Ofertado o curso, feito o vestibular, feita a matrícula, o curso tem de funcionar

Com tanta coisa acontecendo na cidade, não dá mesmo para continuar parado, sem escrever, sem registrar, sem elogiar, sem criticar. E ontem assisti a algo inusitado, na voz embargada de emoção de um mãe, que relatou a frustração da filha, por ter recebido um telefonema da faculdade onde prestou exame vestibular, e passou, convidando-a a comparecer à faculdade para receber, de volta, o dinheiro da matrícula, porque o curso não vai funcionar, porque o número de alunos não completou a turma esperada pela direção da escola.

Tem alguma coisa de muito errado nisso aí, pois, é de se imaginar que o caso consulta o que se chama de “direito do consumidor”. Vamos lá: a faculdade faz um projeto para o Ministério da Educação e pede autorização para o funcionamento de um novo curso. O MEC autoriza. A faculdade anuncia aos quatro ventos e chama candidatos para o vestibular. E aí comparecem cinco, dez, cinquenta, cem candidatos, fazem o vestibular, pagando a devida taxa. Os aprovados fazem a matrícula, uns pagando do próprio bolso, outros reunindo a documentação para o financiamento público, do FIES. Mas, todos faceiros porque, enfim, vão fazer o curso que sonhavam. De repente, o número de aprovados ficou aquém do que a faculdade esperava. Diante da perspectiva de prejuízo, pelo fato de manter um grupo de professores para lecionar para um número reduzido de alunos, decide cancelar o curso, ou, talvez, adiar o seu funcionamento para uma oportunidade futura, com garantir de um número maior de alunos. Decide tudo isso e, sem qualquer cerimônia, comunica aos futuros acadêmicos que não serão acadêmicos, porque o curso, simplesmente, não vai funcionar.

Onde fica o direito do aluno? Como fica a filha da senhora, que fez o desabafo ontem, ela que estava toda entusiasmada, porque tinha até mesmo o apoio e incentivo da casa onde trabalha, pela perspectiva de uma ascensão funcional?

Lembro que a Faculdade União andou vivendo situação quase parecida, com o Curso de Jornalismo. Mas, o curso chegou a funcionar. Porém, com pouca gente, a direção da faculdade negociou com a UEPG a transferência de seus anos e fechou o curso. Nenhum aluno foi prejudicado.

O CESCAGE – Centro de Ensino Superior dos Campos Gerais – fica a dever uma explicação pública, sobre as razões determinantes para o não funcionamento, este ano, do Curso de Pedagogia.

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *