CONVERSA DE “BRIMOS”

Parece mesmo que o governador paranaense não se entrosa ou não confia nos 30 deputados federais e três senadores que representam o Estado no Congresso Nacional. Esteve em Brasília e não chamou uma reunião da bancada do Estado para tratar de questão que se tivesse esse reforço teria mais impacto sobre as autoridades com quem se encontrou. Se a presidente Dilma Rousseff – que quando vem ao Paraná normalmente é gentil com o governador tucano, a ponto de deixar o PT local meio desarvorado – não atende Beto Richa em audiência, o jeito foi apelar para o vice-presidente da República. Uma conversa entre “brimos”, Michel Temer, do PMDB, e Richa, do PSDB, serviu para que o assunto de maior interesse do governo do Paraná fosse tratado. Não que Temer tenha a palavra final sobre qualquer coisa, mas pode ajudar a dar um empurrãozinho. Richa foi a Brasília ontem pedir apoio para a liberação de investimentos no Estado, depois de esperar por mais de um ano ser recebido em audiência por Dilma. Ele pediu via canal formal e não obteve resposta. Apesar que ele teve duas ou três oportunidades para lembrar a presidente pessoalmente. Pelo visto, não quis fazer isso. Michel Temer o recebeu prontamente no Palácio Jaburu. O governador falou com o vice-presidente da necessidade de serem liberados os empréstimos internacionais, bloqueados há meses na STN, Secretaria do Tesouro Nacional. E que o Paraná aguarda ainda, os investimentos do PAC 2. Saiu de lá, porém, apenas com expectativas.

PIRES NA MÃO

Richa fez a via sacra: esteve também no Senado com o presidente Renan Calheiros e com o presidente da Câmara Federal, Eduardo Henrique Alves. Para ambos, o pedido foi o mesmo, de apoio na liberação de dois empréstimos junto ao BID: US$ 60 milhões para o Família Paranaense e R$ 67 milhões ao Paraná Seguro. Antes disso tudo, tomou café da manhã na casa do presidente nacional do PSDB e seu amigo pessoal, o senador mineiro Aécio Neves.

APRONTANDO…

Do governador para sua virtual adversária na disputa pelo governo paranaense em 2014, a atual ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann, do PT. Em ano pré-eleitoral, tudo é motivo para exploração política, para fazer barulho. Contra Gleisi agora, se questiona o avião que usou na viagem de sábado, 3, à cidade de Toledo, onde lançou o Plano Safra do governo federal e entregou máquinas agrícolas para 33 municípios.

PARA GLEISI

O evento teve caráter governamental, mas Gleisi chegou à cidade em um avião alugado pelo PT. Sua assessoria explicou bem os motivos: a ministra preferiu utilizar o transporte fornecido pelo partido “para evitar interpretações equivocadas”. Ainda assim, os tucanos acharam um jeito de polemizar. Ontem, o deputado federal do Paraná Fernando Francischini (PSDB) iria entrar com pedido de informações na Câmara para obter detalhes da viagem.

NO EVENTO

Para o deputado, a viagem teve conotação político-eleitoral. Mas Gleisi justificou que sua participação no lançamento dos programas do governo foi porque eles são “monitorados” pela Casa Civil. Mas a ministra chegou em Toledo junto com o vice-presidente de Agronegócios do Banco do Brasil, ex-senador Osmar Dias (PDT), que fez um inflamado discurso contra o governador Richa.

SABE-SE LÁ

Ocorre que o evento não constava da agenda oficial da ministra e três dias depois não havia qualquer notícia dele no site da Casa Civil. Sem ver o requerimento de Francischini (que também não está no seu site), não dá para saber exatamente o que ele questiona, onde está uma suposta irregularidade da ministra. Por usar um avião do PT? Por estar acompanhada de Osmar Dias e este ter feito um discurso contra Richa? O governador corre o Paraná com o discurso que certamente não é elogioso a Gleisi ou ao PT.

