Coluna da Roseli Valério

PDT MANOBRA

Não há novidade na estratégia do PDT paranaense, inspirada pelo presidente nacional do partido, o ex-ministro Carlos Lupi, que está desde terça-feira no Paraná e vai embora hoje. Justamente agora se fala em candidatura própria, apontam-se nomes. Em geral é balão de ensaio com vistas a valorizar o passe do partido nas negociações de alianças mais à frente. Foi “lançada” a idéia, em encontros que se realizaram na região Oeste do Estado, onde os brizolistas são de quatro costados, de que o PDT pode inclusive disputar o Palácio Iguaçu. Lupi foi magnânimo com Paulo Mac Donald Ghisi, presidente do PDT de Foz do Iguaçu e ex-prefeito da cidade – nome que é pouco conhecido entre os paranaenses – propondo que ele concorra a governador, a vice ou a deputado federal. Lupi acha que os pedetistas têm um leque de opções nas eleições de outubro próximo. Confete à parte com Ghisi, cicerone do dirigente nacional, os dois nomes citados por ele – Osmar Dias e Gustavo Fruet – estão empenhados em outras coisas. O ex-senador Osmar Dias, hoje na diretoria do Banco do Brasil e presidente licenciado do PDT no Paraná, não tem interesse em disputar novamente para governador e provavelmente ser vice em aliança com outra legenda, menos ainda. Osmar, que sequer definiu se vai concorrer para o Senado – é quase certo que não porque mais uma vez deve ceder lugar para o irmão mais velho, Álvaro Dias (PSDB), disputar a reeleição – está mais para não participar da eleição de 2014 para aguardar novo chamado da presidente Dilma Rousseff se ela for reeleita. Conjectura-se que Osmar estaria apostando que seu próximo cargo será de ministro da Agricultura. O que faz sentido, até porque ele não tem mesmo muita opção.

EMPENHADO

Quanto ao prefeito de Curitiba Gustavo Fruet, apontado por Lupi, tem compromisso assumido com os curitibanos de permanecer no cargo até o final – comandar a prefeitura da capital sempre esteve entre seus projetos mais importantes. E se não permanecer no cargo, corre o risco de perder parte da credibilidade que sempre teve com o eleitor. Agora menos, é verdade, porque em cargo Executivo a maioria se desgasta.

TUDO LEVA A…

Para amarrar Fruet ainda mais à prefeitura, ele precisa preservar o patrimônio ético e moral na sua vida pública pelo qual é conhecido. Não se tem notícia de que Fruet tenha sido desleal ou descumprido compromisso assumido. Portanto, os dois nomes fortes do PDT do Paraná não estão disponíveis. E Lupi, naturalmente, sabe disso. Ao que parece, o que o PDT pretende com essa manobra é levar Mac Donald candidato a vice, de preferência na chapa de Gleisi Hoffmann.

LUPI ADMITE

Tanto é que em relação à sucessão no Paraná, Lupi afirmou que o “mais legítimo” seria apoiar a petista Gleisi como candidata ao governo e o senador Osmar Dias sair candidato novamente ao Senado. Este, como se sabe, não irá concorrer. “Ocorre que esta correlação pode acabar com a formatação da chapa para a Câmara dos Deputados. Como vamos fazer para eleger os nossos federais? Como fica a questão do vice a ser discutida com todos os partidos aliados?”, questionou Lupi com endereço certo, o PT.

DISCUSSÕES

Segundo o presidente em exercício do diretório estadual, do PDT, Haroldo Ferreira, o roteiro de reuniões pelo Paraná incluiu várias cidades. “Além de Foz do Iguaçu passamos por Cascavel, Umuarama, Londrina, Ponta Grossa e Paranaguá. Há dois meses também houve reuniões em Curitiba e região metropolitana”, lembrou.

EM TESE

Ferreira também citou as mesmas lideranças (Osmar Dias, Gustavo Fruet e Paulo Mac Donald), para afirmar que o PDT tem uma posição privilegiada. “Nesse processo eleitoral que se avizinha temos condições sim de uma participação efetiva na chapa majoritária. Osmar Dias deverá ser o nosso candidato ao Senado e teremos uma boa chapa para deputados”. De novo, Osmar e de novo o mesmo discurso, apesar de não bater com os bastidores da questão.

