Plauto pode enfrentar, nesta segunda, a mais difícil eleição de sua vida

Nesta segunda-feira, a Assembleia Legislativa do Paraná vai eleger um novo integrante do Tribunal de Contas do Estado, na vaga aberta pela aposentadoria do conselheiro Hermas Brandão. Nunca, antes, uma decisão dessa natureza provocou tamanho interesse da opinião pública. Aliás, pela primeira vez, houve o registro de 45 candidatos, ainda que as evidências apontem para a polarização entre as candidaturas de dois deputados estaduais, Plauto Miró Guimarães Filho e Fábio Camargo. É verdade que, dos 45 inscritos, restaram 40, ainda assim um número recorde.

É claro que essa mobilização toda tem tudo a ver com os novos tempos que estão a exigir da classe política, como um todo, uma revolução na forma de proceder, seja no âmbito do Poder Executivo, seja no âmbito do Poder Legislativo. Os movimentos de rua do mês de junho deste ano inauguraram um novo tempo, um impressionante despertar da sociedade para cobranças de austeridade na vida pública, nunca antes manifestadas na ênfase agora demonstrada. É que houve o esgotamento da paciência, pelos excessos que se sucedem na prática da classe política, que vai de vereador a presidente da República, passando pelo prefeito, governador, deputado estadual, deputado federal e senador. A corrupção de hoje tem assumido níveis que envergonham os casos havidos no passado. E, aí, até pela oportunidade, vale citar uma declaração do combativo senador Álvaro Dias, de que, no governo, o PT banalizou a corrupção. O caso do mensalão foi o maior escândalo de corrupção que este País já viu e a finalização do processo de julgamento está, perigosamente, se arrastando no STF. A sociedade tem dito, pelas mais diferentes formas de manifestação, que quer a condenação de todos os envolvidos, ou, ao menos, dos principais envolvidos no episódio inusitado de assalto ao dinheiro público. E tudo isso no primeiro governo do PT. Na estréia de Luiz Inácio Lula da Silva, na Presidência da República.

Agora em junho, o povo saiu às ruas para pedir uma revolução nos usos e costumes da classe política brasileira. E, nesse pleito, se insere o processo de escolha dos conselheiros dos tribunais de contas de todos os estados e mesmo dos ministros do Tribunal de Contas da União. Ainda que o protesto seja válido, será preciso alterar o texto constitucional, que consagra, no âmbito dos estados, a escolha por meio de voto secreto dos deputados estaduais das respectivas assembléias legislativas. É o que estamos assistindo, aqui no Paraná. E que se processará no final da tarde desta segunda-feira.

Dentro das regras estabelecidas, lideranças da comunidade pontagrossense estão a apoiar a candidatura do deputado conterrâneo Plauto Miró Guimarães Filho, que está no exercício de seu sexto mandato consecutivo e que vem a ser o primeiro político de Ponta Grossa a se apresentar para uma disputa por cadeira no Tribunal de Contas do Estado.

E Plauto passou a enfrentar uma disputa dura, beirando a deslealdade, a partir do aparecimento da candidatura do também deputado estadual Fábio Camargo, pelo evidente apadrinhamento do pai do parlamentar, que vem a ser o atual presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Clayton Camargo. Desembargador investigado pelo Conselho Nacional de Justiça, o que, em situação normal, deveria se constituir em caso de sério e visível constrangimento. Não é o que vê, entretanto.

A Assembleia Legislativa tem, pois, uma grande oportunidade para demonstrar o grau de percepção das chamadas “vozes roucas” das ruas.

Por conta da evidência de que a disputa se dará entre os dois deputados, ganha força de que uma vitória do deputado Plauto será o resultado de uma decisão madura do Palácio 19 de Dezembro, até porque Plauto está concorrendo com seus próprios valores e sua a própria história de mais de 20 anos no Parlamento. Uma história limpa.

Uma decisão diferente poderá indicar, perigosamente, que membros do Legislativo do Paraná se renderam à pressões do prédio vizinho do Centro Cívico da Capital. Será ruim para a sociedade paranaense. Aliás, poderá soar como uma provocação às “vozes roucas” das ruas.

 

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