Coluna da Roseli Valério

DEU O ESPERADO

Bate e rebate entre os senadores paranaenses Álvaro Dias (PSDB) e Gleisi Hoffmann (PT) movimentaram a votação ontem na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, do empréstimo de US$ 60 milhões (cerca de R$ 144 milhões) do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) para o governo do Estado. Na discussão da matéria, Gleisi, acusada desde 2012, pelo governador Beto Richa (PSDB) e seus aliados de articulações para segurar os empréstimos ao Estado por motivação política, negou que tenha havido discriminação do governo federal petista ao Paraná. Diante dos colegas a senadora sustentou que o pedido do Paraná foi analisado e encaminhado ao Senado em menos de 30 dias. Pedidos de empréstimo passam também pela chefia da Casa Civil que Gleisi comandou até o final de janeiro, por isso o bate-boca entre petistas e tucanos paranaenses sobre a questão. Álvaro Dias rebateu com uma pergunta: “O Paraná é um Estado de segunda classe, tem que ser colocado em um cenário secundário?”. E cobrou que outros empréstimos ao governo Richa “também foram retardados”. O tucano deu como exemplo a dificuldade de obter recursos do Programa de Apoio ao Investimento dos Estados e Distrito Federal, o Proinveste, que visa aumentar a capacidade de investimento dos Estados para viabilização de despesas de capital.

NO EMBALO

Gleisi Hoffmann votou a favor do empréstimo, mas não deixou de criticar a situação financeira do Estado. “Foi criada a falsa polêmica de que eram os atrasos nas operações de crédito que estavam inviabilizando a gestão”, observou. Insistiu a petista que, depois de o Paraná comprovar que estava com as contas em ordem, a tramitação da proposta demorou menos de um mês no governo federal. Já na versão do PSDB, a história é diferente dessa.

ESTA ANDANDO

Aprovada na CAE, a proposta agora retorna para finalizar trâmites na Secretaria Nacional do Tesouro, que depois a devolverá para ser votada diretamente pelo plenário do Senado. Pressões e a grita dos tucanos paranaenses deram certo para agora o empréstimo ser aprovado com agilidade, por isso na mesma reunião da CAE também foi aprovado requerimento nesse sentido. O requerimento seria votado ontem mesmo em plenário.

PARA ONDE VAI

No governo do Estado, a expectativa é que nos próximos dias o empréstimo tenha sua autorização final e os recursos sejam liberados para o Paraná. Os 60 milhões de dólares serão usados no Programa Integrado de Inclusão Social e Requalificação Urbana, denominado Família Paranaense. O senador Roberto Requião (PMDB) também é membro titular da CAE, mas faltou à reunião porque está em Montevidéu na reunião do Parlamento do Mercosul, do qual faz parte.

TEM MAIS

Estão na fila ainda, outros dois pedidos de financiamentos – de R$ 161,3 milhões para o Programa Paraná Seguro e R$ 20,4 milhões para gestão fiscal (Profisco) – que já foram aprovados pela Secretaria do Tesouro Nacional e dependem agora da Casa Civil ou do Ministério da Fazenda enviar os ofícios ao Senado que deve analisar e votar a autorização dos empréstimos em plenário.

COM DILMA

Sobre o imbróglio dos vários empréstimos internacionais e nacionais feitos pelo governo Richa e que teriam sido barrados pela então ministra da Casa Civil Gleisi Hoffmann, de tanto os tucanos baterem nessa tecla, a agora senadora está mal na fita perante o distinto publico paranaense. Vai daí que a petista com pretensão de disputar o Palácio Iguaçu,  estaria querendo trazer a presidente Dilma Roussef ao Paraná para medir a força dela em uma campanha eleitoral.

EM TESTE

Deve ser em março que Dilma, se arrumar tempo na agenda, virá. Os petistas estudam ainda qual o local da visita porque não têm certeza se Curitiba seria o melhor lugar para a visita. Gleisi escuta os dois lados, os que querem Dilma na capital e os que acham melhor o interior do Paraná para o “teste”. A virtual candidata do PT já encomendou pesquisas sobre a administração de Dilma, do governador Richa e sobre a sua imagem diante do eleitor para uso interno de sua equipe. Diz que o que viram até agora teria deixado o partido em alerta.

PSDB OFICIAL

Não é de estranhar que Gleisi não apareça bem, tendo em vista o mantra do governo tucano na questão dos empréstimos. A direção estadual do PSDB chegou a divulgar nota em que aponta um documento da Secretaria Tesouro Nacional, datado em 16 de novembro de 2012, que mostra que as dificuldades do Paraná em conseguir os empréstimos que precisavam do aval do governo federal são resultado de uma “ação deliberada” de Gleisi, então ministra da Casa Civil.

