Melhor que o Lupi não viesse à cidade. O Osmar reuniria mais gente

Os pedetistas de Ponta Grossa e da Região dos Campos Gerais têm, hoje, um encontro com o presidente nacional do partido, o ex-deputado e ex-ministro Carlos Lupi, que deixou o Ministério do Trabalho em meio à acusações de corrupção. Além disso, Carlos Lupi, com a morte do fundador do PDT, o ex-governador Leonel Brizola, se adonou do partido e se jogou nos braços do PT para virar ministro e, aí, satisfazer um projeto de vaidade pessoal.

Como o PDT integra a base de apoio ao governo federal, essa caminhada de Lupi pelo Paraná para tratar de candidatura própria ao governo do Estado merece ser avaliada com um pé atrás, porque, de repente, o ex-prefeito de Foz do Iguaçu Mac Donald está se prestando a instrumento de negociação de Lupi, com a colocação de seu nome para ser candidato ao Palácio Iguaçu. Ao pretender colocar o PDT do Paraná com candidatura própria ao governo do Estado, parece óbvio que o ex-ministro busca se cacifar em Brasília para um eventual segundo governo de Dilma Rousseff. Promove balões de ensaio de candidaturas regionais para ampliar sua capacidade de negociação nos Estados, condicionando, porém, um natural aval do Palácio do Planalto. Não fora assim e tivesse ele próprio prestígio suficiente, estaria percorrendo os Estados, não apenas para promover candidaturas aos governos estaduais, mas sim para divulgar sua própria candidatura à Presidência da República. Se esse fosse o projeto, o PDT voltaria às suas origens, com Leonel Brizola mantendo um projeto nacional para o partido que acabara de criar. E o projeto nacional se dava em sua própria figura. Morto, Brizola não deixou substituto à altura. Aliás, Brizola havia rompido com o PT e com o “sapo barbudo” do PT, que era o presidente Lula, em seu primeiro mandato. Bastou morrer, para que Lupi levasse o PDT de Brizola, de mão beijada, para o presidente Lula, que o fez ministro do Trabalho.

A imagem de Lupi não é favorável, a começar por não ter conseguido criar uma base de sustentação do partido. Sua vinda à Ponta Grossa, por exemplo, não deve acrescentar, rigorosamente nada, ao projeto político do empresário Márcio Pauliki, que está se colocando como pré-candidato a deputado estadual. Além de não acrescentar, pode até, de alguma forma, arranhar a imagem política de Márcio, especialmente, porque, até prova em contrário, o PDT deverá apoiar, isto sim, a candidatura da senadora e ex-ministra Gleisi Hoffmann, do PT, ao Palácio Iguaçu. E Mac Donald haverá de ser candidato a deputado federal.

Por que será que o ex-senador Osmar Dias, que é quem tem voto dentro do PDT no Paraná, não está acompanhando o presidente nacional do seu partido, nessa caminhada pelo Estado? Lá atrás, quando o nome de Osmar era falado para assumir o Ministério da Agricultura, no primeiro governo de Lula, o então deputado Carlos Lupi dizia que o PDT não entendia nada de agricultura e que o lugar certo do partido, na Esplanada dos Ministérios, era o Ministério do Trabalho. E com ele no comando, naturalmente.

Dentre outras razões, essa deve ser uma delas para que o ex-senador Osmar Dias não esteja perdendo o seu tempo, nem se prestando a servir de escada para satisfazer a vaidade sem limite de Carlos Lupi.

Osmar Dias tinha uma reeleição ao Senado garantida, em 2010. Por pressão de Lula, acabou saindo candidato ao governo do Estado e perdeu a eleição. Mas, Dilma foi eleita presidente do Brasil. Senadora também, Ideli Salvatti disputou o governo de Santa Cataria, e perdeu a eleição. E virou ministra. E, para Osmar, foi arrumado um emprego, uma vice-presidência do Banco do Brasil, um cargo técnico, sem projeção política.

Osmar não foi reconhecido, como devia. Ao contrário desse emprego no Banco do Brasil, Osmar deveria ter sido ministro da Agricultura, por ser ele um especialista da área e um líder acreditado da agropecuária nacional. Se tivesse assumido o Ministério, seria ele, de novo, candidato a governador e, no caso, com chances reais de vitória, pelo fraco desempenho do governador Beto Richa. Mas, isso não interessava ao PDT, que nada fez por Osmar, nem interessava ao PT, que precisava garantir espaço para a senadora de primeiro mandato Gleisi Hoffmann.

Esse é o PDT de Carlos Lupi que promove uma reunião, hoje, em Ponta Grossa. Sem Osmar Dias.

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