O maior desafio de Marcelo está em inspirar confiança

Após treze meses de governo, o prefeito Marcelo Rangel continua tendo, pela frente, o seu maior desafio: inspirar nas pessoas a confiança de preparo para governar a cidade. Radialista de profissão, Marcelo se mantém diante do microfone, todas as manhãs, até para se antecipar a qualquer crítica, tratando, no rádio,

 das questões amenas da administração municipal, de modo a garantir sua popularidade junto às comunidades da periferia. É o político que pensa na próxima eleição, muito distante do estadista que pensa na próxima geração.

Entretanto, é forçoso reconhecer que o deputado estadual Marcelo Rangel não tinha em seu projeto de vida pública uma eleição para um cargo executivo. O seu projeto político era disputar uma eleição para o Senado da República, como ele próprio chegou a revelar. E era uma pretensão legítima, louvável até, eis que, deputado estadual, haveria de se empenhar no exercício do cargo para se creditar, no curso do processo político, a conquistar o direito à uma candidatura à Câmara Alta. Hoje, pode-se dizer, que não seria fácil, a se considerar o sofrível desempenho como parlamentar, nos seus seis anos de Assembleia Legislativa.

Mas, como as coisas na vida nem sempre acontecem como a gente programa, eis que o deputado Marcelo Rangel se viu compelido a aceitar a candidatura a prefeito, nas eleições de 2012, diante da preocupação de seu irmão, Sandro Alex, em se apresentar, uma segunda vez, como candidato a prefeito, temeroso da acusação de estar abandonando a cadeira de deputado federal. Como a cidade havia ficado vinte anos sem deputado federal, o risco era evidente. Para que o projeto político da família tivesse continuidade – e não há nada de ilegítimo -, o candidato teria de ser o deputado estadual Marcelo Rangel. À esta altura dos acontecimentos, o compromisso com o empresário Márcio Pauliki de ser ele o candidato do grupo já havia ido para o espaço. E, nesse caso, a culpa até pode ser dividida em igualdade de medida aos dois lados, isto é, do lado dos irmãos Oliveira a falta de cumprimento do compromisso assumido e, da parte do Márcio, o fato de ter ido buscar abrigo num partido de oposição ao governo do Estado. Como Marcelo e Sandro eram deputados do PPS, partido que apóia o governador Beto Richa e faz oposição ao governo federal, Marcelo e Sandro não teriam como apoiar um candidato de um partido de oposição ao Palácio Iguaçu.

Logo, a missão, tanto dentro do grupo familiar, quanto dentro do grupo da base de apoio ao governador Beto Richa na cidade, passou a pertencer ao deputado estadual Marcelo Rangel. Preparado ou não para o exercício do cargo de prefeito, o importante é que ganhasse a eleição. E essa última parte da missão foi cumprida. Marcelo se elegeu prefeito da cidade. Um feito a orgulhar, com todas as razões, o grupo familiar, e a animar o seu grupo político, pelo fato de o governador Beto Richa poder contar com o apoio do prefeito de Ponta Grossa para a sua tentativa de reeleição, nas eleições deste ano.

Assim, o prefeito Marcelo Rangel talvez não seja o maior culpado pelo seu despreparo para exercer o cargo de prefeito, para comandar uma equipe de governo, para administrar uma cidade importante, como é Ponta Grossa.

Mas, como está no cargo e para a continuidade de seu projeto político – nem pensar mais em candidatura ao Senado -, precisará ser, ao menos, razoável no comando do governo, pois, até aqui, a cidade vem tendo um governo sem comando, sem rumo, sem direção.

 

 

 

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