O Márcio é o nome de Ponta Grossa para se revelar na política do Paraná

Já falamos no artigo anterior que Ponta Grossa, em matéria de desprestígio político, está para o Paraná, como o Paraná está para o Brasil.

Falando de Paraná, houve um tempo em que todo o ocupante do Palácio Iguaçu se considerava candidatável à Presidência da República. Ney Braga foi o que mais se aproximou do Palácio do Planalto, por ter sido o político de maior prestígio do Estado. Ainda que, no regime militar, chegou, de certa forma, a disputar, nos bastidores das Forças Armadas, a sucessão do general Geisel com o general Figueiredo, que acabou sendo o nome levado ao Colégio Eleitoral para um mandato de seis anos na Presidência da República. Mas, afora a presença de Ney no cenário nacional, Paulo Pimentel, que sucedeu a Ney no Palácio Iguaçu, fez pose de candidato a presidente, da mesma forma, como Álvaro Dias viveu seus momentos de sonho dourado com uma candidatura presidencial.

Neste ponto, o Paraná até desequilibra a proporcionalidade da falta de prestígio, na comparação com Ponta Grossa, porque, daqui, nunca um político, sequer, teve a coragem de almejar, de ensaiar, de anunciar uma disposição de uma candidatura majoritária no Estado, seja para o Palácio Iguaçu, seja para o Senado da República. Por sinal, e quando houve um convite para uma candidatura ao Senado, o convidado foi descortês com os que o convidaram. O convidado foi Eurico Batista Rosas, para as eleições de 74, enquanto, da parte dos que levaram o convite, encontrava-se à frente José Richa, então prefeito de Londrina. Eurico mal sabia que estava jogando a sorte pela janela, eis que o eleito para o Senado, em seu lugar, foi um então ilustre desconhecido advogado de Londrina, que o Paraná nem sabia o seu nome, Francisco Leite Chaves.

Voltando para o nosso universo, limitado às margens do Rio Tibagi, é preciso prestar atenção na figura do empresário Márcio Pauliki, cujo desempenho para a Prefeitura Municipal nas eleições do ano passado foi excepcional, pois, sem experiência política e sem apoio de figuras de expressão do mundo político, bateu na casa dos 50 mil votos. E só não foi para o segundo turno por conta de um pesquisa safada do Ibope, que foi desmentida vinte e quatro horas depois, pelos indesmentíveis números das urnas eleitorais.

Márcio se preparou para ser prefeito de Ponta Grossa. Tinha um projeto de governo. Não ganhou a eleição e não ficou a se lamentar, porquanto, no dia seguinte, retomou sua atividade na empresa, dando impulso maior às ações de responsabilidade social do Grupo MM, por meio do Instituto Mundo Melhor, evidenciando o seu compromisso com a responsabilidade social.

É um nome pronto para ser candidato a deputado federal. Porém, reúne excepcionais condições pessoais para um vôo mais ousado, como uma candidatura ao governo do Estado, para bater de frente com o governador Beto Richa, que vai tentar a reeleição, e com a senadora e ministra Gleisi Hoffmann, que vai tentar se contrapor a Richa. Como é sabido, Beto vem se arrastando num governo sofrível, enquanto Gleisi vem tendo sua saída anunciada da Casa Civil da Presidência da República por não ter conseguido corresponder à expectativa de eficiência. Nem, por isso é verdade, Beto e Gleisi podem ser considerados cartas fora do baralho. Estão sôfregos; mas não estão mortos.

É, nesse ponto, que existe uma vistosa avenida para um nome novo, uma candidatura afirmativa, um projeto diferente que se identifique com o clamor das ruas. E Márcio Pauliki tem esse perfil. Resta saber, antes de mais nada, se o próprio Márcio tem disposição e coragem para se lançar nesse projeto ambicioso. E, depois, se uma candidatura de Márcio teria espaço dentro de seu próprio partido, o PDT.

Beto Richa, então vice-prefeito de Curitiba, foi candidato a governador em 2002, sem a menor chance de competição. Não ganhou a eleição, mas ganhou visibilidade na política do Paraná. O Márcio, em melhores condições, pode, sim, se apresentar como candidato ao governo do Estado, no pleito do ano que vem.

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