Coluna da Roseli Valério

PMDB DO BARULHO

Marcada para o próximo domingo, dia 23, a convenção do PMDB curitibano começou bem antes, com a troca de acusações entre os líderes dos dois grupos que irão para o bate-chapa. O deputado federal João Arruda, sobrinho e herdeiro político de Roberto Requião – o senador em 2013 foi defenestrado da presidência do diretório da capital – afirmou ontem ter provas que o grupo que atualmente controla o PMDB municipal, que tem à frente o deputado estadual Reinhold Stephanes Júnior, teria cometido “estelionato”. Arruda o acusa de promover filiações com data retroativa, para somar mais votos na convenção de domingo. E Stephanes Júnior denuncia que dentre as 350 filiações a que Arruda tinha direito, 90 foram canceladas por supostamente se tratarem de dupla filiação. O sobrinho de Requião se queixa que não foi concedido prazo para recorrer da decisão de cancelamento e, mesmo assim, reafirmou ontem que vai à disputa pela presidência do diretório do PMDB de Curitiba com a chapa “Frente de Resistência Peemedebista”. Segundo João Arruda, o grupo de Stephanes Júnior, do qual faz parte o ex-governador Orlando Pessuti, “descumpriu” o acordo feito com a direção nacional do PMDB, a começar pelo número de filiações. O deputado estadual, porém, nega que tenha filiado pessoas fora do prazo (com data retroativa) e sustenta que as 90 filiações feitas por Arruda foram canceladas porque o domicilio não era Curitiba.

OS ‘VIZINHOS’

Stephanes Júnior, que preside a comissão provisória desde a intervenção no PMDB curitibano, no ano passado, afirma que Arruda e seus seguidores tentaram filiar pessoas de municípios da Região Metropolitana de Curitiba, e cita moradores de Cerro Azul, Almirante Tamandaré e Rio Branco do Sul, entre outros. Ele está certo de vitória fácil no dia 23.

RESISTÊNCIA

Pelo lado de Requião e Arruda, a chapa chamada por eles “de resistência” tem entre os participantes os deputados federais Marcelo Almeida e André Zacharow, e os estaduais Anibelli Neto e Cleiton Kielse. Vale lembrar que todos os filiados do PMDB de Curitiba, cadastrados no TRE, têm direito a voto.

AGORA JUNTO

Sobre o PMDB ainda: ontem o deputado estadual Waldyr Pugliesi, que presidiu o diretório estadual, confirmou que se engajou no movimento pela candidatura própria do partido ao governo do Estado neste ano. Ele comentou que não é surpresa sua posição porque “sempre” foi favorável ao PMDB ter candidato para governador.

AH, TÁ

Pugliesi participou dos encontros no interior que o senador Requião fez no último final de semana. Aliado do governo tucano de Beto Richa, votando na Assembléia Legislativa conforme a orientação do Palácio Iguaçu, o deputado alega que sua posição pela candidatura própria “é ideológica”. E que foi voto vencido na bancada quando houve a decisão.

COM REQUIÃO

De acordo com o ex-presidente do PMDB, a base do partido é majoritariamente a favor da candidatura própria. E Pugliesi garante que o candidato preferido é Roberto Requião. Por sua vez, o deputado estadual Anibelli Neto, até então solitário no apoio a Requião, se animou. Acredita que agora outros colegas irão se somar.

‘SEM IDENTIDADE’

É preciso dar o devido desconto, já que a fonte da informação é petista. Diz o PT do Paraná que tem pesquisas qualitativas sobre as eleições de 2014 que apontam que Beto Richa não tem uma “imagem degradada”, mas é um governador “sem identidade”. Quem conta é o deputado federal petista André Vargas. “Ele aparece como um governador que não tem um programa, uma obra. Não tem uma marca junto a população”, afirma Vargas, que vê nisto a fragilidade do tucano.