O TRÂMITE

Segundo o partido, o parecer, assinado pelo subscretário da STN, Eduardo Guerra, considerou o Paraná apto a contrair empréstimo de US$ 350 milhões (R$ 840 milhões, no câmbio de hoje) junto ao Bird (Banco Mundial). O documento foi enviado ao presidente da CAE do Senado, Lindberg Farias, do PT, mas o Paraná conseguiu assinar o contrato com o banco só em dezembro de 2013.

ACUSAÇÃO DIRETA

Na seqüência, a direção do PSDB sustenta: “Isto porque a Casa Civil, chefiada por Gleisi Hoffmann, postergou o quanto pode o envio de ofício para o Senado Federal chancelar o pedido paranaense. É de lei o Senado autorizar a contratação de empréstimos federais”. Além de Beto Richa, manda-chuva dos tucanos do Paraná, fazem parte da direção os deputados Ademar Traiano (líder do governo na Assembléia Legislativa) e Valdir Rossoni, presidente do Poder Legislativo.

AUXÍLIO APROVADO

Naturalmente que o Poder Judiciário não enviaria um projeto para o Legislativo com algo de inconstitucional ou ilegal. O que explica a aprovação ontem na Comissão de Constituição e Justiça da Assembleia o projeto de lei de autoria do Tribunal de Justiça do Paraná instituindo o auxílio moradia nas localidades em que não houver residência oficial à disposição do magistrado. Houve um voto contra, de Tadeu Veneri (PT), em separado.

FOI MAL

Ou o deputado petista Veneri não leu todo o projeto, ou fez declarações para dizer o mínimo, equivocadas, quando afirmou, entre outras coisas, na semana passada, estar preocupado porque se aprovado, magistrados morando na região da sede do TJ, por exemplo, poderiam ser contemplados com o auxílio-moradia. A matéria entrou em pauta na semana passada, mas sua votação foi adiada por de pedido de vistas do petista.

VÃO DESISTIR

Por conta da conjuntura política e interesses pessoais, até oito deputados federais paranaenses podem desistir da reeleição para mais um mandato na Câmara Federal. Dr. Rosinha (PT), Cida Borgheti (PROS), Rosane Ferreira (PV), Eduardo Sciarra (PSD), e Abelardo Lupion (DEM) não devem concorrer. Outros três, André Vargas (PT), Marcelo Almeida (PMDB) e Osmar Serraglio (PMDB) sonham ocupar chapas majoritárias. Almeida e Serraglio, candidatos a vice de Requião e de Richa, respectivamente. Vargas, ao Senado.

RICHA ALIVIADO

Do governador Beto Richa ontem, por volta das 16 horas: “Curitiba foi confirmada há pouco como sede da Copa do Mundo por Jérôme Valcke, secretário-geral da Fifa. Não imaginava o contrário, apesar dos percalços enfrentados e que estão sendo vencidos. Agora é acelerar o ritmo dos preparativos para que possamos receber bem os torcedores e visitantes. Curitiba é a terceira sede em número de pedidos de ingresso para a competição. Isso mostra o interesse das pessoas em conhecer a nossa capital, que já é uma referência internacional, e o Paraná, que tem muitos atrativos para mostrar ao País e ao mundo”.

‘EU JÁ SABIA’

Na véspera da decisiva vistoria da Fifa na Arena da Baixada, realizada ontem, o secretário estadual para Assuntos da Copa do Mundo, Mario Celso Cunha, se mostrava confiante. Disse que os envolvidos no evento, o governo, a prefeitura e a direção do Clube Atlético Paranaense, fizeram em 15 dias avançar as obras que, em ritmo normal, levaria dois meses.

CARA DE VALCKE

Eram 15h32 quando Jerome Valcke, o secretário-geral da Fifa confirmou em sua conta no twitter que Curitiba estará na Copa do Mundo de 2014. Na entrevista em Florianópolis, disse: “Será uma corrida apertada contra o tempo e o esforço coletivo de todas as partes envolvidas em Curitiba deve continuar em ritmo forte. Curitiba reconfirmada como sede da Copa2014, com base nas garantias financeiras, compromisso de todas as partes e progresso feito”. E foi abusado: “Não haverá outras decisões tomadas a respeito. Curitiba entendeu a pressão”.

 

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