CARLI VAI A JURI

Ontem de tarde, por maioria dos votos, a 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) decidiu que o ex-deputado estadual Luiz Fernando Ribas Carli Filho, acusado de matar dois jovens em um grave acidente de trânsito em 2009, em Curitiba, vai a júri popular. Até às 16h30, a sessão ainda não tinha terminado, mas três dos cinco desembargadores que compõem o órgão julgador, já tinham dado parecer favorável a júri popular.

AREIA NA ARENA

Nem bem deu tempo para os atleticanos de Curitiba, o prefeito Fruet e o governador tucano Beto Richa comemorarem a confirmação pela FIFA de que a capital do Paraná irá sediar os quatros jogos da Copa do Mundo, para ontem de tarde o Tribunal de Contas do Estado do Paraná (TCE-PR) acabar com parte da alegria. Anunciou ter recebido do Tribunal de Contas da União (TCU) comunicação na qual o órgão federal manifesta “preocupação” com o financiamento concedido pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a conclusão da Arena da Baixada, em Curitiba.

COM LUPA

No documento, o TCU dá prazo para que a instituição financeira apresente informações detalhadas a respeito da operação. Na próxima semana, o TCE deve divulgar o terceiro relatório sobre as obras do estádio, que também será encaminhado ao TCU. No documento, o órgão fiscalizador federal dá 15 dias para que o BNDES “apresente o novo quadro de usos e fontes para custeio dos investimentos previstos na revisão do orçamento atualizado da obra de construção da Arena da Baixada, de modo a permitir a análise no acompanhamento a ser realizado por este Tribunal em 2014, como também aferir-lhe a exequibilidade”.

SOB RISCO

A linguagem é empolada, mas fácil de entender que existe um risco de “melar” o repasse do dinheiro que se contava como praticamente certo neste último empréstimo para conclusão das obras. Anteontem o governo do Estado adiantou R$ 60 milhões desse financiamento para que a construção não parasse o ritmo normal dos últimos 15 dias.

SOB RISCO 2

Em proposta de voto apresentada ao Pleno do TCU, o ministro Valmir Campelo apontou, na semana passada, treze problemas no empreendimento. As falhas vão desde atraso no fornecimento de material de construção a escassez de mão-de-obra, passando pela ausência de detalhamento dos projetos. Tudo isso somado à imprecisão quanto ao valor real da obra, um obstáculo adicional na conquista de novos empréstimos do BNDES.

MICROS

Como fazem oposição sistemática ao governo Richa, os deputados petistas na Assembléia Legislativa não deixam passar nada. Nessa semana criticaram a nova política tributária do governador tucano para as micro e pequenas empresas, “que está causando aumento de preços dos produtos, demissões de trabalhadores e causando prejuízos em todo o Paraná”, acusou da tribuna da Casa o deputado Enio Verri, presidente estadual do PT.

COBRA ANTES

Disse ele que ao ampliar a política de Substituição Tributária, sob o pretexto de combater a sonegação, o governo Richa aumentou a carga tributária, medida que está comprometendo a saúde financeira dos pequenos negócios. “A grosso modo, a Substituição Tributária é quando o governo cobra antecipadamente os impostos sobre os produtos. Esta política prejudica especialmente as micro e pequenas empresas, que estão sofrendo perseguição da Secretaria da Fazenda”, explicou Verri.

MAIS E MAIS

Para o petista, “a voracidade fiscal” do governo prejudica os pequenos negócios na área de papelaria, produtos alimentícios, bicicletas, brinquedos, artefatos de uso doméstico, materiais de limpeza e instrumentos musicais. “É um equívoco gigantesco. Em vez de estimular investimentos, dar condições para que as micro e pequenas empresas paranaenses cresçam, movimentem a economia, gerem mais empregos, o governo Richa faz o contrário. Ele aperta o cerco e persegue o pequeno empresário na ânsia de aumentar a arrecadação para compensar sua própria incapacidade de gerenciar o Estado”, disparou o deputado Verri.

 

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