Plauto levou uma rasteira do amigo Beto, que havia lhe prometido apoio

O deputado Plauto Miró Guimarães Filho se reelegeu em 2002, com o voto do saudoso José Richa. E esse voto de José Richa para Plauto foi prometido, aqui em Ponta Grossa, numa visita do filho Beto, como candidato a governador, que teve a companhia do pai, que sempre tratou a cidade com o maior respeito, recebendo, em troca, respeito e admiração da comunidade pontagrossense. O pai do Beto chegou a elogiar o empenho de Plauto pela candidatura de seu filho. Candidatura que, a rigor, não tinha a menor chance de vencer aquela eleição. Independente disso, Plauto foi leal e fez campanha como que acreditando que, de repente, Beto tinha, sim, alguma chance. Por essa lealdade a Beto, o saudoso ex-governador chegou a dizer que o seu voto para deputado estadual seria de Plauto. E que deve ter sido confirmado na urna, pela grandeza do caráter do ex-governador.

Candidato ao Palácio Iguaçu, em 2010, Beto Richa contou, de novo, com todo o apoio, empenho e trabalho do amigo deputado Plauto Miró Guimarães Filho. Com a diferença da campanha de 2002, a de 2010 tinha um Beto candidato competitivo e com chances reais de ganhar a eleição, como efetivamente ganhou. A lealdade de Plauto a Beto fez emergir uma imagem de muita proximidade entre os dois, não raro chamados de irmãos. Aliás, imaginava-se, inclusive, que, Beto eleito governador, Plauto seria convidado, pelo menos, para comandar a Casa Civil e, assim, coordenar toda a ação política do governo do amigo e irmão. Como se viu, não foi para a equipe do governo, nem teve força para indicar qualquer conterrâneo seu. Pela oportunidade, vale lembrar que, no governo do pai, Ponta Grossa foi muito bem representada, coisa bem diferente do que se constata no governo do filho, em que a cidade não tem o menor prestígio. E será desejável que a cidade, no ano que vem, retribua essa falta de consideração.

Plauto não foi secretário. E, aí, chegou-se a pensar que o próprio Plauto teria preferido continuar na Assembleia, pelo desejo de disputar, novamente, a Prefeitura Municipal de sua cidade. Embora em 96, Plauto tenha tido o apoio do governador Jaime Lerner, a expectativa era de que, agora em 2012, o apoio do governador Beto Richa haveria de produzir mais força a candidatura do amigo e irmão deputado. De repente, Plauto abriu mão da candidatura e concordou em apoiar o deputado Marcelo Rangel, até então seu adversário político e até desafeto pessoal. Tudo para atender a um apelo do amigo e irmão governador, que precisava vencer a eleição em Ponta Grossa, para melhor se garantir no seu projeto de reeleição em 2014. Aí, surgiu a conversa de que Plauto iria, então, para o Tribunal de Contas do Estado, na vaga aberta com a aposentadoria do ex-deputado e conselheiro Hermas Brandão.

Tudo acertado, o deputado Plauto passou a concentrar o seu trabalho mais na Capital, encurtando suas visitas às cidades da região e mesmo aqui, na sua cidade. Estava convencido de que o apoio do amigo e irmão governador lhe garantiria a cadeira que pertenceu a Hermas Brandão.

De repente, surge um competidor, dentro do próprio grupo de apoio ao governador na Assembleia, o deputado Fábio Camargo, com o apoio de seu pai, desembargador Clayton Camargo, presidente do Tribunal de Justiça do Estado. Com esse fato novo, logo as pedras do Centro Cívico passaram a tomar conhecimento do recuo de Beto Richa, em relação ao apoio prometido a Plauto. E, na reta de chegada, Beto chegou a declarar que não tinha preferência por nenhuma das duas candidaturas, em respeito à independência do Poder Legislativo.

Foi nesse “respeito à independência do Poder Legislativo” do governador Beto Richa, que o antigo amigo e irmão deputado Plauto Miró Guimarães Filho perdeu para Fábio Camargo a cadeira que imaginava lhe pertenceria.

Vale lamentar que a história que o filho governador Beto Richa está escrevendo nem de longe terá o brilho e a grandeza da história escrita por seu pai, o leal e grande governador José Richa.

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