Atrasado, Marcelo acerta ao nomear Júlio, mas erra ao tirar Delmar do governo

O prefeito Marcelo Rangel fez a oitava alteração em sua equipe de governo, ao substituir a psicóloga Beatriz Souza pelo vereador Júlio Kuller no comando da Secretaria da Assistência Social. Na verdade, Júlio deveria ter sido nomeado em janeiro do ano passado. Entretanto, o vereador alimentava projetos políticos de candidatura à Assembleia Legislativa este ano. Por conta disso, indicou ao prefeito a psicóloga Beatriz Souza. Agora, como não deve mais ser candidato a deputado, aceitou o convite lá de trás.

A mudança nos parece positiva, porque o vereador Júlio Kuller tem familiaridade com a área, conhece a realidade das entidades assistenciais e, o que é mais importante, tem força política para fazer valer os pleitos da Secretaria, que passa a comandar, junto ao prefeito. Força que não tinha, por exemplo, a ex-secretária Beatriz, que, embora uma boa técnica da área, não possuía os pendores políticos indispensáveis para a gerência do setor.

De vereador constrangido em atender aos pleitos das entidades assistenciais nesse governo, do qual é parceiro e sócio, pois é dele a indicação do médico Dr. Zeca para vice-prefeito, Júlio tem todas as condições para se constituir num bom secretário e, assim, um bom parceiro das entidades, que, para todos os efeitos, haviam perdido o interlocutor que tinham no governo passado, e que se chamava, justamente, vereador Júlio Kuller. No governo passado, por exemplo, Júlio se alinhava com as entidades na resistência aos privilégios conferidos ao SOS, na destinação da verba mensal de R$ 180 mil. Neste governo, Júlio mudou de lado e passou a defender o SOS, distanciando-se do posicionamento das entidades assistenciais. Mais, no governo do prefeito Marcelo Rangel, Júlio tem ficado muito mais na defensiva da compreensão das dificuldades financeiras do governo, e de não entender mais as dificuldades financeiras das entidades assistenciais, o que pode mudar a partir de agora. E tendo Júlio como secretário, as entidades passar a ter muito mais a ganhar. A começar pelo fato de que o novo secretário passa a contar, desde logo, com o apoio dessas entidades, com as quais ele mantém um bom relacionamento. Não seria exagero dizer, por exemplo, que muito provavelmente, Júlio haverá de ser o titular da Secretaria da Assistência Social mais próximo das entidades, do que qualquer outro ocupante do cargo em qualquer dos governos anteriores. E isso, de alguma forma, implica em maior responsabilidade. E, se aceitou o convite do prefeito para ficar no cargo pelos próximos três anos, haverá tempo para um bom trabalho, para um estreitamento desejável entre o governo e as entidades, com um proveito maior indiscutível para os milhares de assistidos por essas extraordinárias e notáveis instituições de verdadeira promoção humana.

De outro lado, o prefeito Marcelo Rangel pode ter cometido um equívoco ao abrir mão do concurso do ex-vereador Delmar Pimentel na chefia da ARAS, porque Delmar está a comandar um destacado trabalho à frente da referida agência, colocando a Sanepar, inclusive, no seu devido lugar. Nunca, antes, um dirigente da Aras teve disposição, competência e coragem para dizer a Sanepar que ela não é dona do serviço de água e saneamento de Ponta Grossa, mas, sim, uma concessionária desse serviço e, como tal, deve explicações e satisfações à comunidade, ao governo e ao órgão que a fiscaliza, no caso, a Agência Reguladora de Água e Saneamento, a própria Aras.

Mais, Delmar Pimentel está a comandar o grande projeto do Lago de Olarias, que, até prova em contrário, é a maior e vistosa vitrine da administração municipal do prefeito Marcelo Rangel, por ser a única obra diferente, singular, fora da rotina de trabalho de qualquer governo. É verdade que a decisão política do Lago de Olarias pertenceu ao prefeito, mas quem, de fato, saiu a campo para “pegar o boi à unha” foi o Delmar Pimentel. E, com isso, passou a se constituir em peça importante da equipe do governo, com a vantagem de se reportar direto ao prefeito e com a sinceridade de dizer o que um auxiliar tem o dever de dizer ao prefeito, quando preciso e necessário. Se, muito, há duas ou três pessoas na equipe do governo com essa capacidade de conversar com o prefeito. E Delmar é, ou era, uma delas.

Delmar volta para a Câmara Municipal. Mas, volta em situação diferente de seus velhos tempos, porque volta na condição de suplente, embora exista há certeza de que, na Câmara, vai desempenhar o mandato com a determinação, a coragem e a independência de sempre.

Júlio Kuller sempre foi um bom vereador e reúne condições, como já dissemos, para ser um bom secretário. Delmar foi um grande vereador, o maior articulador político que já passou pelo Legislativo Municipal, e estava sendo um valoroso membro da equipe de governo. Se não fizer falta ao governo, o que parece difícil, fará muito bem para a Câmara Municipal.

Um comentário em “Atrasado, Marcelo acerta ao nomear Júlio, mas erra ao tirar Delmar do governo

    • março 1, 2014 em 12:02
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      Meu prezado amigo João: Não, não. O Lago de Olarias ficará bem mais para baixo do Wagner. Será ao lado do terreno onde funcionava a Cerâmica Valentim. Lembra?

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