O nosso maior desafio talvez esteja na eleição de mais um deputado federal

Vamos partir do princípio de que o deputado federal Sandro Alex vai ser reeleito, independentemente, do desempenho do governo comandado por seu irmão, Marcelo Rangel, aqui em Ponta Grossa. Sandro vem sendo um deputado comum,muito menos da imagem que tenta passar no rádio. Antes de mais nada, é preciso que se diga que ele é um deputado de oposição, porque o seu partido, o PPS, faz oposição ao governo da presidente Dilma Rousseff. E, no rádio, tem se apresentado como “vice-líder da minoria”. Se fosse vice-líder da maioria, seria vice-líder da bancada governista; mas, como é vice-líder da minoria, na verdade, é vice-líder da bancada de oposição. Em outras palavras, Sandro é deputado de oposição envergonhado. É que, sem brilho no Parlamento, propriamente dito, quer se firmar na conquista de recursos do governo federal para os municípios da região. Por ser o único deputado de Ponta Grossa e da Região dos Campos Gerais, até que tem levado alguma vantagem. O presidente do seu partido no Estado, por exemplo, Rubens Bueno, tem posição assumida de oposição. E, em tal condição, não fica correndo atrás de ministério para liberar uma verba aqui, outra ali para este, para aquele município. Rubens Bueno, como parlamentar de oposição, cumpre o seu papel de crítico ao governo, apontando erros e cobrando soluções. Sustentando essa posição, Rubens tem chances bem maiores de reeleição do que Sandro Alex, que se esforça para ser deputado de resultado. Ainda assim, vamos considerá-lo com chances reais para conquistar um segundo mandato.

Aí, dos novos nomes que deverão se apresentar ao eleitorado, parece-nos ser o caso de considerarmos quatro nomes, a exemplo do que fizemos ontem, em relação à Assembleia Legislativa, quer pela representatividade de cada um, quer pelo preparo individual, quer mesmo pela vocação política, pela vontade de ser deputado, pelo forte desejo de representar Ponta Grossa, na Capital da República. A diferença, entretanto, entre os quatro nomes de ontem e os quatro nomes de hoje é que os citados ontem possuem chances reais de eleição, enquanto os quatro de hoje terão pela frente um desafio muito grande, a partir da realidade que recomenda a possibilidade da eleição de um segundo deputado federal, apenas. Assim, de quatro, apenas um poderá se ver em condições de poder comprar uma passagem para Brasília.

Por ordem alfabética, os quatro que citaremos, dentre outros que possam se lançar, são o vereador Antônio Laroca Neto, do PDT, o empresário e ex-vereador Edilson Fogaça de Almeida, do PMDB, a professora e ex-secretária municipal da Cultura Elizabeth Schmidt, do PSB, e o ex-vereador e ex-secretário municipal João Carlos Barbiero, do PV.

Independentemente do eventual prestígio eleitoral de cada um, importa em evidenciar tratarem-se de pessoas bem formadas, de histórias de vida conhecidas da população e figuras com fortes vínculos com os anseios e conquistas da população pontagrossense.

O vereador Antônio Laroca Neto é o que se pode chamar de representante da “oposição inteligente” da Câmara Municipal, pelo seu preparo pessoal, pelo cuidado e zelo em levantar questões com propriedade, com conhecimento de causa. A dificuldade de sua caminhada começa pelo seu próprio partido, o PDT, que, a menos que o ex-senador Osmar Dias se candidate a Câmara Federal, não deverá conseguir reunir uma chapa representativa de nomes para a Câmara dos Deputados. Depois, será preciso saber até onde o seu companheiro de partido, candidato a deputado estadual, Márcio Pauliki, irá firmar dobradinha com ele. Se for apenas na cidade, será muito pouco. Mas, se a dobradinha se estender para os municípios da região, o quadro pode ganhar conotação mais animadora. Não parece, contudo, que será o caso.

Professor universitário, empresário do ramo de contabilidade e auditagem, o ex-vereador Edilson Fogaça tem um figurino que preenche todas as medidas de um deputado federal compromissado com o exercício efetivo do mandato, na elaboração de projetos de lei e na fiscalização das contas do Poder Executivo. É um especialista em contabilidade pública. Por conseguinte, um profissional com intimidade com os números de uma administração pública. Como vereador, teve um desempenhar exemplar nessa área. Mas, como isso tem pequeno apelo eleitoral, acabou não sendo reeleito. As pedras que poderá ter pela frente em seu caminho podem estar dentro de seu próprio partido, o PMDB, que vive uma crise, aqui no Paraná, com um grupo se postando ao lado da reeleição do governador Beto Richa e outro grupo pregando a candidatura própria ao governo do Estado, na figura do senador Roberto Requião. Independentemente do rumo que o partido venha a tomar, ninguém vai comprar passagem para Brasília, dentro do PMDB, sem que tenha, como credencial, alguma coisa a partir de 80, 90 mil votos. Mas, é um nome qualificado, pronto para ser deputado federal.

Na sequência, temos uma mulher ativa, professora, fundadora de clube de serviço, dirigente desse clube, ex-secretária municipal de Cultura que se chama Elizabeth Silveira Schmidt. Já participou de duas eleições, primeiro, como candidata a vice-prefeita na chapa encabeçada pelo empresário Carlos Roberto Tavarnaro, em 2000, depois como candidato a suplente de senadora, na chapa comandada pela médica londrinense Nitis Jacon, em 2002, tendo comandado a Secretaria Municipal de Cultura nos dois últimos governos do ex-prefeito Pedro Wosgrau Filho. Como o seu partido, o PSB, vai de chapa própria, no pleito proporcional, a professora Elizabeth reúne condições para se colocar na disputa, de fato. É uma proposta de renovação qualitativa.

Por fim, temos o quarto nome, que apresenta uma interessante experiência na vida pública, como vereador, dirigente partidário, candidato a prefeito, a deputado estadual, secretário municipal, candidato a vice-prefeito, e, por último, assessor da agora ex-ministra-chefe da Casa Civil senadora Gleisi Hoffmann, que é o ex-vereador João Carlos Barbiero. O dado marcante em Barbiero é a sua vocação para a vida pública. Filiado ao PV e dependendo do apoio que tiver da senadora Gleisi Hoffmann, candidata ao governo do Estado, Barbiero poderá ter presença vistosa no partidor dessa corrida, considerando que o PV vai de chapa própria, na proporcional, com apoio ao nome de Gleisi, na majoritária. Jeitoso, de repente, pode ser a surpresa do primeiro domingo de outubro.

 

Um comentário em “O nosso maior desafio talvez esteja na eleição de mais um deputado federal

  • março 7, 2014 em 16:19
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    Adail: meus parabens pelos seus comentários sempre lúcidos E aue muitas vezes acabam “desmistificando” algumas “notícias” midiáticas!
    Estávamos com “saudades” de suas opiniões em seu blog! Um grande abraço!

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