No rádio, um governo virtual, realizador. Fora do rádio, um governo fraco, sem obras e sem dinheiro

Está em curso um delicado processo de ambivalência de governo, que pode, de um lado, estar muito mais a serviço da reeleição do irmão do prefeito, nas eleições deste ano. Esse é o governo virtual,que é mostrado no rádio, todas as manhãs, com a apresentação do próprio prefeito Marcelo Rangel e a participação de seu irmão, o deputado federal Sandro Alex. No rádio, só notícias boas, conquista de verbas, anúncios de obras. Fora do rádio, a dura realidade de um governo sem rumo certo, sem obras e sem dinheiro. Mas, como esse governo da realidade não é mostrado no rádio, a população não fica sabendo. Ao menos, a população que ouve a emissora de rádio da família do prefeito. Trinta quilômetros de asfalto, para quem prometeu trezentos, pode ser um bom começo, mas não tem nada de grandioso. Para cumprir a promessa de campanha, haverá necessidade de um anúncio de cem quilômetros por ano, considerando que o primeiro ano já foi. Ou seja, ao contrário de se dizer que as obras de asfalto que serão realizadas agora representam uma distância de Ponta Grossa a Imbituva, seria necessário que essa distância fosse de Ponta Grossa a Curitiba.

Como o governo não se comunica de modo oficial, mas sim de modo virtual, com o prefeito e seu irmão fazendo anúncios grandiloqüentes na emissora de rádio de sua propriedade, é preciso considerar que vai chegar o momento em que a população ouvinte da emissora da família vai se encarregar de começar a questionar, porque, de repente, alguém vai querer saber em que parte da cidade estão sendo investidos todos os recursos anunciados e os benefícios gerados por tais conquistas de verbas.

Uma vez, o ex-deputado Odeni Villaca Mongruel, na condição de secretário da Habitação do governo de Álvaro Dias, começou a anunciar a construção de milhares de casas, pelo Paraná todo. Na metade do governo, a meta dos quatro anos já havia sido cumprida. Foi aí que os prefeitos de Castro, Ronie Cardoso, já falecido, de Piraí do Sul, Marcelo Milléo, e de Tibagi, José Tibagy de Mello, foram a Odeni por serem amigos pessoais do secretário, para lhe dar a informação de que a Associação dos Municípios do Paraná iria promover uma reunião com os prefeitos do Estado e convidá-lo para dizer onde é que as milhares de casas estavam sendo construídas. A AMP não fez a tal reunião e Odeni parou de construir casas virtuais.

Como o prefeito Marcelo Rangel foi inábil, no ano passado, em ter feito um anúncio da realidade financeira do Município e repetiu essa inabilidade agora no início do mês que está se encerrando, ao sugerir uma herança, que não teve coragem de qualificar de maldita, que pertence aos governos dos ex-prefeitos Jocelito Canto, Péricles de Holleben Mello e Pedro Wosgrau Filho, seria desejável, isto sim, que a falta de dinheiro, que é sentida no governo real, fosse explicitada para a população, em meio à exibição de um quadro de efetiva austeridade do governo municipal. Entretanto, essa explicitação da dívida não deve acontecer, da mesma forma, como seria difícil demonstrar a austeridade do governo, no instante em que um blog da cidade exibe a contratação de esposas de dois diretores dos dois canais abertos da televisão privada da cidade. Uma coisa pequena, que torna o governo pequeno. E isso é muito ruim para a cidade, como haverá de se mostrar péssimo para a imagem do próprio prefeito e de seu irmão, candidato á reeleição.

E tanto o prefeito Marcelo Rangel, quanto o deputado federal Sandro Alex, são figuras que encarnam a renovação política na cidade. Mas, a renovação desejada pela sociedade é de valores, de métodos, de comportamentos, muito além da mudança de pessoas, de nomes, sai Antonio, entra Joaquim, sai João, assume José.

Com toda a torcida a favor da cidade, não era esse o governo que a cidade merecia. Mas, ele, sangrando ou não em praça pública, tem prazo de validade até 31 de dezembro de 2016.

 

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