DE 100, OITO

Conforme a nova lista dos “cabeças” divulgada pelo Diap, Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, dos 100 parlamentares mais influentes no Congresso Nacional, oito são do Paraná: o líder do PSD na Câmara, Eduardo Sciarra (PSD), os deputados Abelardo Lupion (DEM), André Vargas (PT), Dr. Rosinha (PT), Osmar Serraglio (PMDB) e Rubens Bueno (PPS) e os senadores Alvaro Dias (PSDB) e Roberto Requião (PMDB).

MENOS MAL

Tiveram uma recuperação os políticos do Paraná, já que para o prestigiado prêmio Congresso em Foco, nenhum deles se classificou na primeira e mais importante indicação, que é a dos jornalistas especializados que cobrem o Congresso. Os parlamentares citados na lista são considerados pelo Diap com qualidades e habilidades diferenciadas em relação aos demais, como a capacidade de conduzir debates, votações e negociações, por exemplo.

DA ATUAÇÃO

Também aparecem nos 100 mais influentes do Diap, os deputados e senadores que se destacam por fazer formulações, seja pelo saber, senso de oportunidade, eficiência na leitura da realidade, que é dinâmica, e, principalmente, facilidade para conceber ideias, constituir posições, elaborar propostas e projetá- las para o centro do debate, liderando sua repercussão e tomada de decisão.

DOMINARAM

Na comparação com outros estados, o Paraná está em quinto lugar em número de parlamentares influentes. Atrás de São Paulo, Pernambuco, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Em relação aos partidos, os dois com maior número de parlamentares na elite são o PT (26), ao qual é filiada a presidente da República, e o PMDB (16), partido do vice-presidente da República e dos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal.

COISA POUCA

Quanto às mulheres entre os “Cabeças” do Congresso, em termos proporcionais, é inferior à participação da mulher no Legislativo Federal. Enquanto as mulheres representam 15,31% do Congresso (83 deputadas e oito senadoras), na elite do Congresso Nacional elas correspondem a apenas 9% (cinco deputadas e quatro senadoras).

SEM PIZZA

Para entrar na história e que sirva de exemplo: os deputados da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Telefonia Móvel da Assembleia Legislativa vão encaminhar o relatório final ao Ministério Público Federal para que seja feita representação judicial (indiciamento) contra João Batista Rezende, presidente da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

PASSIVA E OMISSA

Conforme o relatório da CPI, a Anatel não cumpre seu papel regulador e fiscalizador, “atuando sempre em polo passivo e se omitindo em suas obrigações”. A partir dessa conclusão com base nas investigações, a Comissão pede que a Anatel seja indiciada, na espera de que o MPF ofereça denúncia da agência a Justiça.

66% DESAPROVAM

O relatório apresentado formalmente ontem no plenário da Assembléia, traz indicadores mostrando o grau de satisfação dos usuários com os serviços, baseado na Central Móvel da CPI em diversas cidades do Paraná e no questionário que o site da Comissão elaborou. Dos mais de 15 mil consumidores pesquisados em campo ou pela internet, 66% reclamaram da falta de qualidade dos serviços em geral, no Paraná.

POR SERVIÇO

A qualidade do atendimento nos call centers das operadoras foi queixa de 72% dos usuários. Em relação a qualidade e estabilidade do sinal, 71% estão descontentes; e outros 68% registraram queixas quanto a cobranças indevidas. Além disso, os consumidores também reclamaram do consumo indevido de créditos, desrespeito à portabilidade, recebimento de fatura após a data de vencimento.

E MAIS

Queixas generalizadas abrangeram a de adesão a planos sem autorização prévia, mensagens invasivas em horários inoportunos e propaganda enganosa, entre outras reclamações documentadas pela CPI. A Comissão também apurou que todas as operadoras investiram menos do que o previsto por elas próprias na melhoria do sistema.

SÓ NO LUCRO

De acordo com o deputado Nereu Moura (PMDB), relator da CPI, com faturamento anual global de R$ 287 bilhões, as teles investiram menos de 10% dessa receita na infraestrutura – a que menos investiu foi a Claro, com apenas 3,3%, infringindo o plano de investimentos entregue à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Diante desse quadro, não seria o caso de indiciar também o Ministério das Comunicações?

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