Esta boa safra de novos candidatos merece ser aproveitada pelo eleitor

Ainda que já tenhamos tratado desse assunto, parece oportuno que se enfatize o aspecto qualitativo da nova safra de candidatos que está para se apresentar ao nosso eleitorado, tanto para a Assembleia  Legislativa, quanto para a Câmara dos Deputados.A rigor, o nosso processo de renovação política não tem tido qualidade, porquanto, de um modo geral, temos trocado seis por meia dúzia, sai o João, entra o Antonio.

Para as eleições deste ano, teremos nomes de prestígio, figuras de respeito, pessoas que possuem fortes vínculos com a comunidade. Tanto que, em nossas duas últimas colunas, tomamos a iniciativa de relacionar quatro deles, que irão disputar cadeiras na Assembleia Legislativa, e outros quatro que estarão concorrendo para a Câmara Federal. De todos os nomes falados de possíveis candidatos, pinçamos esses quatro, de cada agrupamento do processo eleitoral, pelo entendimento de representarem o que possa haver de melhor na campanha eleitoral, de modo a assegurar ao nosso eleitor o direito a uma escolha consciente, talvez até um pouco difícil, pois, se no segundo turno das eleições municipais de 2012, para uma boa parte de nosso eleitorado a escolha se deu entre o ruim e o pior, no caso aqui tratado das eleições do primeiro domingo de outubro deste ano, o eleitor terá a rara oportunidade de escolher entre o bom e o ótimo, ou seja, o voto poderá ser dado a qualquer um dos dois, porque será um voto bem qualificado.

É verdade que temos um processo eleitoral viciado, porque carecemos de cultura política. Se a nossa população não tem a marca da cultura geral, pela deficiência de nosso sistema público de ensino, nem de longe poderíamos imaginar que o nosso eleitor, cidadão comum, tivesse capacidade para lançar mão do direito ao exercício pleno da cidadania, fazendo a opção entre o bom e o ótimo. Nesse ponto, vale o questionamento em relação à acomodação das pessoas de bem, das pessoas privilegiadas que exibem o perfil da cultura geral e, em especial, da cultura política. Essas pessoas, líderes de um modo geral, precisam fazer a parte que lhes compete na campanha eleitoral, de modo que possamos oferecer, de fato, a nossa contribuição ao que possa haver de mais representativo no tão reivindicado projeto da Reforma Política no Brasil. O melhor elemento para essa reforma há de ser o político eleito, em qualquer dos níveis, desde que esse político eleito represente a qualificação do processo. No caso presente, dos limites do Rio Tibagi para cá, esse elemento qualificativo da renovação política está, com absoluta certeza, na relação dos quatro nomes que analisamos nestes dois últimos dias, pelas razões expostas em cada um de nossos comentários. Ainda que não sejamos os donos da verdade, é forçoso revelar o compromisso que procuramos ter com a maior lei do gênero humano, que é a lei do bom senso.

É sabido que a campanha eleitoral é um processo passional. E, como vamos ter a Copa do Mundo de Futebol em nosso País, não será difícil ligar o resultado final dessa competição com a competição eleitoral. Se a Seleção Brasileira conquistar esse campeonato, a reeleição da presidente Dilma Rousseff ficará bem mais próxima, porque, na alegria geral, o povo perde a capacidade de raciocinar, engrossando as fileiras oficiais do governismo, porque, com o campeonato ganho, o governo fará coro no cantar da vitória, avocando para si todos os méritos dos investimentos das mais variadas ordens. E, aí, o Brasil ficará lindo, o povo se sentirá rico, feliz, orgulhoso do governo que tem. E, por conseguinte, vai dizer nas urnas que quer a continuidade desse governo, campeão do mundo de futebol.

Por outro lado, se a Seleção Brasileira for derrotada, a dona Dilma Rousseff que saia da frente, porque todo o bilionário investimento que foi feito será visto como desperdício, como farra da Fifa, com acusações ao governo de ter se submetido às exigências da Fifa, única ganhadora em todos os sentidos da competição. Nesse caso, os candidatos de oposição poderão pronunciar um discurso mais forte, pela certeza de uma plateia com um público mais simpático, exigente, que estará pedindo mudança, reforma, renovação.

Não deveria ser assim, mas é assim mesmo. Sempre foi e sempre haverá de ser, enquanto o ser humano for ser humano. É, por isso, que as pessoas esclarecidas, conscientes, responsáveis têm o dever de uma participação ativa e efetiva nesse processo eleitoral, porque essas pessoas têm preparo suficiente para não misturar o resultado da Copa do Mundo de Futebol com o processo eleitoral, que vai responder pelo futuro do Brasil. Significa que essas pessoas, ainda dentro dos limites do Rio Tibagi para cá, devem se empenhar na campanha dos candidatos qualitativos, promovendo reuniões com amigos, vizinhos, colegas de trabalho e de profissão, de modo a contribuir para a vitória desses candidatos. E tudo isso sem custo financeiro, sem cobrança pecuniária do candidato, porque, nesse tipo de participação, a única cobrança que deve ficar implícita, desde logo, é a do respeito ao voto, é da exigência de um bom trabalho do eleito. Pode não parecer fácil, mas é uma receita que se impõe no instante da pregação do tal exercício de cidadania. Se as pessoas de bem não fizerem essa parte, que lhes compete, estaremos elegendo, muito provavelmente, o tal candidato carismático, oportunista, sem compromisso. Os exemplos estão aí, expostos à luz do dia.

Ainda que estejamos na primeira quinzena de março, o mês de outubro não está tão longe, assim, não. Está logo, ali. Por isso, é hora de se iniciar esse trabalho, com conversa, com discussão, com troca de idéias. A oportunidade se nos afigura como rara. E se não soubermos aproveitá-la, iremos continuar com os mesmos, que, ao se apresentarem como renovação, nunca vão além da troca do João, pelo Antonio.

Vale uma reflexão.

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