Coluna da Roseli Valério

                                 INÍCIO DA PRÉ-CAMPANHA

Gleisi Hoffmann entregou ontem oficialmente o cargo de ministra-chefe da Casa Civil em Brasília, e no Paraná já se pode contar aberta a pré-campanha eleitoral de 2014. Não apenas da petista, mas por força da liberdade que ela terá estando fora do governo federal. Enquanto isso, os virtuais adversários de Gleisi se verão forçados a entrar na roda. Da tribuna do Senado a ex-ministra poderá “bater” muito no seu principal concorrente, o atual governador Beto Richa (PSDB), que, por sua vez, deverá reagir à altura. O líder do governo na Assembléia Legislativa, deputado Ademar Traiano (PSDB), acusou ontem mesmo a ministra e a bancada do PT na Casa de estarem “antecipando o processo eleitoral” para o governo do Estado. “Agora ela ficará mais livre para fazer o contraponto com o governador que vem mentindo em relação aos empréstimos que não foram liberados para o Paraná. Só não foram liberados porque não se tinha certidão”, afirmou o deputado federal André Vargas, do PT. O governador, que tentará a reeleição em outubro, acusa o governo federal de discriminar o Estado na aplicação de recursos, entre eles o dos empréstimos. Segundo Vargas, que é da coordenação da pré-campanha de Gleisi, ela deverá ainda se inserir na articulação política dos partidos no Estado e na elaboração do programa de governo.

                                                 REFORÇO

Com tempo livre, de sexta-feira a domingo, Gleisi estará percorrendo o Estado com reuniões e debates e, sempre que ministros ou autoridades do governo Dilma Rousseff virem ao Paraná, ela deverá estar presente nas solenidades. Exemplo disso é que Gleisi participará de evento na quinta-feira, 6, numa das maiores feiras agropecuárias do Estado, em Cascavel, ao lado do ministro de Desenvolvimento Agrário, Pepe Vargas.

                                                 AGENDADO

“No Show Rural teremos uma atividade grande de entrega de máquinas junto com o governo federal, com o ministro Pepe Vargas, além de jantar com o setor produtivo na quinta-feira em Cascavel”, adiantou Vargas, que é vice-presidente da Câmara Federal e sonha em ser o candidato ao Senado na chapa de Gleisi. O evento será o primeiro em que a petista terá contato com o eleitorado do Estado após deixar a Casa Civil. Gleisi estava no cargo desde junho de 2011.

                                           MARIDO ANIMADO

Também o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, após participar da solenidade em que sua mulher deixou a Casa Civil, disse que ela não está “muito distante” do governador do Paraná nas pesquisas eleitorais. Assim como Gleisi fará com mais empenho no Senado, o ministro criticou a gestão tucana. Bernardo afirmou que as contas do Estado estão “desequilibradas”.

                                                 CRÍTICA A RICHA

“Ela [Gleisi] tá com uma condição boa no Paraná. Se você fizer pesquisa hoje, vai ver que o governador Richa está na frente, mas ela não está muito distante, não. E ele se meteu numa enrascada, porque o Estado está com as contas completamente desequilibradas, deu um calote bilionário em dezembro, cancelou empenhos de R$ 1,1 bilhão e, portanto, [está em] uma situação muito difícil”, avaliou o ministro.

                                               E PROVOCA

Bernardo acha que o governador tenta transferir para o governo federal os problemas do Estado. “Ele [Beto Richa] tenta jogar todos os problemas para o lado do governo federal, e dizer que a Gleisi podia ter ajudado, mas acho que ele vai acabar fazendo campanha pra ela. As pessoas vão falar ‘Bom, se é a Gleisi que vai resolver o problema, vamos mudar esse negócio aí’”, cutucou o marido da senadora.

                                             VAIAS NA ABERTURA         

Foi com protesto de servidores do Estado e de funcionários dos Correios que ocuparam as galerias do plenário, que se deu ontem a sessão de reabertura dos trabalhos da Assembleia Legislativa. Palavras de ordem contra as privatizações, e no caso dos funcionários dos Correios (que são servidores federais) por melhores salários, e abaixo de vaias, que o vice-governador, Flávio Arns (PSDB), discursou.

                                             SOBROU PARA ARNS

Esse tipo de ‘batata quente’, aliás, quase sempre acaba nas mãos do vice-governador.   Arns representou o governador Richa na sessão solene, que “arrumou” o que fazer no interior, foi a abertura do Show Rural, em Cascavel, acompanhando o senador e pré-candidato do PSDB à Presidência da República, Aécio Neves (MG). Para ambos, os aplausos; para Arns, as vaias. Ele foi interrompido várias vezes.

