeito, a promessa não vem sendo cumprida. O novo virou velho, a esperança está dando lugar a desesperança. Vale lembrar que o prefeito assumiu o governo sem ter conseguido nomear um titular para a Secretaria da Saúde, que todo mundo imaginava que seria o próprio vice-prefeito. Assim, o prefeito se viu na contingência de ter de manter no cargo, provisoriamente, o secretário da Saúde do governo passado. Ensaiou a nomeação de um médico, cedido pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, mas que, descontente com a interferência do vice-prefeito, na ganância de preencher os cargos da área com apadrinhados seus, resolveu não aceitar o convite. A interinidade do dentista Edson Alves foi se prolongando até que o reitor da UEPG, professor João Carlos Gomes, acabou fazendo uma nova indicação, na pessoa do farmacêutico Erildo Muller, que apresenta em seu currículo o fato de já ter comandado secretaria de Saúde de município pequeno na Região do Centro-Oeste do Estado. Um detalhe que pouco ou nada tem contribuído para um grau de eficiência da gerência dos negócios da Saúde Pública.

Mesmo e finalmente com secretário próprio, o governo do prefeito Marcelo Rangel não conseguiu produzir um impacto positivo na Saúde Pública, capaz de gerar comentários positivos na população. Na Câmara Municipal, é possível se observar que está se formando uma espécie de bancada da Saúde, para denunciar casos de atendimento inadequado e cobrar soluções. Como a Saúde Pública trata da dor, do sofrimento, do desespero da pessoa, parece ter chegado o momento de o prefeito rever o procedimento de seu governo na área do comando da Saúde Pública. A dor do pobre não é diferente da dor do rico ou do remediado. A diferença está em que o rico e mesmo o remediado, por poderem pagar um plano de saúde particular, tem a sua dor limitada e controlada, porque o atendimento particular é, razoavelmente, eficiente. Em relação ao pobre, o SUS continua sendo a indignidade dispensada ao ser humano. De repente, é possível que o prefeito não tenha conhecimento de todas as situações que têm sido denunciadas, em se tratando de um mau atendimento. Mas, tornadas públicas essas denúncias, é dever do prefeito procurar se informar, o mais rapidamente possível, e, de pronto, dar uma satisfação à sociedade, uma explicação, anunciando uma medida de correção de rumo. E é tudo o que não tem acontecido.

Nas rodas de conversa, ganha força a versão do despreparo de Marcelo Rangel para ser o prefeito da cidade. Como, ao que parece, nada é feito para impedir a propagação de tal versão – que só é revertida no governo virtual, da emissora de rádio da família -, a falta de preparo do prefeito vai, então, ganhando contornos de verdade. Contornos que preocupam, porque esse despreparo se reflete na má qualidade do governo.

Mas, na saúde, despreparo merece se equivaler a crime, em respeito a dor, ao sofrimento, ao desespero da pessoa humilde, que é tão filho de Deus, quanto o rico, quanto o remediado. Isso é uma questão de humanidade, que não pode, nem deve se transformar em confronto de ideologia política. O prefeito, ainda que despreparado, precisa, ao menos, demonstrar que tem sensibilidade e respeito pela dor do ser humano, que mais precisa de governo.

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