Marcelo precisa limitar o grau de insegurança que passa à população

Todo o governo tem a marca do governante. Se nessa afirmação não existe novidade, deveria, ao menos, do Tibagi para cá, provocar um cuidado maior, de modo que a marca do governo não precisasse, rigorosamente, ser a marca do governante, isto é, que a marca do governo pudesse ser um pouco melhor. Mas, neste caso, o problema é que o governante não deixa. Essa fala de quinta-feira do prefeito, por exemplo, foi um verdadeiro desastre para qualquer projeto de imagem política. Feito em hora muito errada, porque muito atrasado, fora do tempo, o seu conteúdo não apresentou absolutamente nada de novo. Apenas, confirmou o despreparo pessoal do prefeito, diante das adversidades do dia-a-dia de uma cidade como Ponta Grossa, que figura entre as mais importantes, não apenas do Paraná, mas do Sul do Brasil. Assim, se é um orgulho ser prefeito dessa cidade, de outro lado, esse orgulho precisa ser compartilhado de competência e responsabilidade. Sim, porque cada ato do governante não repercute, apenas, na figura física do governante, mas na figura coletiva dos governados, no conjunto da sociedade.

O prefeito Marcelo Rangel, pelo que demonstrou na sua fala de principiante de quinta-feira, ficou muito aquém do que, efetivamente, gostaria de ter dito. Mas, se não poderia, por alguma razão, dizer o que gostaria de dizer, melhor teria sido se não tivesse dito nada. Ao menos, não teria sido exposto ao ridículo, de aparecer em público para se queixar de heranças de dívidas de governos passados, depois de já estar no cargo no seu décimo quarto mês. À essa herança, que não teve coragem de qualificar de “maldita”, ele vai acrescentar a sua parte, para o governante que tomar posse no dia primeiro de janeiro de 2017. Logo, repetindo o que dissemos ontem, essa fala de quinta-feira deveria ter acontecido no mês de junho, julho quando muito, do ano passado. Dizer ao povo como estava recebendo a Prefeitura e que, a partir daquele instante, iria se empenhar para colocar a casa em ordem e tocar o bonde para a frente. Aliás, é justamente para isso que foi eleito. E é justamente por isso, na democracia, que acontecem eleições. O escolhido sempre tem pela frente um desafio, para o qual precisa estar preparado. E se assim não for, o melhor é que nem se apresente ao eleitorado.

O pior em tudo isso é que o cidadão pontagrossense passa a ser a grande vítima, embora o ministro Marco Aurélio de Mello tenha, corretamente, dito nas páginas amarelas da Veja, numa destas últimas semanas, que, no caso dos maus governantes, a sociedade nunca é vítima, mas, sim, culpada, porque é ela que escolhe, que vota, que elege.

É verdade que o eleitor princesino ficou diante de um dilema complicado, no segundo turno das eleições de 2012: ou votava no Marcelo Rangel, ou votava no candidato do PT, que era o deputado Péricles de Holleben Mello. Como a decisão coube aos eleitores do empresário Márcio Pauliki, que ficou no primeiro turno, a maioria desses eleitores, não querendo votar no candidato do PT, votou em Marcelo. Ainda assim esse eleitor é culpado.

Mesmo culpado, esse eleitor alimentava o sonho de ver o prefeito Marcelo Rangel provando o contrário da avaliação que se fazia dele, quanto a falta de preparo para governar a cidade.

Aí, o prefeito se apresenta, numa tarde do segundo mês do segundo ano de seu mandato, para atestar que, de fato, não tem preparo para governar uma cidade importante, do tamanho de Ponta Grossa.

Um comentário em “Marcelo precisa limitar o grau de insegurança que passa à população

  • fevereiro 15, 2014 em 13:56
    Permalink

    Infelizmente é Ponta Grossa quem perde Adail.

    Resposta

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *