Marcelo precisa colocar os vereadores nas críticas ao endividamento do Município

Há um processo de desconsideração para com o Poder Legislativo, que chega até a preocupar. É como se o Legislativo prestasse, única e exclusivamente, para aprovar os projetos do prefeito, e seus membros virarem prestadores de serviço da população, no atendimento aos pleitos corriqueiros de conserto de buracos de rua, patrolamento de ruas, pavimentação asfáltica, concessão de títulos honoríficos e, por aí, afora.

Nesse desastrado discurso do prefeito Marcelo Rangel, de quinta-feira, em que tencionou criar um fato político importante, ao falar do endividamento do Município com a intenção de responsabilizar administrações anteriores, deveria, em suas críticas, ter incluído o Poder Legislativo, porque toda e qualquer operação de crédito do Município passa, por exigência legal, pelo crivo do Legislativo. Logo, se o Município está endividado, foi porque o Legislativo autorizou. E se o emprego do recurso emprestado foi mal feito, o Legislativo também merece ser responsabilizado, pela omissão na fiscalização.

Dos atuais 23 vereadores, oito foram reeleitos. E, desses, sete pertencem à bancada de sustentação do governo municipal, comandando, de certa forma, a “tropa de choque” do prefeito, na aprovação de tudo o que interessa ao governo e na rejeição a tudo o que possa criar algum tipo de dificuldade ao governo. Vale lembrar, até pela oportunidade, que todas as operações de crédito a serem feitas pelo atual governo, e que irão repercutir no endividamento do Município, haverão de passar pela Câmara Municipal. Ora, se o prefeito se autorizou a criticar as dívidas contraídas pelos últimos governos, sem discutir o mérito de cada financiamento, vale se questionar, por exemplo, a moratória, sem prazo definido, mas que, ao final, acabou valendo por noventa dias, que o atual governo promoveu ao início de sua gestão. Naquela oportunidade, é que o prefeito deveria ter mostrado para a população a situação em que estava recebendo a Prefeitura Municipal, até para justificar a moratória, que aconteceu muito mais por conta de um discurso político, para fazer caixa na Prefeitura, do que propriamente para denunciar uma situação de gravidade no caixa da Prefeitura.

E, dos oito vereadores reeleitos, sete apoiavam o governo do ex-prefeito Pedro Wosgrau Filho. E, agora, apóiam o governo do prefeito Marcelo Rangel. E esses sete aprovaram todos os empréstimos pedidos por Pedro e haverão de apoiar todos os empréstimos pedidos por Marcelo. De fora mesmo, ficou apenas o vereador Pascoal Adura, que, oposição a Pedro, continua oposição a Marcelo.

Não há, portanto, como se responsabilizar qualquer ex-prefeito, sem que essa responsabilização passe também pela Câmara Municipal. Aliás, não seria um despropósito cobrar dos vereadores reeleitos, por exemplo, os problemas que estão sendo levantados pela CPI das Obras Públicas. Tivessem os vereadores, ao tempo devido, cuidado da devida fiscalização e, seguramente, o dinheiro público teria sido melhor aplicado e o prejuízo para a população bastante reduzido.

Essa omissão do passado deve servir de lição para os vereadores do presente.

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