Coluna da Roseli Valério

PARA SACUDIR

Como já fez em eleição presidencial passada, o senador paranaense Roberto Requião de novo anunciou sua pretensão de se apresentar à convenção nacional do PMDB como candidato do partido à Presidência da República. Ele sabe, como todo o País, que seu partido não deve sair do governo petista de Dilma Rousseff, mantendo a posição de aliado número um e, provavelmente, indicando novamente o candidato a vice-presidente da República na disputa pela reeleição. Discurso Requião tem na ponta da língua para, como da outra vez, dar uma chacoalhada no marasmo do PMDB, ainda o maior partido brasileiro em número de filiados e organização em todo o país. “Governo e oposição não têm programa para o desenvolvimento brasileiro, com começo, meio e fim, com táticas e estratégias claramente definidas. Governo e oposição estão distantes de oferecer ao brasileiro um projeto de nação”, argumentou o senador. No Paraná, seu verdadeiro projeto eleitoral, de voltar ao Palácio Iguaçu, esbarra em impedimento semelhante. A diferença é de legenda apenas. Aqui os peemedebistas estão muito mais para apoiar a reeleição do tucano Beto Richa ao governo do Estado, do que para candidatura própria. E, menos ainda – tem demonstrado os últimos eventos do PMDB – de apoiar Roberto Requião para a disputa em outubro deste ano.

SONDANDO

Para o senador, entretanto, o “MDB velho de guerra” quer que a sigla lance candidato próprio.  Trabalha para que seja ele. Requião começou no início do mês passado suas viagens para reuniões com dirigentes e militantes do interior do Paraná. Quer “sentir” o partido e defender sua tese de lançamento de um nome para disputar contra Richa.

‘VELHO MDB’

Diz ele que tem tido receptividade. “Eu tenho feito avaliações das reuniões que realizo no interior com os companheiros do ‘velho MDB de guerra’ e cheguei a uma conclusão definitiva: 90% do partido quer disputar o governo do Estado com candidatura própria”. Pela estimativa do senador, os outros 10% então seriam os deputados estaduais, que atualmente controlam os diretórios do PMDB estadual e na capital.

AGORA OUVE

Nesta cruzada, Requião volta ao Paraná nesta sexta-feira, com reunião à noite, em Cornélio para discutir as eleições deste ano. O senador afirma que está “recolhendo material para finalizar uma proposta para recuperar as finanças do Paraná”. Ele, ouvindo sugestões? Nessa fase pode até ser.

MAIS REUNIÕES

O pré-candidato peemedebista segue no sábado, 08, para Jacarezinho. Depois, Requião vai para Ponta Grossa, onde o encontro com peemedebistas e militantes dos Campos Gerais será de tarde. Todas as reuniões do senador são nas Câmaras de Vereadores desses municípios.

DISPAROS

Voltando a questão da convenção nacional do PMDB e sua suposta apresentação como candidato à Presidência da República, Requião entende que não existe proposta de mudança por nenhum dos lados [oposição e governo] e os candidatos não se distinguem quanto aos pressupostos da política econômica. Para ele, o PMDB, como o maior partido do país, “não pode continuar abrindo mão de ser protagonista para atuar como coadjuvante do processo eleitoral”. Esta posição o senador defende em toda eleição.

GRANDE COISA…

Como se o comparecimento a todas as sessões plenárias do Congresso Nacional indicasse que tal ou qual parlamentar tem (ou não) boa atuação, as listas de quem aparece entre os 10 ou 15 primeiros em freqüência, são citadas para o eleitor justamente com tal objetivo. Estar sempre em plenário não é garantia de exercício do mandato com competência. A maioria do baixo clero do Congresso costuma estar presente.

E DAÍ?

Introdução à parte, existem exceções. Em 2013, a listagem dos mais freqüentes apresenta dois paranaenses entre a bancada federal de 30 deputados e três senadores. Hermas Parcianello (PMDB) participou de todas as sessões. E daí? Em termos de Paraná, não se destaca pelo mandato. Pode ser que o eleitor da região Oeste do Estado, por onde é eleito, possa ter melhor referência sobre sua atuação.

EXCEÇÃO, PERO…

Aparecendo na lista dos 10 mais assíduos às sessões do Senado, está o tucano Álvaro Dias. Este sim, tem mandato de destaque, requisitado pela mídia nacional pela oposição consistente que faz ao governo federal do PT. Tem projetos interessantes e discursos firmes no Senado e fora dele. Mas ao Paraná, propriamente dito, fica devendo. Costuma aparecer aqui e se empenhar em ano pré-eleitoras e no seguinte. Ano passado e neste ano não tem agido diferente.

EM NÚMEROS

Conforme a lista dos mais freqüentes nas sessões do Congresso, 29 deputados não tiveram nenhuma ausência em 2013. Nem todos, porém, exerceram o mandato o ano inteiro, apenas 15 participaram de todos os 113 dias com sessões deliberativas. Feito pela Revista Congresso em Foco, o levantamento aponta que Álvaro esteve ausente em cinco sessões das 119 realizadas no Senado. Parcianello participou de todas as 113 na Câmara.

PARA CONFERIR

Para terminar a informação e reforçar a nota de introdução, vale registrar o nome dos seis entre aqueles 15 que ainda não faltaram um dia sequer da atual legislatura, iniciada em 2011: Alexandre Leite (DEM-SP), Lincoln Portela (PR-MG), Manato (SDD-ES), Pedro Chaves (PMDB-GO), Reguffe (PDT-DF) e Tiririca (PR-SP). Mesmo não sendo do Paraná, dá para dizer que todos são ilustres desconhecidos do grande público. Em tempo: o Congresso tem 513 deputados e 81 senadores.

PASSA GRANA

Como em todo ano eleitoral, o comando nacional do PT lembra, através de sua Secretaria Nacional de Finanças e Planejamento, que os filiados/as inadimplentes ocupantes de cargos eletivos e de confiança, que não regularizarem sua inclusão no “setor de cobrança”, digamos assim, e o pagamento de suas “contribuições devidas e obrigatórias”, não poderão concorrer como candidatos no poder executivo e legislativo, nas eleições deste ano, pela legenda petista.

LEI AUTORIZA

Jogo duro, mas não irregular, não existe impedimento pela Justiça Eleitoral. Faz parte do Estatuto Partidário que fixa os pré-requisitos a serem respeitados para ser candidato/a pelo PT. Interessante que a cúpula observa que “não serão aceitos quaisquer pagamentos ou acertos feitos a outras instâncias”, senão diretamente a citada Secretaria Nacional de Finanças.

OUTRA TRIBUNA

Uma das formas do senador Requião atirar para todos os lados, é o Twitter, rede social da internet que ele usa há anos. Atualmente ele é o terceiro político brasileiro no ranking do Twitter estabelecido pelo site “Los 30 Tuiteros”, respeitado na área por acompanhar em diversos países a participação dos internautas. No Brasil, em termos de tempo, entre os 30, Requião vence os demais: é quem mais posta mensagens, passando 5 horas e 41 minutos “escrevendo”.

TAL E QUAL

Também chegado em se comunicar via Twitter, o senador Álvaro Dias, em oitavo lugar no ranking, gasta 3 horas e 36 minutos postando mensagens nessa rede. Como os mais assíduos às sessões não significa boa atuação, usar a rede também não.

O CAMPEÃO

O líder do ranking é o pastor-deputado Marco Feliciano, com mais de 200 mil seguidores e tempo de 4 horas 9 minutos e 30 segundos no Twitter. Lembrando que Feliciano é aquele de triste memória na presidência da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Federal.

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