Fim de Carnaval, é tempo de armação do jogo político para outubro que vem

Já virou mania nacional, não se tomar decisão importante alguma enquanto o Carnaval não passa. Vencidas as festas de final de ano, há um impressionante compasso de espera em relação ao Carnaval. É verdade que o Brasil vai parar também em junho, com a Copa do Mundo de Futebol, que vai acontecer aqui. Porém, diferentemente do Carnaval, os políticos não vão aguardar a Copa do Mundo para se organizar para as eleições do primeiro domingo de outubro, até porque o prazo formal para a validação das candidaturas é o próprio mês de junho. Ou seja, quando junho chegar, será preciso que esteja faltando apenas a formalização das candidaturas, por meio das convenções partidárias. Daqui até lá, o tempo agora será destinado aos ajustes, aos acertos, às composições. É claro que tudo isso com maior ênfase para o pleito majoritário, no plano nacional, para a Presidência da República, no plano regional, a eleição em cada estado para o respectivo governador e, assim também, para a vaga de um terço do Senado da República. Por aqui, teremos as candidaturas ao Palácio Iguaçu do governador Beto Richa, do PSDB, à reeleição, e da senadora Gleisi Hoffmann, do PT. O empresário Joel Malucelli que estaria trabalhando a sua candidatura pelo PSD, ao que parece, já sinaliza para o acostamento, numa composição com o governador Beto Richa.

Sobre essa disputa majoritária para o governo do Estado, vai ser possível se medir o grau de rejeição ao PT, aposta alta do governador Beto Richa. Se o PT for, de fato, rejeitado em alta escala pelo eleitor do Paraná, as chances de reeleição de Beto serão boas, porque, a depender das realizações de seu governo, Beto Richa nem de longe está a merecer um segundo mandato, porque, a rigor, vem comandando uma administração medíocre. Por conseguinte, vai precisar apostar, sim, num alto grau de rejeição do eleitor paranaense em relação ao PT. Enquanto isso, a senadora Gleisi Hoffmann, se essa rejeição for um fato real, terá de lutar contra essa realidade, procurado se apoiar no vazio do governo de seu adversário, ainda que precise convencer o eleitor de que não teve nada a ver com as denúncias de perseguição política do governo federal contra o Paraná, especialmente, no trancamento da liberação de empréstimos financeiros, que, de acordo com o governador Beto Richa, teriam inviabilizado seus programas de governo. Como ministra que foi da estratégica e poderosa Casa Civil, Gleisi terá que saber lidar muito bem com essa questão delicada.

No que possa interessar do Rio Tibagi para cá, haveremos de conhecer o avanço na definição dos nomes que deverão compor o cenário das candidaturas locais à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal., com o dado significativo de que, dentre os novos candidatos, o eleitor pontagrossense e dos Campos Gerais terá opções qualitativas, o que não é muito comum. Tanto, para deputado estadual, quanto para deputado federal. Para a Assembleia, tudo indica que o deputado Péricles de Holleben Mello será o único a disputar uma nova reeleição, porquanto o deputado Plauto Miró Guimarães Filho estaria de malas prontas para atravessar a Praça Nossa Senhora de La Salete e se instalar, de vez, no Tribunal de Contas do Estado. É que, desta vez, não terá pela frente, como competidor, nenhum deputado filho de desembargador, o que contribuirá para evitar uma nova traição de seus companheiros de Casa, a começar pelo governador Beto Richa, que, pelas conhecidas ligações pessoais com Plauto, teve um comportamento nada recomendável, naquele episódio do ano passado, em que o deputado Fábio Camargo, filho do então presidente do Tribunal de Justiça, desembargador, Clayton Camargo, acabou vencendo a eleição, embora tenha tido sua eleição contestada no próprio Tribunal de Justiça, o que estaria a determinar a abertura da vaga tão aguardada pelo deputado Plauto.

Aí, além de Péricles, do PT, cuja reeleição, à primeira vista, se mostra tranqüila, teremos novos nomes, como dos vereadores Aliel Machado, do PC do B, e George Luiz de Oliveira, do PMN. Mais, o vice-prefeito Dr. Zeca, do PSD, também estaria pronto para se colocar no partidor, ainda mais, agora, que o seu companheiro de partido, o vereador Júlio Kuller, assumiu a Secretaria de Assistência Social, com o que se afastou,definitivamente, do processo eleitoral. Além desses três novos, há mais dois para valorizar o quadro dessa disputa, que são o empresário Márcio Pauliki, do PDT, e o agropecuarista Rubens Sielski, do PR, cuja candidatura nasceu do incentivo e do apoio do deputado federal Fernando Giacobbo, de Cascavel, que vem a ser o presidente estadual da agremiação. Deverão existir mais duas ou três candidaturas, porém, essas são as que apresentam maior grau de potencialidade eleitoral. Desses seis nomes, podemos dizer que, pelo menos, teremos quatro deputados estaduais.

Para a Câmara Federal, haverá, naturalmente, a candidatura à reeleição do deputado Sandro Alex, do PPS, e um grupo de novos postulantes, como o ex-vereador e ex-secretário municipal João Barbiero, do PV, o ex-vereador Edilson Fogaça de Almeida, do PMDB, o vereador Antônio Larocca Neto, do PDT, e a ex-secretária municipal da Cultura e professora Elizabeth Schmidt. Aqui, também, deverão surgir mais dois ou três nomes, porém, à primeira vista, esses nomes citados são os que devem disputar, de fato, a eleição do primeiro domingo de outubro.

E vale se chamar a atenção para a análise qualitativa desses nomes, o que merece ser visto como um elemento importante para o eleitor, pois, esses nomes constituem, de fato, uma proposta consistente de renovação política. Eleitos, haverão de contribuir, significativamente, para uma nova postura do proceder da classe política. É natural que não representam uma garantia de alterar o comportamento da classe política, mas, com absoluta certeza, representam um passo adiante dos que haverão de contribuir para que a classe política se volte para o efetivo interesse da população.

 

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