Em 14 meses, Marcelo perdeu sete membros da equipe. Um a cada dois meses

Nestes primeiros quatorze meses, a administração municipal se revela de alta rotatividade, pois, se houve sete desembarques da equipe, isso dá uma média de uma exoneração, a cada dois meses. E, aí, como planejar uma ação de governo, com tantas alterações? Como definir um rumo de governo, com essa média impressionante de mudanças? Qual o verdadeiro motivo para tanta saída de secretário?

Só para lembrar e relacionar as mudanças havidas, por órgão do governo: Secretaria de Administração e Negócios Jurídicos; Secretaria de Gestão Financeira; Secretaria da Saúde; Secretaria de Governo; Fundação Municipal de Cultura; CPS; Afepon.

A única verdade conhecida e convincente de exoneração foi a da ex-secretária de Governo Indianara Prestes Mattar Milléo, que solicitou sua saída do governo por razões de natureza pessoal, para se dedicar à sua família. Afora esse único caso, nenhum outro desembarque teve justificativa convincente. Houve até uma esquisita divulgação de vencimento de um contrato por tempo determinado, como a dourar a pílula quanto ao verdadeiro motivo, que se encontra, por sinal, no âmbito do Ministério Público.

Se a formalidade dos atos publicados não esclarece a razão verdadeira, conversas ouvidas na informalidade remetem para o desencanto de pessoas que reuniam condições para desenvolver um trabalho de qualidade e, assim, prestar um grande serviço à coletividade. Porém, o compromisso de nomear gente demais em cargos em comissão, sem o necessário e devido preparo profissional, levou boa parte dos antigos secretários a preferir retomar suas atividades profissionais, a fim de se preservarem aos olhos da opinião pública. Jamais, por exemplo, o empresário Flávio Kaiber vai dizer, de público, o porquê de sua saída da Secretaria de Administração. Homem preparado, administrador de empresa multinacional, não se ajustou ao formato de ingerência política, convencendo-se da pura incompatibilidade sua com a realidade da pequena política que se colocou à sua frente.

E, assim, deve ter sido com o professor Cláudio Jorge Guimarães, na Fundação Cultural, e também com o professor Fernando Pilatti, na Secretaria do Meio Ambiente. Dois nomes consagrados em suas respectivas áreas, com currículos respeitáveis e com carreiras brilhantes na Universidade Estadual de Ponta Grossa.

No fundo de tudo isso, está o delicado problema do despreparo do prefeito Marcelo Rangel para comandar uma equipe de governo, de trabalho, de realizações, de compromissos efetivos com o interesse público.

É claro que Marcelo Rangel não está sendo o primeiro, nem será o último a não ter o preparo devido para se sentar na principal cadeira da Prefeitura Municipal. Entretanto, importa considerar o presente, porque é o presente que cuida de alicerçar o futuro. E a continuar a administração municipal como vem se comportando nesses quatorze meses, a comunidade sofrerá grande prejuízo, porque as realizações não irão além do trivial, das obrigações do dia-a-dia, com muito mais discurso no rádio do que realizações, de fato, fora do microfone, no principal gabinete do prédio do Poder Executivo.

E não seria demais repetir, por exemplo, que o problema maior não está no fato e na constatação do despreparo pessoal de Marcelo Rangel para ser prefeito da cidade. O cerne da questão está em não ter ele a capacidade de se cercar, e manter, pessoas preparadas para assessorá-lo. Nunca, por exemplo, poderia ter na Chefia de Gabinete uma pessoa estranha à cidade, desconhecida do universo político local, que, ainda por cima, é parente seu, um tio. Uma posição estratégica, que requer alguém com habilidade política, conhecimento da política, em uma palavra, um estrategista. Mas, o prefeito preferiu um familiar.

E, como diz o ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal, falando a respeito do processo eleitoral no Brasil, a culpada de Marcelo Rangel ser prefeito de Ponta Grossa é a sociedade de Ponta Grossa, é a população de Ponta Grossa, é o eleitor de Ponta Grossa, porque foi ele, por maioria, que colocou Marcelo Rangel para governar a cidade. Ponto final.

 

 

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