De nossos deputados federais, vale lembrar de Mário Braga Ramos e de Ary Kffuri

Ponta Grossa teve, naturalmente, vários deputados federais, como Petrônio Fernal, João Vargas de Oliveira, José Gomes do Amaral, Dilson Fanchin, Jovani Masini e Otto Cunha. Para muitos, seria o caso de se considerar Affonso Camargo, também, pelo inexplicável prestígio que sempre teve junto ao eleitorado local. Mas, não custa lembrar que, a despeito de ter dito que no instante que o povo não o reelegesse voltaria para a casa, sem mágoa, bastou que o eleitor pontagrossense desse uma recuada em 2010, com uma concentração de votos no jovem candidato Sandro Alex, e o elegesse, para que Affonso encerrasse seu mandato naquele ano, sem destinar um único real para Ponta Grossa, ao contrário do que fazia nos anos anteriores. Foi ingrato e injusto para com a cidade que lhe assegurou quatro mandatos consecutivos, de 94 a 2006.

Além desses nomes relacionados, tivemos Mário Braga Ramos e Ary Kffuri. E é desses dois que queremos falar, porquanto foram os dois que deixaram uma marca maior, no que contribuíram e tentaram contribuir para o engrandecimento da cidade.

Mário Braga Ramos, de vereador de Ponta Grossa virou secretário da Educação do Estado, de onde saiu para se eleger deputado federal, em 1966. Em 1970, Braga Ramos trouxe à Ponta Grossa, num dia de sábado, o ministro da Educação, senador Tarso Dutra, para criar em Ponta Grossa a Universidade Federal de Ponta Grossa, reunindo as cinco faculdades estaduais que existiam – Filosofia, Ciências e Letras; Direito; Farmácia e Bioquímica; Odontologia e Administração. Entretanto, houve uma resistência por parte dos diretores dessas faculdades, porque não queriam perder o mando, diante do surgimento da universidade, que teria um único reitor. Dos cinco diretores, temos um vivo, ainda, que é o professor Brasil Borba,que dirigia a Faculdade de Direito, que pode testemunhar essa história. Por conta dessa resistência, o ministro foi embora e levou a “nossa” universidade federal para uma cidade do interior de São Paulo.

Ainda que Braga Ramos não tenha conseguiu materializar seu intento, merece registro por ter se empenhado num dos maiores projetos para a cidade, que, estranhamente, não reagiu diante da atitude pequeno dos diretores das faculdades de então. Pela magnitude do projeto, a opinião pública teria de ter se posicionado e proclamado que os diretores das cinco faculdades não eram donos, nem das faculdades, nem da cidade. E, assim, teriam garantido a “nossa” Universidade Federal. Mas, vale repetir, estranhamente, nada disso aconteceu.

Da parte do deputado Ary Kffuri, que, mesmo tendo ficado como terceiro suplente da Arena em 74, acabou assumindo o mandato, porque o governador Jayme Canet Júnior nomeou três deputados federais para a sua equipe de governo, dentre os quais, Túlio Vargas e Arnaldo Busato. E foi nesse mandato, na condição de suplente, que Ary conseguiu arrancar de Curitiba para Ponta Grossa o complexo de armazenagem de grãos da Conab, localizado na área do Distrito Industrial. Amigo do presidente da Cibrazem, que viria a ser transformada na Conab, Ruy Neves Ribas, natural de Ponta Grossa, Ary, numa viagem de Brasília à Curitiba, conversando com Ruy, soube que ele construiria uma unidade da Cibrazem em Curitiba. Como Ponta Grossa estava passando por uma fase excepcional no início do processo de industrialização do Município, a partir do governo do prefeito Cyro Martins, Ary insistiu com Ruy que revisse o projeto e contemplasse Ponta Grossa com tal empreendimento, no que acabou sendo atendido.

É uma lembrança, apenas, para fazer justiça à memória desses dois grandes pontagrossenses, num ano em que teremos eleições para deputado estadual, deputado federal, senador, governador e presidente da República.

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