VERSÃO PT

Vargas esteve ontem na Assembléia para dar entrevistas à imprensa que cobre as atividades dos deputados estaduais e de seus partidos e informou ainda que as tais pesquisas feitas pelo PT, mostram o senador Requião como uma espécie de “contraponto” ao governo Richa.

VERSÃO PT 2

E que a senadora petista Gleisi Hoffmann é tida como “uma alternativa nova”. Para o governo é uma opção nova, mas ficou muito conhecida do paranaense pelas acusações sistemáticas dos tucanos de ela ter barrado a liberação de empréstimos para o Estado.

EM TEMPO

Tendo sido um dos encarregados de articular as alianças no Paraná, o deputado Vargas reafirmou que a expectativa do PT é ter o PMDB no palanque de Gleisi Hoffmann, apesar de o partido estar hoje “fracionado”. Para o deputado, seria o caminho natural. “Esquisito seria ver o PMDB no palanque de Richa”, arrematou. Só que se Requião não for candidato também, outras pesquisas apontam que Richa pode ganhar a (re)eleição já no primeiro turno. Isso Vargas não considerou.

TEMPO URGE

Fevereiro já passou da metade e Gustavo Fruet, prefeito pedetista de Curitiba, tem dois problemas sérios em relação ao transporte coletivo, que não depende apenas de iniciativa sua para resolver. Um deles é o julgamento do relatório da auditoria do transporte público, principalmente no que se refere às possíveis irregularidades da licitação de 2009/2010, pelo Pleno do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Ontem ele fez um apelo ao órgão para agilizar a votação do relatório.

APELO

Por enquanto somente a liminar do relator do processo de auditoria, conselheiro Nestor Baptista, foi apreciada pela Corte do TCE. “É fundamental que a decisão final do Tribunal de Contas seja conhecida o mais breve possível. Hoje temos um contrato em vigor, que é resultado da licitação realizada em 2009. Apesar de termos que cumpri-lo, não se deve temer a rigorosa apuração da legalidade do certame. O importante é termos segurança jurídica”, disse o prefeito da capital.

OUTRO ENROSCO

O segundo problema da gestão Fruet é o diálogo com o governo do Estado para que este assuma o subsídio relativo aos 13 municípios metropolitanos que compõem a Rede Integrada de Transportes (RIT), que faz a ligação com Curitiba com tarifa única. O governador deve criar muito caso, como em 2013, até conceder o subsídio, que não terá condição de negar tendo em vista seu projeto de reeleição.

SUBSÍDIO/SALÁRIO

Hoje, a tarifa técnica e a tarifa do usuário estão equilibradas na capital. Quer dizer, Curitiba não precisa de subsídio. Mas atualmente a prefeitura arca com cerca de R$ 2 milhões mensais e o Estado com R$ 5 milhões mensais para manter a RIT, que legalmente compete ao Estado. E, de quebra, tem o reajuste salarial de motoristas e cobradores, com data-base neste mês. Eles pedem índice acima da inflação do período.

LUPI POR AQUI

Para o bem ou para o mal dos pedetistas da terra, de hoje até sexta-feira o presidente nacional do PDT, o ex-ministro Carlos Lupi, fará um roteiro no Paraná. Ele passará pelas cidades de Foz do Iguaçu, Cascavel, Umuarama, Londrina e Paranaguá.

PDT NA ELEIÇÃO

De acordo com os pedetistas, a programação faz parte das discussões internas que estão sendo realizadas pela cúpula nacional em todo o país, visando a definição de rumos partidários e a participação do partido nas eleições. Ontem na capital o PDT tinha reunião para outro assunto, discutir a convenção marcada para março.

CAPITAL DECIDIDA

Em Curitiba não tem o que discutir, o prefeito Fruet tem o compromisso de apoiar a candidatura petista de Gleisi ao governo do Paraná, em retribuição a aliança das eleições municipais de 2012. Além do que, ele e o governador romperam há muito tempo, quando Richa vetou a sua candidatura para prefeito, para apoiar a reeleição de Luciano Ducci (PSB), nas eleições de 2012.

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