É verdade que o Ibope fraudou nossa eleição em 2012. Mas, precisamos aprender a votar

O desejável processo de renovação dos quadros políticos se dá, primeiro, pelo aparecimento de candidatos novos, bem preparados, mal preparados, capazes, incapazes, sérios, oportunistas, sem carisma,com carisma. Aliás, esse negócio de carisma é algo impressionante, porque as pessoas se deixam levar. Carisma é um traço inexplicável da personalidade que atrai as pessoas. Por exemplo, o velho ditador sanguinário Fidel Castro é uma figura carismática. As pessoas, quando ele viajava como governante de Cuba, procuravam se aproximar dele, para tirar foto, para cumprimentá-lo, para ficar próximo dele, sem se importar com o lado perverso de sua personalidade. E quem explica isso?

Nas eleições de 2012, as coisas se encaminhavam para um segundo turno mais justo, reunindo os candidatos Márcio Pauliki e Péricles de Holleben Mello. Entretanto, ninguém contava com a entrada do Ibope no jogo. E, aí, deu Marcelo Rangel e Péricles de Holleben Mello. Com a tendência do Ibope em favorecer o PT, em termos nacionais, não custa dar asas ao imaginário e criar, sempre no imaginário, um fato hipotético consubstanciado numa consulta ao Péricles, às vésperas do segundo turno, de partidários seus, figuras influentes do PT, no Estado e no País. Sempre no imaginário, teriam perguntado ao Péricles: “O que podemos fazer por você, aí em Ponta Grossa. companheiro”? E Péricles, sempre no imaginário, teria dito: “Companheiros, façam o Ibope tirar o Pauliki do segundo turno, que eu ganho a eleição. Se eu for com o Pauliki para o segundo turno, eu perco a eleição, mas se for com o Marcelo, a eleição é minha”. Então, continuando no plano imaginário, os companheiros influentes do Péricles, teriam dito: “Companheiro, deixa com a gente!”

E aí aconteceu o que todos sabemos.

Mas, mesmo o com o Marcelo, o Péricles não ganhou a eleição, ainda que por uma diferença mínima. E por que o Péricles não venceu essa eleição? Só pelo fato de ser do PT. O pessoal do Márcio Pauliki, ainda que contrariado, votou no Marcelo, para não votar, não propriamente no Péricles, mas no candidato do PT. O derrotado nessa eleição de 2012 não foi o Péricles, foi o PT. Como é possível que, nas eleições para o governo do Estado, o governador Beto Richa se reeleja, não pelos méritos de seu governo, aliás, inexistentes, mas, sim, pela rejeição do eleitor paranaense ao PT. E a vítima, no caso, será a senadora Gleisi Hoffmann.

Como a eleição de 2012 já aconteceu e, por culpa ou não do Ibope, o vencedor foi o Marcelo Rangel, nada mais pode ser feito. Marcelo é o prefeito e o governo comandado por ele é esse que aí está e que assim vai continuar até 31 de dezembro de 2016. As indústrias que estão vindo continuarão a vir, o comércio vai continuar se expandindo, as moradias do “Minha Casa, Minha Vida” continuarão sendo construídas, porque a Caixa Econômica precisar vender a mercadoria que tem, que é dinheiro, e também porque tem bastante empresário da área da construção civil disposto a ganhar dinheiro.

O Marcelo não tinha projeto para ser prefeito. Na campanha, andaram colocando propostas para que ele as dissesse nos programas de televisão, porque, afinal de contas, na televisão o candidato precisa dizer alguma coisa. E falar em quatro mil quadras de asfalto, impressiona. Falar que a Saúde seria prioridade absoluta e que, no seu governo, os problemas da área seriam resolvidos, é fantástico. Anunciar que haveria o “PAI – Pronto Atendimento Infantil” – soaria agradável aos ouvidos das pessoas, especialmente, dos pais de crianças. Criticar a idéia do bilhete único e, depois, assumir como proposta, no segundo turno, seria necessário, “porque isso dá voto. Viu a votação do Márcio?” Aliás, até hoje nem o próprio Márcio explicou direito como é que o “seu” bilhete único funcionaria. O Péricles, no segundo turno, foi o mais coerente, ao se comprometer, na tentativa de atrair a simpatia do Márcio Pauliki, se eleito, no primeiro dia, formar uma comissão para estudar o assunto, por não estar convencido de que o bilhete único, na forma apresentada pelo Márcio, não repercutiria no aumento do preço da passagem. Mas, o Marcelo não estava em busca de coerência; estava em busca de voto. E, mal sabia, que os eleitores do Márcio, em sua maioria, estavam se preparando psicologicamente para votar nele – não seria um voto fácil -, porque não votariam no candidato do PT. Com a demagogia do bilhete único, sem a demagogia do bilhete único. E o Marcelo ganhou a eleição, nunca mais falou no assunto, e ninguém tem lhe feito cobrança. É como se nem tivesse falado. Que nem a história do PAI, dos trezentos quilômetros de asfalto… Mas, neste ano, já andaram soltando foguete, porque foi firmado um acordo com o governo do Estado, e será pavimentado um trecho de ruas que vai somar 30 quilômetros. “É como daqui a Imbituva!”, comemorou o prefeito no rádio, o seu governo virtual. Só que a promessa é de chegar a Cascavel, um “pouco depois” de Imbituva. Se no ano passado praticamente não foi feito nada, se muito, uns dois ou três quilômetros, como fazer, agora, cem quilômetros por ano, nestes três anos restantes do mandato?

Como o que não tem conserto, consertado está, importa em tocar o bonde, porque temos eleições em outubro e, logo depois, em 2016, teremos a oportunidade , então, de consertar o que não deu certo em 2012. Mas, precisamos, antes, nos empenhar para acertar agora em 2014, tirando proveito de uma situação até privilegiada que deveremos ter, com candidatos bem qualificados. É claro que nem todos estarão enquadrados nessa classificação, mas haverá, com certeza, um bom contingente de pessoas sérias e preparadas, tanto para a Assembleia Legislativa, quanto para a Câmara Federal. Se soubermos escolher em 2014, já teremos meio caminho andado para 2016. Como teremos bons candidatos, será preciso, apenas, que o eleitor faça a sua parte na renovação, com qualificação. É tudo o que Ponta Grossa espera, precisa e merece.

 

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