O prefeito está pagando dívidas. Esse é um dos deveres de quem deseja governar

O prefeito Marcelo Rangel fez, ontem, um depósito de R$ 9,2 milhões na Caixa Econômica Federal, para pagamento de dívidas, aí incluídos alguns precatórios. E, sem nenhuma necessidade, voltou a relacionar o que seria possível fazer com esse valor, na atual gestão, citando uma série de possíveis atendimentos. É de se lamentar o simplismo do prefeito com esse discurso pueril, que tem o propósito de atingir os ex-prefeitos Jocelito Canto, Péricles de Holleben Mello e Pedro Wosgrau Filho.

Se o prefeito tivesse anunciado que essa dívida herdada dos ex-prefeitos é produto de corrupção, de desvio de dinheiro, de pagamento superfaturado em obras, esse discurso ainda faria algum sentido, embora o correto é que todo o conteúdo dessa fala repetida estivesse no Ministério Público para as providências necessárias de mais investigação e de denúncia ao Poder Judiciário.

Mas, como não seria o caso, porque, até o momento, o prefeito não fez nenhum tipo de afirmação nesse sentido, o ideal é que ele se convença de que pagar conta é uma das atribuições de quem se propõe, na vida pública, a ser prefeito de sua cidade, governador de seu Estado, presidente de seu País. O ex-prefeito Otto Cunha, quando assumiu a Prefeitura, em 83, encontrou uma herança que começava com um atraso de 90 dias na folha do pagamento dos servidores públicos municipais. Em dois anos, tudo foi colocado na mais absoluta ordem. E a cidade caminhou. Aí, o ex-prefeito Jocelito Canto assumiu a Prefeitura em 97, com a empresa da coleta do lixo urbano parada, por falta de pagamento. Um cenário horrível, com lixo amontoado por todos os cantos da cidade. Na ânsia de uma solução rápida, Jocelito até andou atropelando alguns dispositivos legais, mas na melhor das boas intenções, porque queria resolver aquela situação, o mais rapidamente possível. Renegociou a dívida com a empresa e a cidade caminhou.

O ex-prefeito Péricles de Holleben Mello teve herança do Jocelito e passou uma herança para o Pedro Wosgrau, que, por sua vez, a transmitiu ao prefeito Marcelo Rangel. Toda essa herança pertence a investimentos realizados em obras públicas. Até agora, ninguém conhece nenhum caso de improbidade administrativa, capaz de se transformar em escândalo. Por isso, a fértil imaginação do prefeito em relacionar várias situações em que os R$ 9,2 milhões poderiam, hoje, responder pela cobertura de diversos serviços, a começar pelo funcionamento da UPA do Santa Paula, é descabido, porque irreal. Aliás, a UPA do Santo Paula está tendo a terceira transferência de data para entrar em operação, primeiro, era para setembro do ano passado; depois, para fevereiro deste ano; e, agora, anuncia-se para abril. Esse tipo de anúncio, considerando as circunstâncias que cercam aquela obra pública, merece ter mais cuidado, mais seriedade, mais compromisso com a verdade, porque, com essa terceira data, há um visível desgaste do próprio governo. E contribui para o grau de insegurança que o prefeito passa para a população, como já lembramos aqui, ainda no sábado. Isso não coisa da oposição, mas sim do próprio prefeito.

E se a tal herança, que o prefeito não se encoraja de qualificá-la de “maldita”, está sendo resgatada, é sinal que o Município é forte, que tem recursos para pagar os compromissos assumidos pelos ex-prefeitos, dentro das normas legais e da capacidade de endividamento do próprio Município. O tempo de falar mal de antecessores já passou, como dissemos na semana passada. Agora, o tempo é de trabalho, de realização, de cumprimento de professas de campanha, sem buscar na discórdia com adversários justificativa para o desempenho sofrível da máquina pública.

É bom lembrar que, quem dita o grau de maior ou menor tensão no ambiente político da cidade, é o prefeito. Se for ponderado e conseqüente, terá um clima favorável para administrar; mas, se for imprudente e inconseqüente, haverá, sim, de colher tempestades, pela semeadura de ventos. A história está cheia de exemplos.

Ninguém deseja o desastre da atual administração, porque ninguém quer que a cidade regrida. Por conseguinte, é hora do prefeito descer do palanque eleitoral e passar a cuidar de suas obrigações. Porque foi para isso que foi eleito.

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