A nova geração de políticos repete a velhacaria da política do passado

A tradição da política pontagrossense é de lideranças isoladas, que, pela incapacidade ou egoísmo, não constroem um grupo para expandir o processo natural da busca do poder. A rigor, a cidade teve um único grupo político, na década de setenta, formada pelo deputado federal João Vargas de Oliveira, pelo deputado estadual David Federmann e pelo ex-prefeito Plauto Miró Guimarães. Embora grupo político, de fato, não conseguiu evoluir, porque os seus três principais mentores não produziram uma renovação, ainda que, em 68, tenham lançado para prefeito da cidade o então jovem empresário Otto Cunha, diante do falecimento do ex-prefeito e deputado federal Petrônio Fernal, que era o candidato natural do grupo à sucessão de Plauto, naquele ano. Mas, naquele mesmo pleito, o grupo se desfez em parte, pela dissidência aberta pelo deputado João Vargas de Oliveira, que, candidato também, acabou desistindo e foi apoiar o nome da oposição, Eurico Batista Rosas. O vitorioso naquela eleição foi o engenheiro Cyro Martins.

Em nossa história, não temos o registro de um grande líder, de um nome de expressão estadual. Todos, sem exceção, tiveram seus prestígios dentro dos limites do Rio Tibagi.

Em 2006, o deputado estadual Jocelito Canto reunia todas as condições para se eleger deputado federal e, a partir daí, fazer política estadual, valendo-se de sua popularidade e de seu estilo voluntarioso de fazer política. Entretanto, insistiu em se manter como deputado estadual, porque, segundo sua avaliação própria, “o povo o queria como prefeito, de novo”, em 2008. A cidade perdeu uma boa oportunidade de ocupar um espaço importante na política do Paraná, naquele ano. Candidato a prefeito, não conseguiu passar para o segundo turno, que foi disputado entre o prefeito Pedro Wosgrau Filho e o radialista Sandro Alex, com Pedro conquistando seu histórico terceiro mandato. E Jocelito amargou a constatação de que o povo “não o queria” prefeito de novo.

Agora, em 2012, a novidade do pleito municipal foi o empresário Márcio Pauliki, o mais preparado dos três principais candidatos, por ter se preocupado, de fato, em elaborar um projeto de governo, em cima de dados reais, objetivos. Foi um candidato com propostas concretas, que entusiasmou o eleitoral. Na véspera da eleição, foi derrotado pelo Ibope, numa pesquisa que não se sustentou por vinte e quatro horas. Mas, ultrapassou a casa dos cinqüenta mil votos. Era uma liderança emergente.

Para as eleições deste ano, a expectativa do eleitor do Márcio Pauliki era de que ele se apresentasse como postulante a uma cadeira na Câmara Federal, a fim de poder ampliar os horizontes de seu projeto político. Entretanto, conveniências políticas teriam-no convencido a optar pelo projeto de uma candidatura a deputado estadual, frustrando, assim, a comunidade quanto a ampliação de nosso espaço político no Paraná.

De certa forma, está repetindo o caminho do ex-deputado Jocelito Canto, por alimentar, talvez, a vontade de uma nova candidatura a prefeito, em 2016.

Um comentário em “A nova geração de políticos repete a velhacaria da política do passado

  • fevereiro 12, 2014 em 17:52
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    Meu amigo de muitas décadas, li seu artigo e gostei muito, vc. conhece os problemas politicos de nossa cidade, teve um outro dep. Estadual, q

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    • fevereiro 12, 2014 em 17:58
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      Adail, teve outro Dep.Estadual, que poderia ser até Federal, tinha a eleição ganha, por motivos de outros interesses, cedeu, sua vaga, e outro ganhou e foi ser o constituinte, foi uma pena>

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  • fevereiro 12, 2014 em 20:45
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    Adail, parabéns pelas palavras ….. temos que lembrar da Elizabeth Schmidt que vem pra arrebentar para Federal …. o que acha ???

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  • fevereiro 12, 2014 em 23:08
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    Não concordo com sua afirmação de que o Pauliki saindo a estadual frusta nossa comunidade. O Pauliki é inteligente e sabe dar um passo de cada vez. Ele sabe que existem questões a serem resolvidas a nível estadual como a criação da região metropolitana e outros assuntos que em 4 anos de legislação estadual poderá surpreender pavimentando assim sua candidatura a federal em 2018 e seu projeto ambicioso para 2022 como o primeiro candidato ao governo do estado de nosso querida região dos Campos Gerais. Temos hoje nomes surgindo no cenário político mas ao meu ver a história política do Marcio Pauliki só está começando!

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