                                               COMEÇOU MESMO

Para o deputado Ademar Traiano, que lidera a base governista na Assembléia, foi a bancada petista que “orquestrou” a manifestação. Ele relacionou os protestos nas galerias ao discurso de Gleisi Hoffmann, no último sábado, em Umuarama, quando ela e o governador trocaram farpas públicas. “Pelo que eu vejo foi orquestrado pelos deputados do PT. A oposição está antecipando a campanha, como já ocorreu em Umuarama, com a presença da ministra Gleisi”, acusou o líder tucano.

                                              CPI REATIVADA

Nesta terça-feira a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Pedágio retoma os depoimentos que foram considerados como fundamentais para embasar o relatório técnico que será elaborado a partir do dia 2 de março – quando terminam as oitivas de testemunhas. Serão ouvidos o presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos do Paraná (Sindicam), Diumar Cunha Bueno, e o procurador jurídico do Sindicato, Alziro da Motta Santos Filho.

                                             MAIS EXPERIENTES

Deputados integrantes da CPI vão conhecer um estudo que demonstra as dificuldades que os caminhoneiros enfrentam nas estradas pedagiadas do Paraná, tanto em relação a acidentes como o desembolso com o valor alto do pedágio. “Estamos chegando a fase final da CPI. Agora todos os depoimentos são importantes para reafirmar aquilo que já pudemos concluir: os valores são altos e podem ser reduzidos e novas obras podem e devem ser inseridas no contrato vigente sem prejuízo aos consumidores como gatilhos e aumento de tarifa”, afirmou o presidente da CPI do Pedágio, deputado Nelson Luersen (PSC).

                                                  DEVOLVER COMO?          

Jorge Bernardi (PDT), vereador que presidiu a CPI do Transporte Coletivo da Câmara de Curitiba, em 2013, afirmou ontem que, se a tarifa técnica for reduzida de R$ 2,93 para R$ 2,50 (como determina a liminar do Tribunal de Contas do Paraná), as empresas de ônibus e a Urbs, autarquia que gerencia o transporte público da capital, terão de devolver mais de R$ 300 milhões aos usuários.

                                               GRÃO EM GRÃO                                 

Do mesmo partido do prefeito, que herdou essa confusão do transporte, Bernardi não coloca panos quentes. “Pelo que decidiu o TCE do Paraná, a medida agora é fazer com que as empresas e a Urbs devolvam aquilo que cobraram a mais nos últimos três anos”, observou. Cada centavo a mais na tarifa significa R$ 3,1 milhões a mais para as empresas anualmente.

                                         GRÃO EM GRÃO 2

“Os R$ 0,43 cobrados a mais, somente entre 2013 e 2014, lesaram os usuários de ônibus em mais de R$ 130 milhões”, calcula o vereador. Somando-se a este valor, “superfaturado”, acusa Bernardi, “desde que a última licitação foi feita, significa que a população teve um prejuízo de mais de R$ 300 milhões”, estima o vereador.

                                            A DEUS DARA

Voltando a cerimônia de entrega de cargo de Gleisi para Aloísio Mercadante, que a substitui, o marido Bernardo falou sobre a área dele. “Em primeiro lugar, eu sou favorável à regulação da mídia, sempre defendi isso. Nós precisamos apenas nos colocar sobre qual vai ser o modelo, sobre qual a forma de conduzir isso, se nós vamos fazer um projeto único ou por partes. Eu, por exemplo, acho que temos que incluir questões essenciais, por exemplo, sobre o que acontece na mídia de internet”, alertou ele.

                                                 BICHO PAPÃO

Para o ministro das Comunicações, o Google está se tornando o grande monopólio da mídia. “E a gente vê assim uma disputa entre teles e TVs que, provavelmente, se durar mais alguns anos, o Google vai engolir os dois”, comentou. Se o Brasil tem planos para diminuir a ação de companhias como o Google, Paulo Bernardo disse que esta questão tem de ser colocada na pauta. Ou seja, não existe nada ainda.

                                                  PRECISA DISCUTIR

“Se você tem, por exemplo, uma empresa que, num setor, tem 70% de participação, é evidente que talvez seja o caso de discutir. É para discutir, eu sou a favor de discutir”, citou Bernardo. Ele garantiu que não estava falando de regular conteúdo, disse que é “absolutamente contra”.

                                               NÃO PODE

O ministro explicou melhor a questão da internet. “Agora, nós podemos ter dois tipos de veículo vendendo publicidade? Um pagando imposto e outro pagando nada? Isso eu acho que tem de ser visto. Essa discussão eu coloco assim até como um elemento para contribuir com um eventual debate”, disse Paulo Bernardo.

 

 

 

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